'Azul É a Cor Mais Quente' traz polêmica e romance

Cenas do filme (Divulgação)

o Ano de Lançamento: 2013
o País: França
o Língua: Francês
o Título Original: La Vie d’Adèle
o Diretor: Abdellatif Kechiche

Em uma sociedade pós-moderna, onde o casamento homossexual é legalizado em cada vez mais países, e tabus são derrubados diariamente, surge “Azul É a Cor Mais Quente”. O filme francês, baseado na HQ de mesmo nome da autora Julie Maroh, ganhou a maior honra do cinema europeu, a Palma de Ouro em Cannes. E, pela primeira vez, o prêmio foi entregue não só ao diretor, mas, às duas atrizes que protagonizam a trama.

O início do filme situa o espectador na vida de Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma jovem estudante de Literatura que vive no conforto da rotina. Ao despertar o interesse de um garoto da faculdade, ela é levada ao início de um romance que, de acordo com as fúteis colegas de classe, tem tudo pra dar certo: um garoto atraente, popular e aprovado pelo grupo. Novamente presa no conforto do estável, Adèle tenta seguir adiante com a relação, mas, é atormentada pelo desejo que sente após cruzar com uma misteriosa garota de cabelos azuis.

Ao se dar conta de que está em uma relação não satisfatória, a estudante termina o relacionamento e começa a se questionar. Ainda tocada pelo encontro com a menina dos cabelos coloridos, ela se encaminha, timidamente, a um bar gay. Lá, tem a chance de colocar um nome no rosto da desconhecida: Emma (Léa Seydoux), uma descontraída estudante de Belas Artes. Apesar do contraste entre a jovem e incerta Adèle e a madura e confiante Emma, a sincronia é evidente e engatilha o relacionamento que rege as três horas de filme.

Com a câmera em primeiro plano na maior parte do filme, Kechiche aproxima o espectador da protagonista e voyeuriza pequenas ações, como o modo como Adèle mastiga, passa as mãos pelo rosto e ajeita os cabelos desgrenhados. A câmera, aliás, é a melhor amiga da plateia durante o processo de descoberta da jovem. Através dos close-ups, vê-se o rosto de Adèle avermelhar-se após o primeiro beijo em outra mulher, os olhos curiosos após ver Emma pela primeira vez, e o ranger dos dentes ao sofrer com o preconceito dos colegas de classe. 

Cenas do filme (Divulgação)

Quando o espectador se vê preso na tenra narrativa da descoberta do romance entre as duas, é surpreendido pela longa cena de sexo lésbico responsável pela maior polêmica do filme. Nua, crua, explícita, ela aborda – em seus quase dez minutos de duração – uma temática nunca antes discutida tão abertamente no cinema. O comentário, feito por uma senhora durante a sessão que eu acompanhei, é o sinal claro de que Kechiche atingiu o que pretendia: “Ah, então é assim que elas fazem!”.

A fotografia, nas mãos de Sofian El Fani, insere tons de azul durante todo o filme. A cor, associada ao intelectual, calculado e frio, torna-se alegoria do desejo entre as duas. O azul acompanha a relação em todos os seus estágios, seja nas unhas da colega de classe de Adèle ou na evolução da protagonista, que – ao longo da trama - troca os jeans, de estudante de Literatura, por vestidos de tom cerúleo que a acompanham numa fase mais madura, onde atinge seu objetivo e torna-se professora.
Nos ombros da musa de Kechiche e homônima da protagonista, Adèle Exachorpoulos, está grande parte do peso pelo sucesso do filme. A atuação da francesa é visceral. Vê-se em seu rosto, sempre seguido pela proximidade da câmera e desprovido de qualquer retoque artificial, o retrato sincero da insegurança e das dúvidas que cercam a heroína.


“Azul É a Cor Mais Quente” é uma história de amor acima de qualquer rótulo, que me perdoem o clichê. É a jornada de descoberta de uma menina, que se vê adulta ao crescer ao lado de outra mulher, daquela que chamou sua atenção em um encontro aleatório no meio de uma praça francesa. Kechiche traça o retrato de uma protagonista sem a rotular, o que é, no final, seu grande mérito. Ao nos despedirmos de Adèle, ao vê-la caminhar pela rua com seu vestido azul, somos tão incertos de seu desfecho quanto de sua sexualidade. 

Assista no player abaixo o trailer do filme:



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