‘O Rei Leão - O Musical’ transforma o palco em obra de arte

Por Rodrigo Vianna

"O Rei Leão - O Musical" impressiona pela produção (Foto: Reprodução/Internet)

Épico, moderno e emocionante. Assim é o espetáculo “O Rei Leão – O Musical”, que está em cartaz no Teatro Reanault, em São Paulo, desde o dia 28 de março. Como fã de musicais, especialmente do universo de Simba e seus amigos, a expectativa para conferir de perto a versão brasileira de um dos maiores clássicos era tanta, que foi difícil segurar a ansiedade. Com ingressos esgotados em todas as sessões, foi praticamente impossível conseguir um lugar na plateia. Mas conseguimos. E posso dizer: “O Rei Leão – O Musical” é uma grande obra de arte.

E para falar de um “marco”, o Contracenarte preparou um especial sobre o musical para esse feriadão. A partir desta sexta-feira (15), dia da Proclamação da República, vamos trazer todas as informações, elenco, novidades e curiosidades sobre o musical que tem atraído uma multidão ao teatro. Sucesso de crítica, “O Rei Leão – O Musical” segue os mesmos da montagem da Broadway, a qual eu pude conferir em 2009. Apesar da diferença do tamanho do palco, a qualidade e a perfeição são as mesmas.

(Foto: Reprodução/Internet)

Nove a cada dez pessoas devem conhecer a história de Simba, um leãozinho alegre, aventureiro e simpático que, um dia, perde o seu pai graças a um plano de seu ambicioso tio Scar. Simba foge pelo mundo e conhece a dupla Timão e Pumba, e partir dali precisa enfrentar seus próprios traumas e reivindicar seu lugar como legítimo rei da Pedra dos Leões (no filme, é Pedra do Rei). O musical permanece fiel à história do longa da Disney e a trajetória de Simba ainda é triste, tocante e emocionante.

As músicas 
Visto por quase 65 milhões de espectadores e ganhador de 70 prêmios, “O Rei Leão – O Musical”, conta com canções de Elton John e Tim Rice e a música de Lebo M. e Hans Zimmer. Na versão nacional, as músicas ganharam versões de Gilberto Gil. Surge aí, talvez, um dos poucos problemas na adaptação brasileira. Confesso que estranhei a letra e acredito que tenha acontecido o mesmo com todos aqueles que cresceram ouvindo “Ciclo sem Fim”, na abertura épica, e de repente se deparar com “Ciclo da Vida”, ou "Nesta Noite o Amor Chegou" virar "Você sente o Amor Aqui?".

(Foto: Reprodução/Internet)

Não tiramos aqui o mérito de Gilberto Gil, que é inquestionável. Mas a partir do momento que você leva ao palco uma das maiores histórias da Disney, há de se pensar no impacto que as suas musicas podem causar na plateia. Há também algumas canções extras, que funcionaram bem, e não causaram a mesma sensação das mais famosas. O destaque fica por conta da emocionante “Estão em Ti", cantada pelo ator César Mello (Mufasa) e depois, numa reprise, por Tiago Barbosa (Simba).

Quem também roubou a cena foi a talentosa atriz sul-africana Phindile Mkhize, que brilha no papel de Rafiki. A sua escolha talvez seja o grande acerto da direção, já que o personagem simboliza o espírito da África. Ao abrir as cortinas, o que se ouve é o famoso grito de despertar da canção “Ciclo da Vida”, e Phindile surge com seu forte sotaque, misturando português com africano, trazendo realismo à cena. Mas Phindile não é a única africana no elenco, outros atores-cantores foram convidados para reforçar o time. O resultado é uma gostosa aquarela colorida e viva.

(Foto: Reprodução/Internet)
O Rei
Com voz imponente e atuação marcante, o ator carioca Tiago Barbosa é o responsável por da vida ao Simba já adulto. Apesar de aparecer na segunda metade do espetáculo (a primeira fica por conta do ator mirim Matheus Braga, que dá show de interpretação), Tiago deixa a sua marca, e emociona, apesar de alguns momentos (poucos), ele parecer inexpressivo. Tal talento tem sua comprovação. Ator do grupo “Nós do Morro”, Tiago participou do programa “Ídolos” no fim do ano passado e ficou entre os oito finalistas.

Impecável. Não há outra palavra para descrever a produção de “O Rei Leão – O Musical”. O cenário é simplesmente incrível. A iluminação ajuda dar o clima da savana e transporta o público para a África. E isso é possível logo no início, com o nascer do sol, e os animais, todos manipulados pelos atores, surgem no palco e no meio da platei. Então, não se espante se vir um elefante andar ao seu lado, ou se um pássaro passar voando sobre sua casa. Um espetáculo tão real, que é impossível não se emocionar.

(Foto: Reprodução/Internet)

Outra cena de destaque é, sem dúvida, a debandada da manada de guinus que mata Mufasa: perfeita. A produção manteve a mesma ideia da montagem da Broadway, e conseguiu dar o efeito proposto. Afinal, simular uma manada inteira descendo um desfiladeiro em um palco reto e plano não é uma tarefa fácil, mas dessa vez, eu não vou contar como eles resolveram isso. Vale a pena conferir com os próprios olhos. Acreditem: a sensação é indescritível.

Excepcional e singular
O “Rei Leão” é um musical excepcional, singular e, como todo espetáculo, tem seus erros. Em suma, é uma montagem única e repleta de valores familiares, demonstrando o envolvimento de cada um de nós com as nossas raízes. O musical faz o espectador repensar o peso de cada uma de nossas ações e o efeito que elas têm sobre o nosso ambiente, assim como a importância de sentir que pertencemos a um grupo e como isso molda o nosso destino. É também um hino de respeito e amor pela natureza.

(Foto: Reprodução/Internet)

Após 15 anos, o musical “O Rei Leão” permanece em ascendência, continuando a reinar como um fenômeno cultural e um dos espetáculos mais populares do mundo. Desde a sua estreia na Broadway, em 13 de novembro de 1997, já foram realizadas 19 produções em todo o mundo, com público superior a 65 milhões de pessoas. Não bastassem os números que fazem de “O Rei Leão”, um dos maiores musicais de todos os tempos, a montagem original acaba de receber o título de maior bilheteria da história da Broadway, com arrecadação de US$ 853,8 milhões desde sua primeira apresentação.
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