Back2Black reúne grandes nomes da cultura negra no Rio

Por Marie Linhares


Criolo no Palco Rio (Foto: Divulgação)

Com grandes figuras da cultura negra, o festival Back2Black nasceu de uma necessidade de manter vivas as pontes do Brasil com o continente africano. Não podemos contestar a forte matriz africana presente na cultura brasileira já que a influência negra está presente em quase todas as manifestações culturais do nosso país. Observando que este aspecto da nossa cultura vinha sendo negligenciado nesses últimos anos, o festival foi criado e se tornou uma referência, uma grande festa para a cultura negra.

"A cada ano, durante três dias, reunimos pensadores e líderes de todas as nacionalidades para debater questões de relevância internacional, e promovemos espetáculos de música, dança e artes visuais ligados ao mundo negro. Por meio de encontros entre artistas de diferentes países, buscamos incentivar o intercâmbio entre as culturas e celebrar a vida e a liberdade, a verdadeira união dos povos. Ao longo das quatro edições anteriores no Brasil e em uma edição especial em Londres, juntamos músicos e criadores africanos e afro-descendentes nos mesmos palcos, em projetos que se vêem desdobrando noutros, muito para além das luzes da ribalta", diz a homepage do festival.

Milton Nascimento em show na Grande Sala (Foto: Divulgação)

Este ano, o festival está sendo realizado na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, complexo de dimensões astronômicas utilizado pela organização do festival de maneira bem ampla. Haviam eventos ocorrendo nos palcos montados dentro do complexo, no Teatro de Câmara e também na Grande Sala, inaugurada em grande estilo pelo cantor Milton Nascimento, comemorando seus 50 anos de carreira.

Rap a la francesa
O rapper congolês Baloji transformou o Rio de Janeiro em sua cidade natal. Com seu rap cantado na língua francesa, encantou a todo e surpreendeu com seu groove. Contou com a participação do rapper carioca MC Marechal, que trouxe a sagacidade de suas rimas politizadas mostrando a luta ainda persistente do movimento negro contra o preconceito.

Baloji ouvindo a galera (Foto: Divulgação)

No Palco Rio, Keziah Jones e seu power trio fizeram um show surpreendente, combinando funk e rock numa sintonia única. O nigeriano contou com novos lançamentos em seu repertório e seus músicos mostraram um virtuosismo sem igual, com dedilhadas e solos de guitarra. Jones cantou sucessos conhecidos como "Rythm Is Love".

Criolo conta com participação do mestre Tony Allen
Criolo era um dos shows mais aguardados da noite. Rapper natural de São Paulo, se tornou uma figura militante expressiva dentro da cultura negra. Cantando o já conhecido repertório de seu EP "Nó Na Orelha" e algumas faixas novas de seu EP mais recente "Duas de Cinco", ele contou com a participação do mestre da bateria Tony Allen, que chegou no fim dando um show à parte nas percussões de algumas músicas de Criolo.
(Keziah Jones interagindo com o público - Foto: Divulgação)

Por fim, o tão aguardado Femi Kuti subiu ao palco com sua banda The Positive Force e suas dançarinas. Mostrou como multi instrumentalista, seu domínio grande com os instrumentos de sopro e a sua herança familiar de muita alegria, groove, funk, solos de saxofone e alto astral. Femi já tornou-se uma lenda como seu pai Fela, dando continuidade de forma brilhante ao seu legado.

Nova dramaturgia
No Teatro de Câmara houve uma mesa redonda que discutiu a nova dramaturgia afro-brasileira, com Zezé Motta, Guti Fraga e Márcio Meirelles, colocando em evidência o papel dos dramaturgos afro-descendentes no passado, no presente e no futuro, tendo Paulo Lins como mediador. Logo em seguida, houve a exibição do documentário "Hereros Angola", documentário do fotógrafo Sérgio Guerra, sobre a tradição do povo de mesmo nome, olhando mais de perto como a mesma é passada de geração em geração.

(Femi Kuti no último show da noite - Foto: Divulgação)

Por fim, no palco Estrombo apresentaram-se novos artistas da música afro-brasileira, revelando figuras como Thiago Elniño, Marcio Local e Renata Jambeiro, que trouxeram seu frescor ao festival.
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