Mais curto, 'Rock in Rio – O Musical' estreia em São Paulo

Por Rodrigo Vianna


Elenco e produção de Rock in Rio - O Musical após estreia em São Paulo (Foto: Cena Musical)

Após uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, “Rock in Rio – O Musical” estreou neste sábado (7), no Teatro Alfa, em São Paulo. O Contracen@rte foi até a terra da garoa conferir de perto  a estreia de um dos espetáculos de maior sucesso de crítica e público do Brasil. Assim como no Rio, a apresentação para convidados reuniu artistas, famosos e atores já carimbados em musicais. Logo na entrada, o público era recebido por uma banda que tocava clássicos do rock ao vivo e já dava o clima do que estava por vir. Guitarras, holofotes e notas musicais transformaram o Teatro Alfa na Cidade do Rock.

                       História do Rock In Rio é transformada em musical

Para a temporada paulista, foram feitas algumas mudanças. Uma delas, e talvez a mais importante, foi em relação ao tempo de duração, algo criticado pelo carioca. O espetáculo ficou meia-hora mais curto. Mas isso está longe de ser um problema. Para nós, que pudemos conferir o espetáculo de perto também na Cidade Maravilhosa, não percebemos esse corte. Mas isso se dá ao ótimo trabalho de direção de João Fonseca e texto de Rodrigo Nogueira. O elenco também sofreu algumas mudanças, mas a dupla de protagonistas Hugo Bonemer e Yasmin Gomlevsky continua firme nos papéis de Alef e Sofia.

(Foto: Reprodução/Internet)

Esbanjando simpatia, Hugo Bonemer posou para fotos com fãs após o espetáculo e falou da estreia paulista: “Nós estávamos todos ansiosos para a estreia aqui em São Paulo. O coração ainda está a mil. É muita emoção e trazer um pouco do clima e da história do Rock in Rio para São Paulo é algo realmente único. Uma experiência incrível”, disse ele, que falou ainda sobre a nova corrida rotina: “Chegamos em São Paulo na quinta-feira e voltamos para o Rio na segunda bem cedo. Será assim até o dia 4 de agosto, quando termina a nossa temporada aqui. É corrido e um pouco cansativo, mas quando você faz o que gosta, tudo muda de sentido”.

Troca-troca
No elenco, entre as mudanças estão a chegada dos atores Marcel Octavio, no papel de Roger, Conrad Helt, como Lucas, e Mariana Gallindo. Também houve troca-troca de papéis. Com a saída de Rômulo Arantes Neto, Bruno Fraga assume o papel de Raul. Aliás, essa não foi uma boa escolha. Apesar de talentoso, Bruno não conseguiu convencer como um drogado, que vive no mundo da lua. Em alguns momentos, ele parecia se preocupar mais com os longos cabelos da peruca que caiam sobre o rosto, do que com a interpretação. Até mesmo na dança, os seus passos pareciam os mesmos. Já Marcel, destaque em “Shrek – O Musical”, dá um show na pele de Roger.

(Foto: Reprodução/Internet)

Além disso, a produção também acrescentou uma música nova. “Moves like Jagger”, da banda Marroom 5, entra no repertório nas vozes de Kakau Gomes, como Diana, e Luiz Pacini, que interpreta o Denis. Foi um golaço da produção, que deu mais gás e deixou o espetáculo ainda mais empolgante. De acordo com a produção,"Rock in Rio - O Musical" ficará em cartaz no Teatro Alfa, em São Paulo, de quinta a domingo, até o dia 4 de agosto, com ingressos entre R$ 40 a R$ 180. As entradas estão à venda no site Ingresso Rápido. No Rio de Janeiro, o musical ficou em cartaz entre janeiro e abril, e atraiu 6 mil expectadores.

Um marco
"Rock in Rio - O Musical" se tornou um marco na história dos musicais brasileiros, com produção 100% nacional e grande produção, ocupou o gigantesco teatro da Cidade das Artes com muita honra e sucesso. O musical aborda todas as ultimas edições do Rock in Rio, trazendo uma áurea de amor entre dois jovens que ambos tem problema em comum, a luta na época das revoltas estudantis e muita música que toca ao coração e que faz o espectador se tornar parte elenco, vivendo momentos únicos de emoção e alegria em um só local.

O espetáculo é produzido pela Aventura Entretenimento, responsável por sucessos como “Hair”, “A Noviça Rebelde”, “Um Violonista no Telhado” e “O Mágico de Oz”. Escrito por Rodrigo Nogueira (indicado ao Prêmio Shell por “Play”) e dirigido por João Fonseca (de “Tim Maia - O musical”), o espetáculo conta uma história fictícia e lúdica, inspirada nas emoções e transformações que a música é capaz de provocar. O espetáculo brinda os 29 anos do festival e aposta novos e antigos sucessos para agradar várias gerações.

(Foto: Reprodução/Internet)

O musical
Como uma jukebox, “Rock in Rio – O Musical” reúne no mesmo palco grandes nomes da música como Steve Wonder, Britney Spears, Axl Rose, Elton John, Shakira, Cazuza e Freddie Mercury. De fato, o espetáculo é uma grande miscelânea. De estilos, de histórias, de personagens, de artistas. Tenta contemplar aqueles que assistiram ao primeiro Rock in Rio, em 1985, com Queen, e aqueles que dançaram com Katy Perry e Rihanna, em 2011. Tudo, de alguma forma, foi lembrado. O lendário “Hoje é dia de rock, bebê!”, dito pela atriz Christiane Torloni, na edição de 2011, não ficou de fora.

