Beto Sargentelli assume papel de Burro no musical 'Shrek'

Beto Sargentelli é o Burro em "Shrek" (Foto: Arquivo Pessoal)

Após o sucesso em “A Família Addams – O Musical”, o ator Beto Sargentelli tem mais um motivo para comemorar. A partir desta sexta-feira (1º) ele assume definitivamente o papel do Burro em “Shrek – O Musical”, que está em cartaz no Teatro Bradesco, em São Paulo. O ator vai ocupar a vaga deixada pelo ator e humorista Rodrigo Sant'anna, que se despediu da personagem na última semana de outubro, para se dedicar às gravações de seu novo filme, "O Casamento de Gorete".

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Jovem experiente, Beto Sargentelli já participou, além de “A Família Addams”, de espetáculos como “Mamma Mia!”, “Into The Woods” e “Meu Amigo Charlie Brown”, no papel de Snoop. Em “A Família Addams” ele se destacou como Lucas Beineke, noivo de Wandinha. Beto, que já dava vida ao Burro quando Rodrigo Sant'anna não podia se apresentar, vem ganhando críticas positivas sobre sua interpretação e potência vocal.


Diego Luri e Giulia Nadruz como Shrek e Fiona (Foto: Divulgação)

Depois do sucesso no Rio de Janeiro, “Shrek – O Musical” chega a São Paulo com elenco renovado. Desde setembro, o ogro mais famoso do mundo tem atraído pais e filhos ao Teatro Bradesco. O papel principal continua sob responsabilidade do ator Diego Luri, que mantém a linha cômica e a receita que o destacaram no cenário cultural carioca. 

Baseada no original da DreamWorks Theatricals, a versão brasileira de “Shrek – O Musical” tem direção de Diego Ramiro e direção musical de Marcelo Castro. O renomado Cláudio Botelho assina as versões das músicas para o português. O texto assinado por Cristina Berio foi criativamente adaptado para o Brasil. Se os efeitos da série Shrek impressionaram o público no cinema, a adaptação musical para os palcos brasileiros com certeza irá surpreender o público paulistano por sua grandiloquência.

(Foto: Divulgação)

Além do ator Beto Sargentelli, debutam em Shrek os atores Giulia Nadruz, que interpreta a princesa Fiona, e Felipe Tavolaro, como Lord Farquaad.  O Contracenarte acompanhou uma das sessões do musical no domingo (20), e pôde conferir de perto as mudanças. O talento de Rodrigo Sant’anna é inegável, mas confesso que gostei mais da interpretação de Beto Sargentelli para o Burro. Destaque em “A Família Addams”, Beto deu voz ao animal carismático e mostrou mais uma vez sua potência no canto.

Já a princesa Fiona de Giulia Nadruz mantém as mesmas características do filme, porém, em algumas cenas, como o solo onde ocorre a cena da “explosão do pássaro”, ela peca pelo caricato e foge um pouco do tom. Se isso compromete a sua interpretação? Não. Mas Giulia corre o mesmo risco dos novos atores em “Shrek”: não ser comparado com o elenco que defendeu os personagens na temporada carioca. Não que isso vá interferir em alguma coisa, afinal, o público paulista não acompanhou as apresentações do Rio.

Chegando ao teatro, o público já se transporta para dentro da história ao som ambiente que lembra um pântano. Como um verdadeiro conto de fadas, tudo começa com uma narração. No palco, surge um Shrek menino, que foi expulso de casa aos sete anos e passou a viver isolado num pântano na floresta do reino “Tão Tão Distante”. Sabe que é um ser assustador e se diverte com isso. Parece não ter nenhum tipo de sentimento, mas, no fundo, tem um coração do tamanho dele. É quando o pequeno Shrek tem o primeiro contato com a princesa Fiona.

(Foto: Divulgação)

O espetáculo
Tudo é mágico e pop. Numa boa sacada de tempo, surge o nosso personagem principal, já adulto, interpretado (e muito bem, por sinal) pelo ator Diego Luri. Shrek é um ogro, verde, grande e nojento. Sua primeira cena já mostra que os meninos de South Park e a dupla Beavis & Butthead influenciaram muito na hora de escrever o roteiro. O monstrão aparece coçando o bumbum, arrotando e soltando peido. Logo na sua primeira canção “Uma vida uó”, Diego mostra sua potência vocal e arranca aplausos calorosos.

Para ajudar a compor o ogro verde mais querido do mundo, a produção do espetáculo recorreu à artista plástica Ruiza Queiroz, que ficou responsável pelas próteses. O resultado é um efeito realista capaz de confundir o espectador. Outro ponto alto do espetáculo são os figurinos, cheio de detalhes e fiéis à saga. Tudo em “Shrek: O Musical” parece ter sido pensado a dedo. A tecnologia está presente em quase todo espetáculo. Está nas projeções que compõem o cenário, na iluminação, nos figurinos e na famosa cena de transformação de Fiona, no casamento.

Como no filme, o alvo principal são os personagens de contos de fada. A produção de “Shrek : O Musical” não deixou escapar ninguém. Estão lá Pinóquio, os três porquinhos, o Lobo Mau, Fada Madrinha, Elfa Sapateira, os três ursos e até o Patinho Feio. Preste muita atenção para não deixar passar ninguém em branco. Para quem gosta das velhas histórias de ninar, esta é uma das brincadeiras mais legais do espetáculo: listar as participações especiais.

Tudo começa quando Shrek, um ogro grande, feio, esverdeado e mal disposto, vê o seu pântano particular invadido por dezenas de personagens clássicas de histórias infantis. Os personagens de contos de fadas todos estão lá para o desespero do ogro, apaixonado pela solidão e tranquilidade. A culpa de todas aquelas personagens estarem ali é de Lord Farquaad, um governante baixinho e complexado que precisa de se casar com uma princesa para ser considerado rei. Marcel dá um show na pele do tirano.

Inovação
Disposto a casar-se, Farquaad pede a Shrek para iniciar uma cruzada de salvamento da bela princesa Fiona, que está presa na torre de um castelo que é guardado por um terrível dragão. Como recompensa, Shrek teria de volta a paz e a privacidade do seu pântano. Começa então a saga do ogro à procura da princesa encantada. Ao seu lado, está um fiel burro falante, que se cola ao ogro para se proteger.

“Shrek: O Musical” inova ao eleger como heróis da trama o ogro Shrek e seu amigo o burro falante. Transforma a princesa doce, frágil e amigável de outros tempos numa mulher moderna, atuante, boa de briga e chegada numa confusão (mas que continua bela). Faz com que o príncipe malvado seja baixinho, franzino e cabeçudo. E o pior de tudo, envolve o herói na trama não em função de causas nobres como salvar o reino, derrotar cavaleiros inimigos ou salvar a indefesa princesa, Shrek entra na trama para livrar as terras onde vive da invasão de outros personagens das histórias para crianças.

(Foto: Divulgação) 

O diretor Diego Ramiro foi feliz ao inserir no espetáculo elementos nacionais, como os versos do Hino Nacional e da tradicional vinheta de fim de ano da TV Globo. Em poucas palavras, “Shrek: O Musical” é imperdível. Bom texto, números musicais pop e originais e elenco de ponta garante a diversão e fazem deste um musical digno do ogro verde “Tão Tão querido” para os fãs de todas as idades.
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