Maria Rita emociona em homenagem à mãe Elis Regina no RJ

Por Emanuelle Valles

Maria Rita no palco do Citibank Hall (Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

De filha para mãe. A homenagem à Elis Regina feita pela filha Maria Rita encantou o público que lotou o Citibank Hall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, nos dias 25 e 26 de maio. O Contracen@rte cobriu o evento no primeiro dia e encontrou um público emocionado pela grande homenagem feita à maior cantora brasileira. O show faz parte da turnê "Redescobrir", nome dado em homenagem à canção gravada por Elis, e escrita por Gonzaguinha.

O show remete ao recomeço, ao redescobrir, revisitar e reconhecer toda uma trajetória marcada pela vivacidade, carisma e força, características marcantes desta grande intérprete. Inicialmente planejado para cinco apresentações dentro do projeto “Nivea Viva Elis”, o show “Redescobrir” tomou uma proporção tão grande - para os fãs e para Maria Rita - que se fez necessário seguir em turnê e depois registar esse espetáculo único e emocionante em CD, DVD e Bluray.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Com direção geral de Maria Rita e direção de vídeo de Hugo Prata, “Redescobrir” foi gravado dia 11 de agosto de 2012 no Credicard Hall, em São Paulo. O DVD, Blu-ray e CD duplo trazem as 29 músicas do repertório cantadas por ela e tocadas por sua excepcional banda: Tiago Costa (piano e teclado), Sylvinho Mazzucca (baixo acústico e elétrico), Davi Moraes (guitarra) e Cuca Teixeira (bateria). “Redescobrir” é uma obra repleta de significados.

E todos eles ganham mais força e sentido pelo fato de ser, antes de tudo, um grande show, um grande disco. Uma cantora na plenitude de sua forma, vivendo com emoção e entrega cada canção, em total sintonia com um belo time de músicos. E o fato de ser uma declaração de amor de filha pra mãe estabelece uma beleza particular, uma conexão com um mundo de sentimentos através da música. Definitivamente, “Redescobrir” emociona. E muito.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

O estado de espírito da Maria Rita se espalhou por todas as pessoas envolvidas no processo de produção, criando um clima mágico. Desde a seleção de repertório - inicialmente com 65 músicas -, até a iluminação, tudo foi feito com um nível de cumplicidade que eu nunca vi. Inspirados por ela, todos se dedicaram com alma. Assim, com quase 40 minutos de atraso, Maria Rita sobe ao palco e começa o show cantando "Imagem", "Arrastão" e "Como Nossos Pais". Ao ter sua primeira conversa com o público, ela agradece a presença de todos, o convite a redescobrir sua mãe.

"Como explicar em palavras toda noite em cima do palco e perceber a forte presença que minha mãe ainda tem na vida de cada um de vocês que vem ao show, seja por curiosidade, seja por saudade, seja por uma busca de tentar entender quem é essa mulher que tanta gente fala né? Quem é? Vejo parte do meu público que traz os pais para ver, os pais que faziam parte do público da minha mãe, que traz os filhos, os netos, vejo crianças, isso é de uma satisfação, de um orgulho pra essa filha que como disse não tem palavras que possam classificar, ou explicar ou expressar o que eu sinto”.

"Fico tomanda de emoções", diz Maria Rita
Sem esconder a emoção, Maria Rita completou: "Fico tomada de emoções, as lágrimas correm, eu não faço um pingo de questão de esconder, fingir que está tudo bem e como vocês têm um certo conhecimento do repertório, eu nem me preocupo, vocês seguem cantando e eu sigo chorando. E aquela coisa né, quem chora mais... Eu fico realmente muito honrada de ter a oportunidade de celebrar, de homenagear a minha mãe junto a vocês, é um grande presente ter essa mulher como minha mãe".

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Assim, Maria Rita abre um momento do repertório para homenagear três grandes intérpretes e escritores da nossa MPB. As grandes influências de sua mãe no rádio e que depois ela teve a oportunidade de conhecê-los e até fazer participações, a cantora Ângela Maria, o cantor Cauby Peixoto e o cantor Tom Jobim. Assim, ela traz ao palco os sucessos "Vida de Bailarina", "Bolero de Satã" e "Águas de Março".

Seguindo, Maria Rita canta "Saudosa Maloca", "Agora Tá", "Ladeira da Preguiça", "Vou Deitar e Rolar", "O Bêbado e o Equilibrista" e "Onze Fitas", estas duas últimas, remetendo aos momentos de tensão que o nosso país vivia diante da ditadura. Ver Maria Rita cantando (como nunca) em homenagem a Elis, é uma experiência transcendente, sublime. Portanto, completamente incomum. Testemunhamos a música criando vida, ali, diante de nós. “Redescobrir” é um presente do destino.

Elis e Rita Lee
Em sua segunda pausa, Maria Rita relembra a Elis ativista, inquieta e politizada, onde nunca se calou diante das injustiças, sempre combatendo através da música e do que sua profissão lhe trouxe de influência para discutir, para afrontar o que estava diante dos olhos, mas calado diante à ditadura. Ela relembra como Elis e Rita Lee se conheceram - num momento onde Lee foi presa pela ditadura e, mesmo sem conhecê-la, pôs a ajudar a colega de profissão. Assim, a amizade se fez e permaneceu até o falecimento de Elis.

Maria Rita aproveitou para lembrar dos rumores de que seu nome é uma homenagem da mãe para Rita Lee, que a chamava por Maria Rita. Ela não se faz de rogada e confirma os rumores. Afinal, que grande homenagem certo? Assim, como gratidão e carinho a amizade das duas, Maria Rita canta "Doce de Pimenta", música da qual as duas (Lee e Elis) cantaram num especial.

Elis nunca chegou a gravar a música, mas a homenagem é feita para remeter ao temperamento dócil, mas feroz quando atiçado, de sua mãe. E, em outro grande momento, quando ela homenageia Milton Nascimento, que a abraçou e a resguardou quando ela começou a sua carreira, eis que canta as canções "Menino", "Morro Velho", "O que Foi Feito Devera" e "Maria, Maria". Como agradecimento à gratidão e ao carinho que Milton depositou nela, ela encanta e emociona ao público com essas canções.

É fascinação...
Além destas homenagens, tivemos as canções "Me Deixas Louca", que está nas rádios e foi trilha da novela "Salve Jorge", "Tatuagem", "Essa mulher", "Se eu Quiser Falar com Deus", "Zazueira", "Alô, Alô, Marciano" e "Aprendendo a Jogar". No bis, Maria Rita retoma ao palco com estrelas presas a sua roupa, encanta cantando "Fascinação", "Romaria", "Madalena" e fechando com chave de ouro, "Redescobrir", remetendo ao último show de Elis, em 1981: "É a minha última". Respeito. Público emocionado. Maria Rita reluz, como a sua mãe, em seu último acorde da noite.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)
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