Lana Del Rey interrompe show, sensualiza e se joga no Rio


Por Rodrigo Vianna

Lana Del Rey se apresenta para 7 mil fãs no Rio (Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Era para ser mais uma tarde de sol comum, típica da primavera, no Rio de Janeiro. Mas não foi. Pela primeira vez no Brasil, a cantora norte-americana Lana Del Rey apresentou a sua mais recente turnê “Paradise Tour”, neste domingo (10), no Citibank Hall, na Barra da Tijuca. Desde cedo, fãs de todas as idades – entre eles muitos adolescentes – fizeram fila do lado de fora da casa de espetáculo à espera da diva indie. Lana retribuiu à altura, com direito a passeio pelo gargarejo e pausa para um cigarro.

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Com um repertório bastante peculiar e um clima denso, seria difícil imaginar que ali estariam fãs tão jovens, mas acreditem, por alguns segundos eu pensei que tivesse voltado no tempo, e retornado ao show do ídolo teen Justin Bieber. Até mesmo as coroas de flores, usadas no show do rapper, estavam presentes na apresentação da Lana. Segundo os fãs, uma homenagem à cantora, que costuma subir ao palco usando uma arranjo de flores nas madeixas.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Voz sedutora
Considerada a maior revelação da música mundial em 2012 e dona de uma voz sedutora, Lana Del Rey arrebatou o mundo com a sofisticação do seu estilo vintage. Sua formação musical de influência diversa, como Nirvana, The Beach Boys, Daniel Johnston e Bruce Springsteen, tem fundamental pilar na poesia de Allen Ginsberg. Não demorou muito para a americana dos arredores tranquilos e rústicos de Lake Placid, estado de Nova York, conquistar uma legião de fãs pelo mundo.

O encontro inicial da cantora e compositora com seus fãs aconteceu por meio de seu vídeo caseiro para "Video Games”, que rendeu mais de 75 milhões de visualizações. Em 30 de janeiro de 2012, Lana Del Rey lançou “Born To Die” (Interscope / Polydor / Universal Music). O álbum estreou em nº 2 na parada Billboard 200, em nº 1 no iTunes em 18 países, e vendeu mais de 2,5 milhões de cópias e 4,5 milhões de singles em todo o mundo até hoje.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Além de seu faro visual, a qualidade cinematográfica de "Born To Die” também se deve à afinidade de Del Rey com os arranjos clássicos. Sua capacidade de fundir baladas com o hip-hop impregna a música com um sentido de drama que parece familiar ainda que novo. "Born To Die” é repleto de contrastes como guitarras orgânicas e cordas desfalecidas, samples sujos e beats de hip-hop suculentos. Em novembro, ela relançou o álbum com canções inéditas, sob o título “Born To Die – Paradise Edition”.

As mil faces de Lana
Em uma hora e meia de show, Lana apresenta todas as suas facetas. Ela canta, chora, se emociona, passa mal e mostra a potência da sua voz singular, para a alegrias dos 7 mil fãs presentes, de acordo com os organizadores. Sim, é um show paradão para quem está acostumado com o pop. Mas Lana não é pop, aliás, me recuso a rotular. Lana é Lana. Tem estilo próprio, e apesar das polêmicas envolvendo álcool, ela cumpriu o seu papel e nos ofereceu um espetáculo “fofo”, mas lento. Impecável, mas previsível.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Os fãs adolescentes também fizeram o seu papel e transformaram um show sem muita expressão em histérico, elevando a diva idealizada, a it girl do pop, a um novo patamar. Não falo isso como um ponto negativo, mas pelo contrário, tendo em vista que muitos ali mal conheciam suas letras. E foi assim durante toda a apresentação. Cada vez que Lana se agachava e sensualizava no palco, os fãs respondiam com gritos tão altos que às vezes era praticamente impossível de ouvir as músicas.

Paraíso

Já passavam das 21h quando Lana Del Rey subiu ao palco, com uma camisa branca e saia azul, em meio a um cenário tropical, com palmeiras e um telão ao fundo. Para delírio dos fãs, ela abriu a noite com “Cola”. Lana parecia se sentir muito confortável em seu show na Cidade Maravilhosa. Logo no início do show, a cantora retirou os sapatos e em alguns momentos descia do palco para distribuir selinhos, autógrafos e tirar fotos com fãs que estavam na grade.

Foi assim durante “Body Electric”, quando Lana não hesitou em descer do palco e cair nos braços dos fãs privilegiados que estavam no aperto da grade. Para alguns poderia parecer um momento “estrela”, mas para outros era apenas um contato mais próximo entre o fã e o seu ídolo. Esforço recompensado. A diva permaneceu o tempo todo ali, beijando, posando e distribuindo autógrafos. Na volta, mostrava-se sempre emocionada e dizia: “Vocês são os melhores fãs do mundo. Eu estou muito feliz de estar aqui.”

Lana surpreende ao interromper show
Quando tudo parecia correr de acordo com o programado, eis que a cantora decide interromper o show durante a apresentação de “Dark Paradise”. Bem no meio da canção, ela pede para a banda parar tocar e diz que precisa ir ao camarim, e sai. Deixando um vazio no palco e todos os fãs surpresos. Até mesmo a banda parecia não acreditar. Depois de alguns minutos, Lana retorna ao palco e diz que deixou os cigarros no backstage. Mas muitos não engoliram a justificativa.

O repertório respeitou a ordem dos shows de Belo Horizonte e do Planeta Terra, em São Paulo. Com uma setlist de 14 músicas, a cantora deixou muitas canções de fora, mas não abriu mão de cantar os hits “Video Games”, “Summetime Sadness” e “Blue Jeans”. Os sucessos “Born to Die”, “Young and Beautiful” e “Dark Paradise” também estavam lá e levantaram o público. Mesmo sem mostrar expressão, Lana canta afinado e se mostra carinhosa. No fim, a certeza de dever cumprido.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)
Confira o setlist do show:

“Cola”
“Body Electric”
“Born to Die”
“Blue Jeans”
“Carmen”
“Young and Beautiful”
“Off to the Races”
“Dark Paradise”
“Without You”
“Knockin’ On Heaven’s Door”
“Ride”
“Summertime Sadness”
“Video Games”
“National Anthem”
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