'A Vida Secreta de Walter Mitty' toca ao heroicizar o homem comum

Cena de "A Vida Secreta de Walter Mitty" (Foto: Divulgação)

Ano de Lançamento: 2013
País: Estados Unidos
Língua: Inglês
Título Original: “The Secret Life of Walter Mitty”
Diretor: Ben Stiller

Com os pés balançando debaixo da mesa de compensado do escritório, a cabeça viaja até o cenário da viagem que você gostaria de ter tido coragem de fazer aos dezoito anos, antes de entrar na faculdade de Economia que lhe rendeu o diploma do qual seu pai tanto se orgulha de contar aos parceiros do carteado dominical. Machu Picchu, Amsterdã ou até mesmo aquele fim de semana em que você disse não aos amigos que te chamaram para acampar em Teresópolis. É da imaginação fértil de um trabalhador preso no conforto da rotina que surge “A Vida Secreta de Walter Mitty”, remake de “O Homem de 8 Vidas”, de 1947, e quinta aventura de Ben Stiller como diretor.

Apaixonada por trailers confessa que sou, me vi contando os dias pra estreia da trama após me deliciar com o trailer impecável, embalado ao som da banda islandesa Of Monsters and Men. Sem dúvida um dos melhores do ano. Um convite tentador ao mundo fantástico criado por Walter Mitty (Ben Stiller), gerente da seção de negativos da revista Life.

(Foto: Divulgação)

Antes regido pela mesmice do dia-a-dia, Mitty mergulha em uma sequência de novidades que o fazem repensar sua postura conformada. A paixão fresca pela nova colega de trabalho, Cheryl Melhoff (Kristen Wiig), a surpresa de saber que a revista em que trabalha foi comprada por um grupo que pretende transferi-la integralmente para o digital, e o desaparecimento do negativo da fotografia que deveria estampar a capa da última versão impressa da Life, tirada por Sean O’Connell (Sean Penn), um exótico fotógrafo e parceiro antigo do periódico.

Pressionado pelo novo – e perverso – chefe, Ted Hendricks (Adam Scott), Mitty parte em busca de O’Connell, a fim de recuperar o negativo perdido. Apesar de não saber ao certo o paradeiro do fotógrafo, o gerente se arrisca e embarca no primeiro avião até o destino mais recente de O’Connell. É então que mergulhamos na impressionante jornada do protagonista, que entra em helicópteros em movimento, luta contra tubarões e foge de uma erupção vulcânica em um 4x4.

(Foto: Divulgação)

Um dos pontos mais interessantes do filme é combo fotografia + trilha sonora. A peculiar viagem de descoberta pessoal é paralela à viagens para cenários como Groenlândia e Himalaia, de paisagens estonteantes coordenadas pelo competente diretor de fotografia, Stuart Dryburgh. A trilha sonora, nas mãos de Theodore Shapiro, mescla o pop de David Bowie e o indie do Arcade Fire, uma combinação certeira.

Os tropeços de Stiller na direção, com escolhas duvidosas como as frases estampadas em montanhas e campos abertos, não são difíceis de ignorar se pensarmos em seus acertos. Sua pitada de humor característica é equilibrada com os momentos sutis do protagonista, como a relação com a mãe, Edna, interpretada pela ótima Shirley MacLaine. Outra gostosa surpresa é a participação pequena, mas exata, de Sean Penn, que dá o contraste de Walter na pele do ousado Sean O’Connell.

Apesar do enredo condenado pela obviedade, “A Vida Secreta de Walter Mitty”incita o espectador a se lembrar do motivo pelo qual vai ao cinema. O personagem construído por Stiller é uma espécie de coringa, com quem todo mundo pode se identificar. Durante cada etapa de sua peregrinação pessoal, nos vemos torcendo por ele, como torcemos por nós mesmos antes de entrarmos nas nossas respectivas faculdades de Economia.

Assista no player abaixo ao trailer de "A Vida Secreta de Walter Mitty":



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