O filme 'Ela' traz uma reflexão criativa sobre o futuro

(Cena do filme "Her"- Ela, foto: Divulgação)

Um escritor deprimido, arrasado após o fim de um casamento fracassado, se apaixona por uma mulher que não pode estar fisicamente ao seu lado. Poderíamos estar falando sobre algum dos seus colegas de trabalho que recorreu a um site de relacionamentos numa tentativa desesperada de sair da fossa, mas, estamos falando do ponto de partida de “Ela”, novo filme do diretor Spike Jonze.
Em um futuro não muito distante, vive Theodore Twombly (Joaquin Phoenix), um escritor recém-divorciado que passa as noites imerso em videogames e perambulando por salas de bate-papo. Em uma de suas caminhadas rumo ao trabalho, Theodore esbarra em uma demonstração de um novo sistema operacional no mercado, que promete romper as barreiras da inteligência artificial. O escritor, intrigado, resolve adquirir o software.

Antes de lhe apresentar seu sistema operacional, o programa faz algumas perguntas pessoais como “você se considera social ou antissocial? Como é sua relação com a sua mãe?”. O mapeamento da personalidade do escritor é capaz de criar um software personalizado e voltado especificamente para o perfil de seu operador. Após a configuração, uma voz sedutora salta do computador e se apresenta: Samantha (Scarlett Johansson).

Vulnerável, Twombly não demora a se apegar à atenção quase incondicional que Samantha lhe oferece. O SO é responsável por organizar seus e-mails, resolver seus compromissos e de quebra ainda lhe faz companhia antes de dormir. Aos poucos, a estranheza inicial se esvai, o escritor se sente cada vez mais confortável com a situação, e a relação entre humano e tecnologia ganha uma cara mais natural. 

(Cena do filme "Her"- Ela, foto: Divulgação)

Ela é o equilíbrio quase que perfeito entre roteiro, elenco e trilha sonora. Não a toa, concorre a seis categorias no Oscar 2014, incluindo “Melhor Filme”, “Melhor Roteiro Original” para Spike Jonze, “Melhor Trilha Sonora” e “Melhor Canção Original”, com “The Moon Song”. Deixar a trilha sonora nas mãos da banda canadense Arcade Fire foi uma jogada de mestre. O filme é embalado por uma coleção de músicas contemporâneas, que caem como uma luva na roupagem moderna do roteiro.

Joaquin Phoenix tem uma das melhores atuações da carreira.O ator navega entre momentos de descrença profunda e alegria súbita quase que naturalmente. Apesar de se esconder atrás de óculos enormes e um bigode nada discreto, Phoenix ainda é capaz de se conectar facilmente com o espectador. Scarlett Johansson faz um trabalho tão específico e único de voz, que fez a mídia debater sobre a possibilidade da atriz em concorrer à Melhor Atriz Coadjuvante nos Golden Globes, mesmo sem aparecer fisicamente, – nem por um segundo – durante toda a trama. Vale ressaltar o trabalho de Amy Adams, que aparece como a melhor amiga de Theodore, a também Amy. Em “Ela”, Adams apresenta uma atuação bem mais natural e honesta do que em “Trapaça” que lhe rendeu uma indicação de “Melhor Atriz” no Oscar 2014.

Como já disse Oscar Wilde, “a arte é a forma mais intensa de individualismo que o mundo já conheceu”. O filme de Jonze é a concretização perfeita da frase do escritor. Através de uma produção à beira do sci-fi, somos apresentados a uma realidade que nos parece próxima e distante ao mesmo tempo. Vemos Twombly se afastar dos amigos, de si mesmo e do mundo no qual está inserido.“Ela” nos faz refletir sobre a direção em que caminhamos, e nos coloca na desconfortável posição de pensar sobre um futuro que – agora – nos parece longínquo, mas que pode nos pegar de surpresa, enquanto caminhamos despreocupadamente com nossos smartphones. 

Confira no player abaixo o trailer do filme:


Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!