Musical 'Se Eu Fosse Você' repete nos palcos mesma fórmula das telas

Por Rodrigo Vianna

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Nelson Freitas, Cláudia Netto e Lua Blanco em cena (Foto: Reprodução/Internet)

Pegue um filme de campeão de bilheteria, uma história bem amarrada, atores pra lá de talentosos e canções de uma das maiores artistas brasileiras. Pronto. Está feito um musical de sucesso. Quando soube que o longa “Se Eu Fosse Você” chegaria aos palcos, confesso que me causou uma certa estranheza, afinal, não estamos falamos de um musical, mas sim de uma comédia. Porém, o que poderia parecer impossível, aconteceu: “Se Eu Fosse Você – O Musical” estreou no dia 21 de março no Teatro Oi Casa Grande, repetindo a mesma fórmula das telonas.

Em tempos onde o Rio de Janeiro passa por uma escassez de grandes estreias, “Se Eu Fosse Você – O Musical” chega com grandes expectativas. Afinal, não é sempre que vemos o diretor Daniel Filho e o diretor musical Guto Graça Melo juntos no palco. O Contracenarte não ficou de fora dessa. A convite da Aventura Entretenimento, conferimos de perto a estreia para convidados do musical, na última terça-feira (25). Com altos e baixos (mais altos do que baixos), o espetáculo é, de fato, um prato delicioso para os fãs de comédia.
(Foto: Reprodução/Internet)

 Com direção de Alonso Barros, texto de Flávio Marinho, direção musical de Guto Graça Mello e supervisão de Daniel Filho, que dirigiu os longas, “Se Eu Fosse Você – O Musical” é assinado pela Aventura Entretenimento, produtora de sucessos como “Elis, A musical”, “Rock in Rio – O musical”, “Hair”, “Um violonista no telhado” e “O Mágico de Oz”. O espetáculo dá sequência à trilogia “Uma Aventura Brasileira”, que busca o fortalecimento da cultura nacional. São 22 atores em cena e um repertório exclusivo de sucessos de Rita Lee.

Com orçamento de 8 milhões, a comédia musical mescla a trama dos dois filmes para contar a história de Helena (Claudia Netto) e Cláudio (Nelson Freitas), casal em crise conjugal que, acidentalmente, troca de corpos e tem que aprender a lidar com as idiossincrasias do sexo oposto. “Se Eu Fosse Você – O Musical” é uma história de amor, de compressão. No palco, um marido machista, rígido e que se preocupa mais com o trabalho do que com a família. Do outro lado está Helena, uma mulher sensível, romântica, mas que também está sujeita a erros.

(Foto: Reprodução/Internet)

Assim como os filmes, o espetáculo mostra as mudanças dos personagens de uma forma sutil, sem grandes exageros gestuais. Nelson Freitas, sem dúvidas, é o grande destaque do musical. As suas cenas como Helena e piadas garantem as risadas. É impossível não se apaixonar pela cena em que Cláudio faz uma performance na piscina, digna de um atleta olímpico de nado sincronizado. Tudo isso ao som de “Sucesso, aqui vou eu”. Confesso que fiquei com uma certa sensação de “dejá vu”, mas nada que impedisse de eleger esta a melhor cena do espetáculo.

O troca-troca
A peça começa com uma briga e a separação de Helena e Cláudio, depois de ele desmarcar a tão sonhada viagem dela para a Toscana para lidar com compromissos profissionais. Na trama, foram reunidos personagens dos dois filmes, como a filha do casal  Bia (Lua Blanco), seu namorado Olavinho (Bruno Sigrist), a mãe Vivinha (Fafy Siqueira), na peça uma ex-hippie rica, a psiquiatra Patrícia (Marya Bravo), amiga de Helena, João Paulo (Nicola Gama), primo e advogado de Helena, e Nelsinho (Osvaldo Mil), o melhor amigo e advogado de Claudio, entre outros.

(Foto: Reprodução/Internet)

Para a construção da dramaturgia de “Se Eu Fosse Você - O Musical”, o dramaturgo Flávio Marinho (Abalou Bangu, Cauby! Cauby!) fez uma adaptação do roteiro do segundo filme, incluindo as melhores cenas do primeiro e mudando ligeiramente a personalidade de alguns personagens. “Foi um exercício de humildade e ourivesaria. Eu tinha em uma coluna dois roteiros de filmes muito-bem sucedidos e na outra a obra de 50 anos da principal roqueira brasiliera. A minha missão foi preencher a coluna do meio de uma forma orgânica e criativa”, explica Flávio Marinho.

Outro ponto positivo do espetáculo é o belíssimo e prático cenário de Paulo Correa. Projeções e estruturas quase que geométricas ajudam a traduzir os vários ambientes onde a história se passa. A cena do vestiário, por exemplo, é uma das que mais impressionam, com boxes e até chuveiro. Porém, nem tudo funciona tão bem... É o caso da agencia publicitária onde o Cláudio trabalha, que em alguns momentos se confunde com o consultório da psicóloga Patrícia (Marya Bravo), amiga de Helena. Outra cena, que poderia ter sido melhor aproveitada é a do futebol.

(Foto: Reprodução/Internet)

Jovens talentos
Para o papel do casal adolescente apaixonado, o diretor Alonso Barros apostou em dois nomes: a atriz e cantora Lua Blanco, que faz a sua estreia num grande musical, e Bruno Sigrist, que já é figurinha carimbada dos grandes espetáculos. Bruno, aliás, estava no meio da temporada de “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz”, quando recebeu o convite para atuar em “Se Eu Fosse Você – O Musical”. Na história, uma gravidez inesperada transforma a vida do casal, que prestes a se casar ainda tem que lidar com a “dupla personalidade” de Cláudio e Helena.

Outra grata surpresa é a atriz Fafy Siqueira, que está ilária no papel de Vivinha, a mãe de Helena. Sempre soube que Fafy era uma grande humorista, mas confesso que sempre lembrava das suas imitações de Roberto Carlos quando ouvia o seu nome. Dessa vez, não. A sua interpretação é isenta de erros, e, ao lado de Nelson Freitas, nos oferece as melhores cenas, recheadas de improvisação. Já o ator Oswaldo Mil, conhecido por espetáculos como “Os Cafajestes”, sofre ao lado de grandes atuações, e em alguns momentos chega a parecer forçado na tentativa de mostrar o seu lado “galinha”.
(Foto: Reprodução/Internet)

Para a trilha sonora, Daniel Filho optou por uma seleção apenas com sucessos de Rita Lee depois de assistir a um espetáculo da Broadway com músicas de Gershwin. Parceiro de décadas de Daniel Filho em diferentes trabalhos, Guto Graça Mello foi convidado para assinar a direção musical. Completando a equipe criativa do espetáculo, Marcelo Pies assina os 132 figurinos do espetáculo, que aliás, são impecáveis. Por tudo isso, “Se Eu Fosse Você – O Musical” é mais um grande marco do teatro brasileiro, não só pela adaptação, mas pela ousadia. Se eu fosse você, não perderia.
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