'Quase Normal foi um divisor de águas na minha vida', diz o ator e coreógrafo Victor Maia

Por Rodrigo Vianna


Victor Maia brilha em "Quase Normal" (Foto: Rodrigo Vianna/Contracen@rte)

Ator, cantor, bailarino, coreógrafo e professor nas horas vagas. Desde pequeno, o carioca Victor Maia, de 28 anos, já sabia o que queria ser: artista. Multiuso, o ator divide o tempo entre as apresentações do espetáculo “Quase Normal”, que está em cartaz em São Paulo, o seu trabalho como coreógrafo do programa “Caldeirão do Huck”, da TV Globo, e as aulas na Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), onde se formou em artes cênicas há 3 anos. Ator por opção e coreógrafo quase que sem querer, Victor Maia brilha como o jovem Henry, nos palcos.

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“O ‘Quase Normal’ foi um divisor de águas na minha vida. Eu já fiz vários musicais e já tive bons personagens em pelo menos três deles. Só que o meu primeiro musical Broadway, com personagem, foi ‘Quase Normal’. Eu conquisto mais um status onde eu posso dizer que eu já participei de um musical Broadway, contemporâneo, com personagem, garantindo a confiança de um diretor, a capacidade artística para defender isso perante um público. É uma questão de confiança, maturidade profissional e certeza de que eu estou trilhando o caminho certo”, disse o ator, nos jardins da Uni-Rio.


Assista no player acima à entrevista com o ator Victor Maia

Victor Maia é a nosso convidado deste sábado (11) da série especial “Encena”, que vai trazer sempre uma entrevista com um ator que se destaca nos palcos cariocas. A cada semana, teremos uma matéria exclusiva, com vídeo e fotos desses “artistas revelação”. O Contracen@rte acompanhou a rotina do ator do musical “Quase Normal”, que já é considerado um sucesso de público e crítica. Victor Maia falou sobre sua experiência no palco, sua carreira como ator e como ele entrou para o incrível mundo do teatro. Com a temporada paulista chegando ao fim, a ator colhe agora os frutos e o sucesso.

“Quase Normal” é a história de uma família que pretende levar uma vida normal, e enfrenta a adversidade, passando por uma numerosa gama de emoções que sacodem o público com intensidade, diverte com seu humor e o deixa, renovado e comovido pelas semelhanças que encontra entre o que ocorre em cena e o que passa no interior de suas próprias vidas. O musical, com versão e direção de Tadeu Aguiar e direção musical e regência de Liliane Secco, encerra sua temporada paulista após meses de sucesso. Em quase três horas de espetáculo, é impossível não se prender ao texto e a história.

No palco, Diana, uma dona de casa convencional que luta contra uma profunda desordem bipolar; Dan, seu abnegado marido, que luta para deixar a família unida; Natalie, a filha problemática, que tem péssima relação com a mãe e sonha em fugir de casa com o namorado, Henry; e Gabriel, o filho praticamente perfeito, que deseja se manter presente para sempre. Quando estreou em Nova York, em 2008, "Next To Normal" maravilhou público e crítica pela originalidade de sua história e a potência de seu texto (de Brian Yorkey) e música (Tom Kitt, de "Alta Fidelidade").

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracen@rte)

O começo
O convite para atuar em “Quase Normal” surgiu durante a temporada de “Baby – O Musical”, onde ele atuava ao lado de Tadeu Aguiar. Porém, não foi tão simples assim: “Ele (Tadeu Aguiar) disse que tinha comprado os direitos de “Quase Normal”, e que estava pensando em me chamar para fazer. Um dia ele me ligou falando que precisava gravar um CD para o patrocinador. Ele me convidou mesmo depois que assistiu ao musical que eu fazia na época, o “Aurora da minha vida”, me pegou no braço, mostrou a trilha e disse: ‘Olha só, você vai fazer. Você é o Henry.’ Ai rolou”, lembra.

Foram dois meses de ensaio. Entre preparação corporal, aulas de canto e ensaios. Victor Maia, que já atuava como coreógrafo do Caldeirão do Huck, teve a sua rotina modificada radicalmente. O palco passou a ser a sua segunda casa em definitivo. Sempre focado, ele contou que a preparação para o personagem não foi fácil. Afinal, se tratava de um musical dramático, onde ele seria o encarregado em dar o tom de humor no espetáculo, porém, ele sabia que não podia passar da dose.