A trama acompanha a trajetória de superação de Sofia (Yasmin Gomlevsky, de “O diário de Anne Frank”) e Alef (Hugo Bonemer, de “Hair”). Enquanto a menina, filha do organizador do maior festival de rock do mundo, não suporta ouvir música, o rapaz, mudo depois de sofrer um trauma familiar, tem um mundo particular, que expressa justamente pela música. O elenco, que no total tem 25 atores e é acompanhado por uma banda com nove músicos, conta ainda com Lucinha Lins como a mãe de Alef e Guilherme Leme como o empresário pai de Sofia.

Viagem por várias gerações
Cenários grandiosos, telões de alta resolução e o que há de mais novo em tecnologia ajudam a dar o tom lúdico do espetáculo e transportam o público para uma grande viagem por várias gerações. De cara, o público é brindado com uma apresentação de “Pro Dia Nascer Feliz”. No centro do palco, Alef ganha a companhia de Cazuza, Ney Matogrosso, Frejat e outros nomes que fizeram histórias nesses 29 anos de Rock in Rio. Era impossível se manter parado na poltrona. O público cantou do início ao fim.

(Foto: Reprodução/Internet)

No entanto, apesar da produção impecável, devemos ressaltar alguns pontos fracos logo no primeiro ato. Sem localização geográfica ou temporal, o espectador tenta, mas não consegue se encontrar na obra até que percebe que, em cena, os quatro festivais se tornaram um só. Enquanto os personagens falam em perigo do fechamento do congresso nacional brasileiro e em uma situação política caótica, a plateia não consegue ter claro de que período da história eles estão falando. Mas nada que compromete a história. Afinal, o que importa ali é a música e como ela vai influenciar na vida dos jovens.

Musical cita momento crítico no país
No fundo político da história, o país vive a ameaça de um retrocesso, sem que a peça explicite do que trata exatamente. As autoridades falam em fechar universidades em reação a protestos estudantis e o empresário organizador do festival do rock (claramente inspirado no empresário Roberto Medina) reclama ter contra si o governador do Estado, o secretário de Segurança e o cardeal, numa referência discreta às resistências reais que Medina enfrentou quando tentava organizar o primeiro Rock in Rio. E a luta do jovem pelos seus direitos. Sofia aparece como uma líder estudantil, que passa o bastão para Alef no segundo ato, já falante, que se torna o símbolo da resistência.

(Foto: Reprodução/Internet)

Rodrigo Nogueira e João Fonseca nos presenteiam, ainda, com grandes cenas, como a visita do amigo Marvin (muito bem interpretado pelo ator Ícaro Silva) a Alef, quando ele cita os participantes do Rock In Rio. O público gosta do que ouviu e aplaude de pé. Outros momentos inesquecíveis foram “You`ve got a friend”, cantado por Glória a seu filho Alef; “Don`t let the sun go down on me”, cantado pelo elenco principal, o “Tema do Rock in Rio”, que encerra o primeiro ato; “Kiss” cantado por Mathias e Liv; e “Bohemian Rhapsody”, o melhor momento de toda a peça, cantado por Roger.

Em todas elas, o jogo é vibrante, a música encontra bom casamento com a cena sem parecer mero subterfúgio, a movimentação aproxima o espetáculo em questão ao gênero musical que todos conhecemos. A peça é embalada por sucessos que marcaram diferentes edições do Rock in Rio, como “Freedom”, do George Michael, “Marvin”, dos Titãs, “Fear of the dark”, do Iron Maiden, entre outras, em versões originais e vertidas para o português pelo próprio autor. A direção musical é de Délia Fischer, que criou novos arranjos para as canções, alinhados com a dramaturgia de cada cena.

Os cenários de Nello Marrese e de Natália Lana e os figurinos de Thanara Schönardie são, ao lado de Lucinha Lins, o ponto alto de “Rock In Rio”. O colorido, a rica exploração do tema, o nivelamento diferente providenciam bom ritmo e formam quadros interessantes para o espectador a quem a história é contada.

Temporada paulista
A venda dos ingressos para a temporada paulista de "Rock in Rio - O Musical" pode ser feita pelo site Ingresso Rápido (http://www.ingressorapido.com.br/). Inspirado no maior festival de música e entretenimento do país, o espetáculo estreia dia 7 de junho, no Teatro Alfa, com produção da Aventura Entretenimento, grande elenco e orçamento de R$ 12 milhões. A apresentação do musical é da Oi e dos Correios.

Serviço:

"Rock in Rio – O Musical"

Estreia: 7 de junho
Temporada: 7 de junho a 4 de agosto
Teatro Alfa
Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro
Dias e horários: 6ª, às 21h30; Sab., às 16h e 20h; e dom., às 15h e 19h.
Preços: 6ª, R$ 40 (balcão 2), R$ 70 (balcão 1), R$ 120 (plateia) e R$ 140 (vip). Sáb., e dom., R$ 60 (balcão 2), R$ 110 (balcão 1), R$ 160 (plateia) e R$ 180 (vip).
Duração: 3h
Classificação etária: 14 anos.
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