'Divergente' dá uma nova cara às sagas adolescentes

(foto: Divulgação)
  • Ano de lançamento: 2014
  • País: Estados Unidos
  • Língua: Inglês
  • Título original: “Divergent”
  • Diretor: Neil Burger

Sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, “Divergente” estreou no Brasil aquecido pelos burburinhos da mídia internacional e pela ansiedade (quase incontrolável) dos fãs da saga de Veronica Roth. A história se passa em um mundo regido por uma espécie de Nova Ordem, onde os seres humanos são divididos em cinco facções projetadas para funcionar em harmonia: Amizade, Audácia, Abnegação, Erudição e Franqueza.

Por mais que sejam naturais de um dos cinco grupos, os jovens de Chicago, cidade onde se passa a trama, têm a chance de escolher o próprio destino ao completar dezesseis anos. Para ajudá-los, há um teste de aptidão, responsável por apontar as afinidades de cada indivíduo e, deste modo, alocá-lo na facção mais apropriada.

Beatrice Prior (Shailene Woodley), filha de um dos líderes da Abnegação, é surpreendida pelos resultados inconclusivos de seu exame, que a define como Divergente, ou seja, sem aptidão exclusiva para uma só facção. Indecisa, a garota decide sair da Abnegação rumo à Audácia, onde adota uma nova identidade, reforçada pela troca de seu nome. A agora Tris é submetida à iniciação de sua nova facção, que põe a prova suas habilidades físicas e mentais para definir se a iniciante tem as características da Audácia: coragem, bravura e determinação.

Nesta jornada de iniciação, a caloura trava lutas corporais com garotos encrenqueiros e meninas com o dobro de seu tamanho, é posta sob efeito de uma espécie de alucinação para que possa enfrentar – e superar – seus maiores medos, e tem que decidir se o lema da Nova Ordem, “facção acima de sangue”, é algo que vale a pena se seguir.

É impossível evitar comparações com as sagas “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes”, mas, quando se trata do mesmo público, como diversificar drasticamente o produto? Todos os elementos que encantam a audiência jovem estão presentes em “Divergente” (e em “Crepúsculo” e “Jogos Vorazes"): um romance aparentemente improvável, uma forte figura feminina, um mocinho charmoso e um conflito a ser resolvido com a ajuda do casal.

Que os louros sejam reconhecidos. Aliás, o maior deles tem nome e sobrenome: Shailene Woodley. Mesmo que ainda seja cedo para intitulá-la “nova Jennifer Lawrence”, porque a citada não está nem perto de deixar seu trono, a atriz é uma estrela nata. Certeira, não desaponta quem assiste nem por um segundo. Brilha nas cenas mais fortes, onde faz com que se debulhar em lágrimas pareça natural. Uma pena que o resto do elenco não alcance o patamar de Woodley. Theo James é tão desenvolto quanto seu rígido personagem e Kate Winslet, apesar de todo o talento, acaba refém de um papel limitado.

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Outro ponto forte de “Divergente”, o roteiro, também o condena. Somos apresentados, sem muitas explicações, a um mundo completamente novo. Um dos maiores vícios de adaptações literárias é ter o sucesso do livro como muleta, supor que quem assiste tenha lido, ou saiba, ao menos, do que se trata. É possível que quem decida assistir o filme por um acaso não se situe muito bem nessa realidade paralela, mas, para os fãs da saga, a trama é um presente. A enxurrada de detalhes não deixa que a narrativa se aprofunde, o que não é lá muito bom, mas oferece muito mais a quem leu.

A fotografia e a direção de arte poderiam ter brincado com o mar de possibilidades no contraste entre as facções. Da gentileza da Amizade, marcada por cores quentes, ao altruísmo da Abnegação, mergulhada em cinza, a história oferece um leque de sugestões a serem exploradas. Porém, o foco na complexidade de encaixar muito no roteiro, fez com que o visual assumisse o papel de coadjuvante.

Apesar de ser a variável de um denominador comum, “Divergente” põe algo a mais na mesa. Nos faz espectadores da desconstrução de uma utopia, por mais que tropece no caminho. A saga da protagonista é uma miscelânea de traços comuns a mim e a você. Nem Katniss, nem Bella. Tris Prior é a personificação de um dos maiores medos humanos: o de não pertencer.

Assista no player abaixo o trailer do filme:



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