“O Henry é o personagem de humor do espetáculo, o que para mim é tranquilo, porque eu trabalho com comédia. Mas o humor do Henry é muito diferente do humor que eu estava acostumado a fazer. Minha primeira preocupação, então, foi ‘secar’ o humor e encontrar um humor mais sutil para trazer o Henry, disse.

A ordem é... emocionar
Cantar, mas não cantar. Possível? Bom, pelo menos para o diretor Tadeu Aguiar e seu elenco sim. Victor revelou que o foco do diretor não era em conseguir uma bela voz, afinada, dentro do tom, mas sim emocionar. A ordem era: desafinem, não cantem, mas emocionem. É, parece que deu certo: “Em ‘Quase Normal’, a música entra no texto. Foi um trabalho bem atípico, mas acho que o trabalho do ator de musical é isso, para se tornar versátil, ele tem que passar por tudo”, completou o ator, que teve que perder 8 quilos para dar vida ao adolescente de 17 anos.

Cada vez mais empenhando em gravar o seu nome na calçada da fama do teatro musical brasileiro, Victor Maia fala sobre o crescimento do estilo no Brasil, mas lamenta por ainda existir um certo preconceito entre os artistas. Segundo ele, o teatro musical sofre preconceitos por se tratar de algo mais lúdico e com mais cara de entretenimento. Além disso, ele cita o alto valor dos ingressos como um dos obstáculos que dificultam a aproximação do público. Ele considera “Quase Normal” como um musical inovador, justamente por se afastar mais desse lado entretenimento, para o pessoal.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracen@rte)

“Quando você traz uma proposta mais densa, dramática, é mais difícil ainda. O ‘Quase Normal’ tem um pouco disso, mas quando as pessoas se deparam com suas próprias questões no teatro, é como se você saísse um pouco de você e se deparasse com aquele situação, ali, no palco. Então você ativa um outro ponto de percepção, você aflora o seu senso crítico. Além de tudo, não é uma obra de puro entretenimento, porque o espetáculo traz uma história e a letra serve como um texto”, explicou ele.

Dos palcos para o estúdio
Desde 2011, Victor Maia também trabalha como coreógrafo do Caldeirão do Huck. Uma oportunidade que ele agarrou com todos os dentes. Seu talento e dedicação foram essenciais para a Rede Globo contratá-lo como coreografo oficial do programa. Victor contou que o convite surgiu através da professora de dança e amiga Janice Botelho. Segundo ele, Janice sempre fazia trabalhos para a emissora, e um dia foi chamada para o programa do Luciano Huck, mas como não podia, indicou ele.

(Foto: Rodrigo Vianna/Contracen@rte)

“Eu fiz um ano de balé clássico na escola onde eu era bolsista, ai parei para entrar na faculdade. Depois eu voltei a dançar a convite da Janice. Ela teve que coreografar o Criança Esperança em 2010, e me convidou para dar aula no lugar dela. Ela me viu em ‘Rock Horror Show’, e viu qual era o meu potencial coreográfico, que nem eu sabia que tinha tanto. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar no Caldeirão, eu fiquei tão fissurado naquele trabalho, e a direção adorou, depois me chamaram para fazer outro trabalho, e ai eles me contrataram”, lembra ele.

Victor em cena como Henry, em "Quase Normal"
(Foto: Divulgação)
Com a temporada paulista de “Quase Normal” chegando ao fim, Victor Maia pensa em férias, mas também em muito trabalho: “Eu não consigo negar trabalho. Eu penso em retomar com ‘Meu sangue ferve por você’, e tocar o projeto que eu realizo aqui na Uni-Rio, de pesquisa em teatro musical, que eu já trabalho há 5 anos, e vamos montar o musical ‘The Book of Mormon’, onde farei uma participação”.

Sobre o “Encena”
O Contrancen@rte tem o prazer de apresentar o “Encena”, uma série especial que vai trazer entrevistas com nomes do teatro e da música que têm se destacado no cenário cultural carioca. Todo sábado o público em casa poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho desses artistas. A sua história, trajetória, carreira, trabalhos atuais e experiência. Tudo será contado com exclusividade para o nosso portal, trazendo público para mais perto do artista. Afinal, como o nome já diz, vamos colocar esses “artistas revelação” “em cena” e mostrar as suas caras.
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