'Porta dos Fundos' atrai multidão à Bienal e fala de seriado

Os onze integrantes do Porta dos Fundos (Foto: Fernanda Dias/Divulgação)

Fenômeno na internet, o “Porta dos Fundos” agora também está nas livrarias. Os onze humoristas que integram o grupo, liderados por Fábio Porchat, atraíram uma multidão à Bienal do Livro do Rio de Janeiro, neste domingo (1), no Riocentro. Inicialmente, a trupe conhecida por suas piadas e humor sarcástico na internet iria falar no #acampamento, mas a concentração de fãs – em sua maioria crianças e adolescentes – era tãop grande que o evento foi transferido para o maior auditório do centro de convenções, o Rachel de Queiroz, com 350 lugares, todos ocupados.

Confira aqui a programação completa da Bienal

Recém-chegado às livrarias, o livro ‘Porta dos Fundos’ (Ed. Sextante, 240 págs., R$ 49,90) reúne 37 roteiros dos principais esquetes do grupo e as histórias que levaram cada um a ser criado. A estratégia de explorar o "nonsense" das situações cotidianas é o ingrediente principal de uma receita que conquistou mais de 5 milhões de assinantes no YouTube e que agora divulga seu "modo de fazer" em versão impressa. Um esquete muito popular que está no livro é o ‘Sobre a Mesa’, elaborado após o roteirista Antônio Tabet testemunhar uma cena de grosseria entre um casal em um restaurante.

Júlia Rabello e Marcos Veras (Foto: Fernanda Dias/Divulgação)

Além de divertir o público com brincadeiras, o grupo de amigos também respondeu algumas perguntas. Fábio Porchat, que centralizou o bate-papo com a plateia, contou como o grupo de amigos que bolou o projeto fez sete meses de planejamento antes de lançarem o site. Disse que já são 34 os funcionários da empresa que cuida do projeto. E contou que começarão a lançar, além dos esquetes individuais, que já postam no canal deles no Youtube, segundas e quintas, alguns seriados, com episódios semanais.

Ainda em tom de brincadeira, um dos criadores do Porta dos Fundos, Antonio Tabet, o Kibe, revelou para a plateia da Bienal do Livro do Rio de onde vem as ideias do grupo de humor. "Quem nos diz tudo é um pônei colorido, que cruza um arco-íris encantado antes de nos fazer sugestões." Ao final, os 11 integrantes autografaram 700 exemplares do livro "Porta dos Fundos"  (editora Sextante), que já chegou às listas de mais vendidos.

(Foto: Feranda Dias/Divulgação)

Com o número recorde de 27 nomes internacionais compondo a programação oficial (foram 21 em 2011 e 18 em 2009), a 16ª edição da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que acontece a partir desta quinta-feira até o dia 8 de setembro, no Riocentro, receberá representantes dos mais diversos segmentos da literatura mundial, contemplando todos os públicos e reforçando a pluralidade que se tornou uma das marcas registradas do evento. Serão mais de 100 sessões de debates e bate-papos. Neste ano, a Bienal do Livro faz uma homenagem a Alemanha.

A Bienal promoverá nesta edição encontros com ficcionistas premiados, autores de obras que circulam entre as listas de mais vendidos, especialistas em arte, biógrafos, historiadores e roteiristas, entre outros grandes escritores que compõem o maior e mais variado time de escritores dos seus 30 anos de trajetória. Há três décadas aproximando o público do universo literário, a Bienal do Livro Rio chega à 16ª edição com uma programação cultural que tem a pluralidade como carro-chefe.


(Foto: Divulgação)

A lista é capitaneada pelo americano Nicholas Sparks, um dos autores mais lidos no mundo – são quase 100 milhões de exemplares de romances como Diário de uma paixão, Querido John e o recente À primeira vista (Arqueiro) impressos em 45 línguas e devorados por leitores de todas as idades. Outro fenômeno editorial que estará na Bienal é James C. Hunter (EUA), de O monge e o executivo (Sextante), que já vendeu três milhões de cópias apenas no Brasil.

Já a nova literatura erótica, febre mundial, chegará ao evento junto de um de seus maiores expoentes, a americana Sylvia Day (EUA), responsável pelo best-seller Toda sua, enquanto o sempre querido gênero conhecido como chic lit terá como representante a cultuada Emily Giffin (EUA), de romances como Presentes da vida e Ame o que é seu (Novo Conceito).

(Foto: Divulgação)

Sem fronteiras
A Bienal receberá também o moçambicano Mia Couto, recentemente laureado com o Prêmio Camões – a mais importante honraria relacionada à literatura em língua portuguesa – por conta de obras como Terra sonâmbula e O último voo do flamingo (Companhia das Letras). Já o argentino Cesar Aira, autor de mais de 70 livros – entre romances, contos e ensaios –, vem lançar a tradução para o português de um dos seus trabalhos mais influentes, Como me tornei freira (Rocco).

Nuno Camarneiro, por sua vez, é um dos grandes expoentes da literatura portuguesa contemporânea, autor de Debaixo de algum céu (Leya). Dentro da discussão da cultura de convergência destaca-se a presença de Corey May (EUA), roteirista dos jogos eletrônicos Assassin’s creed – um dos mais populares da atualidade, com 50 milhões de cópias comercializadas no mundo. O videogame inspirou a série de livros de mesmo nome, que, publicada pela Galera Record, já vendeu por aqui mais de 450 mil exemplares.

(Foto: Divulgação)

Esse novo modelo foi também responsável pelo êxito de O lado bom da vida (Intrínseca), do americano Matthew Quick, que teve os diretos para o cinema adquiridos antes mesmo de o livro ter uma editora nos Estados Unidos. Acabou se tornando um sucesso em ambas as mídias: o filme foi um dos mais aclamados de 2012, com oito indicações ao Oscar, enquanto o livro já vendeu mais de 250 mil exemplares apenas no Brasil. Quick, que lançará novo livro durante a Bienal, abordará essa experiência em seu encontro com os leitores.

Já a biografia, um dos mais tradicionais gêneros literários, estará presente na programação cultural por meio das participações das americanas Mary Gabriel, autora do imponente Amor e capital: A saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução (com indicações ao Pulitzer, ao National Book Award e ao National Book Critics Circle), publicado pela Zahar, e Cheryl Strayed, que teceu um comovente relato autobiográfico em Livre, sucesso de crítica e público nos Estado Unidos em 2012 – e agora também no Brasil, em edição da Objetiva.
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