CRÍTICA | 'A Grande Beleza' te leva em uma imersão cinematográfica

Cena do filme "A Grande Beleza"(foto: Divulgação)

  • Ano de Lançamento: 2013
  • País: Itália
  • Língua: Italiano
  • Título Original: “La Grande Bellezza”
  • Diretor:  Paolo Sorrentino


Não é difícil entender a escolha do título do filme de Paolo Sorrentino, uma vez que, cena após cena, “A Grande Beleza” proporciona ao espectador uma imersão fantástica no universo da cinematografia. A trama segue Jep Gambardella (Toni Servillo), um jornalista que colhe os louros de uma antiga publicação de sucesso. Boêmio, Jep troca os dias pelas noites, oferecendo incontáveis festas em seu apartamento no centro de Roma.

“Uma das principais tarefas da arte sempre foi criar um interesse que ainda não conseguiu satisfazer totalmente”, disse Walter Benjamin, um dos grandes filósofos e pensadores da pós-modernidade. Gambardella se divide entre a sensação do ridículo e a procura pela completude ao assistir performances artísticas que, por vezes, desafiam o bom senso. É da exposição do bizarro, como quando uma mulher se choca repetidamente contra uma parede, que brotam alguns dos principais questionamentos do jornalista.

A crítica descarada e a ironia ácida dão o tempero certo ao serem misturadas com o retrato de uma sociedade burguesa, que passa suas noites em coberturas luxuosas, acompanhada de garrafas de vinho e conversas pretensiosas sobre arte e filosofia. Seja durante uma rave particular regada a drogas e promiscuidade ou durante os devaneios diários de um homem frustrado, o filme nos faz refletir sobre o universo regido pelas aparências em que vive a aristocracia italiana.


Cena do filme "A Grande Beleza"(foto: Divulgação)

Sorrentino nos guia por Roma antagonicamente ao romantismo aperfeiçoado por cineastas como Woody Allen. Se Allen nos diz “Para Roma, Com Amor”, Sorrentino ironiza a capital italiana ao declarar que são somente dois os fatores que inserem a cidade no mapa mundial: pizza e moda. Aliás, o filme é um pout porri de influências, com menções claras a cineastas como Frederico Fellini, um dos pais do neorrealismo italiano, consagrado por mesclar cinema e crítica social. Aqui – como em alguns dos maiores filmes do diretor – vemos o roteiro ocupar o lugar de coadjuvante, abrindo espaço para a exploração da fotografia e trilha sonora, que se entrelaçam na construção de um filme muito mais visual do que significativo.

Outro fator para deliciar quem assiste é a atuação de Toni Servillo. Impecável. Sem mais. Servillo cria uma caricatura perfeita, um daqueles personagens que serão usados como convenção, parâmetro, medida. É dos diálogos e monólogos de Gambardella que o filme se constrói. Seja em conversa com uma futura santa, ou na declaração sincera que faz a uma colega abastada, Servillo traz um Jep que oscila naturalmente entre o deboche e a sobriedade.

“A Grande Beleza” pode ser visto como uma ode ao exagero pós-moderno, ou uma homenagem honesta ao cinema em si. De qualquer modo, é um daqueles filmes que se deve ver. Um mergulho em um mundo paralelo, onde freiras recebem injeções de botox, crianças mimadas são artistas e velórios são eventos sociais. Ao lado de Gambardella, nos tornamos espectadores curiosos, como crianças em frente a jaulas de um zoológico. Não sabemos se se trata de antropologia, sociologia ou quiçá um BBB high-society. Não importa.

Assista no player abaixo o trailer do filme:




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