'Fonchito e a lua' chega pela primeira vez aos palcos

(foto: Divulgação)


Brincadeira é coisa séria. A infância é o laboratório da criação, instantes onde a imaginação flutua, a visão se agiganta e o rascunho de um homem ganha traços definidos. A criança delira, não carrega ainda o peso das convenções ou os limites da racionalidade. Sonhar é para os livres. Mario Vargas Llosa é um dos mais respeitados escritores da atualidade, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura (em 2010) mas é, sobretudo, um sonhador. 

Trocando em miúdos, uma eterna criança. Ferrenho defensor da liberdade e da igualdade social, aventurou-se pela primeira vez na literatura infantil com ‘Fonchito e a lua’ (2011), marcando um encontro com as crianças de todo o mundo (e com os jovens, adultos e quem mais chegar). Fonchito, a lua e seu universo encantado voam das páginas diretamente para o palco com a estreia mundial do espetáculo homônimo, a partir de 25 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio (CCBB – RJ), com direção de Daniel Herz e dramaturgia de Pedro Brício. ‘Fonchito e a lua’ é uma realização do Banco do Brasil e Ministério da Cultura, com patrocínio da OI e Multiterminais e apoio cultural do Oi Futuro.
 
 ‘Fonchito e a lua’ é uma grande viagem pela descoberta do primeiro amor, mas também uma busca pelo impossível, a fim de torná-lo possível. Através da história de Fonchito e sua tentativa de entregar a lua para sua amada, Vargas Llosa fala novamente sobre a liberdade, a capacidade do homem de conquistar e refazer sua história, temas tão caros a sua obra “adulta”. O texto mergulha ainda na vastidão da cultura dos países da América Latina, em especial do Peru. 

A montagem teatral propõe uma experiência sensorial, convidando os espectadores a embarcarem nesse passeio, através não apenas da história, mas também da direção de arte de Ronaldo Fraga, da trilha sonora de Paulo Santos - do premiado grupo mineiro Uakti -  e da iluminação de Aurélio de Simoni. Os condutores da jornada são os atores Pablo Sanábio (Fonchito), Felipe Lima (Felipe/poeta), Marino Rocha (Martin/lhama de pelúcia), Raquel Rocha (professora/mãe do Fonchito/mãe da Nereida) e Thais Belchior (Nereida). “O espectador terá um envolvimento total com a peça. Seja na cenografia ou no próprio desenho da cena, o público estará ‘em cena’“, explica Daniel Herz.
 
Apesar da suposta classificação infantil, ‘Fonchito e a lua’ é um espetáculo para todas as idades, sem jamais infantilizar a linguagem e a narrativa. O próprio Vargas Llosa, à época do lançamento do livro, falou sobre a importância de escrever para as crianças: “foi a realização de um sonho muito antigo, mas é muito mais difícil escrever para crianças do que para adultos. E eu acredito numa necessidade urgente de projetos que fomentem a literatura para os pequenos, uma vez que, possivelmente, seja essa a única saída para evitar o empobrecimento das próximas gerações".
 
Para Daniel Herz, o espetáculo não tem classificação por ser repleto de singularidades. “O sonho impossível nos acompanha sempre, mesmo quando adultos. Fora isso, temos a proposta de um experimento cênico num espaço não tradicional para uma peça de teatro e a dramaturgia genial do Pedro Brício, acompanhada pela não menos genial direção de arte do Ronaldo Fraga”, exalta. 

‘Fonchito e a lua’ inaugura um novo ambiente para encenações no CCBB-RJ, o que deu novas possibilidades cênicas para os criadores. O público já embarcará no universo latino antes mesmo de chegar à sala onde se passará a peça, através de uma ambientação especialmente criada para a montagem.
 
A trilha sonora também foi composta para a cena teatral, com a assinatura de Paulo Santos, do Uakti. “A música tem que compor com essa experiência sensorial. O Uakti traz uma pesquisa de sonoridade perfeita para isso”, explica Daniel Herz.

