'Para sempre ABBA' aposta em hits em diverte com ousadia

Por Rodrigo Vianna


Assista no player acima a uma das cenas de "Para sempre ABBA"

Leve, ousado e divertido. Assim é o musical “Para sempre ABBA”, que a cada semana vem lotando o Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Numa época em que o  Rio de Janeiro está carente de grandes musicais, o diretor Tadeu Aguiar, conhecido por sucessos como “Quase Normal” e “O Dia em que Raptaram o Papa”, leva aos palcos a discografia do grupo sueco, sucesso entre os anos 70 e 80, de forma simples, mas funcional. O resultado: um espetáculo empolgante, recheado de hits que marcaram época e canções originais.

Há três meses em cartaz, “Para Sempre ABBA” se passa em um hotel e conta a história de seis hóspedes e quatro funcionários, embalada por mais de 40 sucessos do grupo sueco. Em meio a encontros e desencontros, o público tem a liberdade de criar a situação de cada personagem ao som de hits como “Dancing Queen”, “The winner takes it all”, “Voulez-vouz”, “Gimme! Gimme! Gimme!”, “I have a dream” e muitas outras. A orquestra, formada por seis músicos, é, sem dúvida, o destaque deste musical. As canções ganham uma nova roupagem, sem perder a sua essência.

(Foto: Divulgação)

O ABBA dominou as principais paradas de sucesso no mundo, entre a segunda metade da década 70 e o início dos anos 80, sendo muito conhecido por seu visual moderno e divertido. Foi o grupo pop que mais discos vendeu em 1970 e, mesmo estando inativo desde 1983, vende mais de 3 milhões de discos por ano. Pela primeira vez, o educador e empresário Carlos Alberto Serpa, diretor da Casa de Cultura Julieta de Serpa, firma uma parceria teatral com Rodrigo Cirne para produzir este projeto inovador e sofisticado. De acordo com Rodrigo, que também atua no musical, foram necessários um  mês e três semanas de ensaio para dar vida ao musical.

“Foi um processo rápido, mas a gente já sabia boa parte do que queria. Dei três semanas para o Jules Vandystadt, que é o nosso diretor musical e arranjador vocal, para só fazer músicas. A gente preferiu começar pela parte musical, e as cenas em cima do que tivesse encaminhando. Quando as músicas estão prontas, e o clima está pronto, a história vem. O que difere esse musical dos outros é que a gente não tem dramaturgia falada. A gente conta a nossa história através das músicas do ABBA. Todas as músicas são excelentes, e todas contam uma história”, disse Rodrigo.


(Foto: Divulgação)

“Para sempre ABBA” surge no cenário cultural brasileiro dois anos após a temporada de “Mamma Mia!”, musical de sucesso na Broadway baseado, também, nas canções do grupo sueco. Porém, as semelhanças param por ai. Se em “Mamma Mia!” as músicas do ABBA ajudam a contar uma história pré-moldada, com texto, núcleos diferentes e recheado de coreografia, “Para sempre ABBA” foge dessa receita, e inova ao trazer aos palcos a mesma fórmula usada em “Beatles num céu de Diamantes”, da dupla Charles Moeller e Cláudio Botelho. Porém, pop.

Elenco afinado
O elenco é formado por Sabrina Korgut (também no ar como a “Adenóide”, de “Pé na cova”, da TV Globo), Rodrigo Cirne (“Um Violinista no Telhado” e “Beatles num céu de diamantes”); Raul Veiga (“7 - O musical” e “Beatles num céu de diamantes”), Olavo Cavalheiro (“Quase Normal” e “Baby - O musical”), Giulia Nadruz (“Shrek” e “Gipsy”) e Analu Pimenta (“Shrek” e “Beatles num céu de diamantes”), além de quatro bailarinos-cantores (Sara Marques, Pedro Arrais, Larissa Landin e Junior Zagotto). O destaque fica para Rodrigo Cirne e Analu Pimenta. Esta última pelos graves e interpretação que passeia pelo cômico e dramático sem muito esforço.


(Foto: Divulgação)

“O espetáculo possui um número de abertura, que apresenta os personagens, depois entra nesse grande bloco que é o flerte, paixão, decepção, o relacionamento do início ao fim, e no final, a gente fala do recomeço. A gente tenta usar bastante as letras dessas músicas, e trazer essa teatralidade para o palco. Para gente existe uma história, porque todos somos atores e então criamos os nossos personagens em cima das músicas, mas é uma história sugerida, então fica aberto ao público, que por mais que não entenda a letra, acaba entendendo o que está se passando ali”, completou Rodrigo.

Para o público fiel do ABBA, não saber inglês não é um problema. Afinal, cada canção tem sua mensagem, e ela é bravamente repassada pelos atores. Rodrigo Cirne consegue passar, ao mesmo tempo, a rebeldia e o amor sintetizado nas letras do grupo sueco. O que se vê é uma plateia empolgada não só pelas músicas, mas também pela situação proposta no palco. Um dos pontos altos do espetáculo é quando o grupo apresenta a canção “People Need Love”, mostrando que além de afinado, também está em sintonia, ao usar sinos como instrumentos musicais. A proeza deu certo e fez o público aplaudir de pé após a apresentação.


(Foto: Divulgação)

O espetáculo
Apesar de ser caracterizado como musical, eu classificaria “Para sempre ABBA” apenas como “espetáculo”. Banda afinada, elenco forte e talentoso e direção impecável, fazem deste show um verdadeiro concerto em clima de nostalgia. Os figurinos assinados por Beth Serpa traduzem ao mesmo tempo a época em que se passa o musical, nos anos 70, sob uma forte influência da alta costura, inspirados nos universos de Pierre Cardin e Andre Courrègge, e o pop tradicional do ABBA, com cores fortes e design ousado. Está tudo ali, de forma sutil e clara.

Porém, o cenário de José Dias, apesar de claro e de fácil entendimento, é um dos pontos fracos do espetáculo. O ambiente do saguão do hotel é resumido a uma mesa e uma poltrona, com um tecido transparente ao fundo, usado muitas vezes como tela de projeção. Porém, Rodrigo Cirne explica que o cenário ganhará uma nova roupagem a partir da próxima semana. Ele explicou que a escolha por elementos simples foi devido a outra peça que também estava em cartaz no mesmo teatro, agora, no horário nobre, “Para sempre ABBA” terá cara nova até dezembro, quando termina sua temporada.


(Foto: Divulgação)

Grande festa
“Para sempre ABBA” agrada fãs e não fãs do grupo sueco. Aposta no drama das relações amorosas, mas sem perder o humor pop e o astral característicos da banda. Confesso que me surpreendi pelo o que vi, não pelas músicas, mas pela proposta. Trazer as canções do ABBA para o teatro, após o sucesso de Mamma Mia!, sem cair no marasmo, é um desafio e tanto. E Rodrigo Cirne e Tadeu Aguiar conseguem esse feito com êxito. No fim, o teatro se transforma numa grande discoteca ao som de “Dancing Queen”, com gostinho de “quero mais”.

“O 'ABBA' (Para sempre ABBA) é uma grande festa. Sempre houve essa preocupação com os atores. A gente está cantando ABBA, a gente tem que deixar o público feliz. O espetáculo é uma grande festa, uma celebração, uma homenagem a eles (ABBA) mesmo. A gente quer se divertir em cena, e passamos essa mensagem para a plateia, de diversão e alegria, de despretensão. Não é uma grande produção, mas é algo bacana, O espetáculo foi feito para o público fã e não fã do grupo”, concluiu Rodrigo.


(Foto: Divulgação)
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