 Sinopse

O pequeno Fonchito morre de vontade dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da escola. Mas, como nem tudo é tão simples, Nereida só aceitará o carinho se Fonchito puder lhe trazer, nada mais nada menos, do que a lua! Em Lima, capital peruana onde se passa a história, a lua aparece muito pouco, já que o céu quase sempre está nublado. Como nada é impossível, no terraço de sua própria casa, numa noite de sorte, Fonchito descobrirá uma maneira de conseguir o que tanto queria.
 
Para Daniel Herz, ‘Fonchito e a lua’ fala essencialmente da “potência do desejo para fazer do impossível uma possibilidade real”. Essa é a essência da obra de Vargas Llosa, uma metáfora para o sonho de um Peru e de um mundo livre e igualitário. A arte abre as janelas da sensibilidade, alimenta a imaginação e possibilita a formação de um espírito crítico sobre o mundo e o estado das coisas. Ela torna a lua possível. Basta acreditar!
 
Um pouco mais de Vargas Llosa
 
(foto: Reprodução/ Internet)

Nascido na cidade peruana de Arequipa, em 1936, Mario Vargas Llosa  faz da sua literatura um manifesto a favor da liberdade individual, contra a desigualdade social e a realidade opressiva no Peru. Muitos dos seus escritos são autobiográficos, como ‘A cidade e os Cachorros’ (1963), ‘A Casa Verde’ (1966) e ‘Tia Júlia e o Escrevinhador’ (1977). Em 1991, publicou ‘Peixe na água’, relato de sua experiência como candidato a presidente do Peru.

Em  sete de outubro de 2010, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura pela Academia Sueca de Ciências "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". Além da sua escrita, Vargas Llosa teve efetiva participação política no seu país. Em 1983, a pedido do próprio presidente Fernando Belaunde Terry, presidiu uma comissão que investigou o assassinato de oito jornalistas, mortos em Ayacucho, durante uma campanha contra o movimento maoísta Sendeiro Luminoso. Em 1987, iniciou o movimento político liberal contra a estatização da economia, que foi de encontro ao presidente Alan García. Em 1990, concorreu à presidência do país com a Frente Demócrata (FREDEMO), partido de centro-direita, vencendo o primeiro turno, mas perdendo para Alberto Fujimori no segundo turno.
 
Ao longo de sua carreira, Mario Vargas Llosa recebeu inúmeros prêmios e condecorações, além do Nobel. Entre eles, o Prêmio Cervantes, em 1994, o Prêmio Rómulo Gallegos (1967), o Prêmio Nacional de Novela do Peru em 1967, por seu romance ‘A Casa Verde’, o Prêmio Príncipe das Astúrias de Letras Espanha (1986) e o Prêmio da Paz de Autores da Alemanha, concedido na Feira do Livro de Frankfurt (1997). Em 1993, foi concedido o Prêmio Planeta por seu romance ‘Lituma nos Andes’. É membro da Academia Peruana de Línguas desde 1977, e da Real Academia Española (RAE), desde 1994.

Vargas Llosa foi condecorado pelo governo francês com a Medalha de Honra (em 1985) e tem vários doutorados honoris causa por universidades da Europa, América e Ásia: Universidade de Yale (1994), Universidade de Israel (1998), Harvard (1999), Universidade de Lima (2001), Oxford (2003), Universidade Europeia de Madrid (2005) e Sorbonne (2005).

Ficha Técnica:
Texto: Mario Vargas Llosa
Dramaturgia: Pedro Brício
Direção: Daniel Herz
Elenco: Felipe Lima, Thais Blechior, Raquel Rocha, Marino Rocha e Pablo Sanábio
Direção de Arte: Ronaldo Fraga
Trilha Sonora Original: Paulo Santos (Uakti)
Iluminação: Aurélio de Simoni
Programação Visual: Chris Lima

Serviço:

Estreia – 25 de janeiro
Temporada até 16 de março
Horários: Sábados e Domingos, às 17h
Preços: R$ 10,00 (inteira) / R$ 5,00 (meia-entrada)
CCBB RJ | Pátio da Rua Direita
Rua Primeiro de Março, 66 – Centro
Telefone: (21) 38082020
Bilheteria: Quarta  à segunda, das 9h às 21h
Duração: 60 minutos
Classificação: recomendada a partir de 06 anos
Capacidade: 70 lugares
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