Com 1h de atraso, Nando Reis faz show independente no Rio

Por Rodrigo Vianna

Nando Reis no palco do Citibank Hall (Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Atraso e novos sucessos marcaram o show de lançamento do CD “Sei’ do cantor e compositor Nando Reis, no último sábado (11), no Citibank Hall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Durante quase duas horas, o cantor empolgou o público, que praticamente lotou a casa de espetáculos, com canções que marcaram a sua carreira, como “All Star”, e novas músicas como “Back in Vânia”, que ele escreveu em homenagem à sua esposa. No entanto, o que os fãs não esperavam era o atraso de uma hora, o que deixou muitos irritados.

O ex-Titã subiu ao palco por volta das 23h16 para apresentar as canções de seu último disco, “Sei”, lançado no ano passado. E, claro, hits que marcam seus mais de 30 anos de carreira. “Sei” teve a produção assinada por Jack Endino - notória figura do universo musical, que já produziu bandas como Nirvana e Soundgarden - e contou ainda com a participação mais que especial de Marisa Monte. Com cenário simples, mas intimista, o cantor apresentou um show mais clean e pop. Com uma estrutura que impressiona, o show foi realizado pela Time For Fun.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

“É muito bom poder trazer este show para o Rio de Janeiro e obrigado a todos vocês que vieram curtir esse domingo, ou quase sábado para domingo, enfim, essa madrugada com o nosso som. Para esse show vocês já devem ter percebido que eu trouxe canções novas para esse repertório, quando deveria trazer já conhecidas e fazer todos cantarem juntos, naquele clima, mas na verdade o que eu quero fazer com que vocês possam conhecer o novo, porque as letras falam muito de mim, da minha vida, de tudo que eu passei durante esses 30 anos de carreira. Espero que gostem”, disse ele.

"Sei"
Surpreendido com o fim do contrato com a gravadora Universal, seu 12º disco foi finalizado com recursos próprios e muito cuidado para as contas de produção baterem. Lançado três anos após “Drês’, último disco de inéditas, “Sei” está sendo comercializado exclusivamente pelo site do artista e quem dá o preço são os fãs, através de uma ferramenta que faz uma média dos valores sugeridos. Apesar de toda a novidade e inovação que o termo “independente” sugere, é o passado a matéria-prima de “Sei”.

A interatividade tem sido um dos principais pilares para que Nando esteja próximo de seu público, sem intermediários. O cantor subiu ao palco ao lado da banda Os Infernais, que traz Felipe Cambraia (baixo e vocal), Diogo Gameiro (bateria e vocal), Alex Veley (teclados e vocal) e Walter Villaça (guitarra e vocal), além de Gil Miranda e Hannah Lima no backing vocal (que, aliás, cumpriram com maestria o seu papel).

Nando é um dos dez compositores que mais arrecadou direitos autorais no país em 2012. Divide a liderança com Roberto Carlos e sertanejos como Sorocaba e Paula Fernandes. Mas quem o vê nessa lista não imagina como cada canção é um parto. Ele flerta com o fracasso a cada nova música que começa. "Tenho medo de não conseguir e não é sempre que consigo, não. Já fiz discos curtos por falta de repertório mesmo. Não sou uma máquina de escrever", disse ele em entrevista ao portal UOL.

Repertório de sucessos
Logo na primeira faixa, o título “Pré-sal” sugere a vontade do compositor em escavar suas lembranças em busca de algo valioso. Numa letra surrealista, cheia de colagens e mistérios, embalada por uma pegada vigorosa de exatos sete minutos, Nando fala sobre as mãos da avó molhadas em glicerina, remédios para epilepsia e no personagem Tim-Tim, “pois do Tim-Tim eu sou um grande fã”, explica. No entanto, o público que o aguardava desde as 22h12, horário previsto para começar o show, não deixou passar despercebido e se mostrou revoltado pelo atraso de uma hora.

O público saiu do chão com um velho sucesso de Nando Reis: “O Mundo é bão Sebastião”, que ele escreveu para o seu filho, Sebastião. Foi o suficiente para os fãs cantarem em uníssono e esqueceram o atraso. Em seguida, Nando Reis apresentou a balada que dá nome ao seu mais recente álbum: “Sei”. “Sabe, quando a gente tem vontade de encontrar a novidade de uma pessoa. Quando o tempo passa rápido. Quando você está ao lado dessa pessoa. Quando dá vontade de ficar nos braços dela e nunca mais sair”, dizia o primeiro verso.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Homenagens
Em “Back in Vânia”, cuja melodia é um plágio consentido de Back in Bahia, de Gilberto Gil, Nando Reis faz uma homenagem à mulher, que estava presente no show. De forma autobiográfica, ele brinca com a cor dos próprios cabelos, fala da saudade dos amigos Marcelo Fromer e Cássia Eller, cita os problemas com drogas e encerra pedindo uma nova chance à amada (“A vida já vivida já nos deu razão, teve sofrimento e tanta alegria”).

O repertório do show foi composto, ainda, por “Declaração de Amor” e “Pra Quem Não Vem”. E ainda sucessos autorais e já conhecidos como “As Coisas Mais Lindas”, “All Star”, “Pra Você Guardei o Amor”, “Relicário” e “Espatódea”. Os três anos que separam “Drês” e “Sei” trouxeram perdas e ganhos para a história de Nando. Mas na minha opinião, o resultado é positivo. O que se viu no palco do Citibank Hall foi um Nando Reis renovado, e não digo isso no sentido apenas de repertório. Suas músicas e letras, tornam “Sei” uma incrível sinfonia para os ouvidos.

(Foto: Néstor J. Beremblum/Divulgação)

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Nando Reis é um grande artista, compositor, cantor.. Tenho ele como referência em meu projeto musical e gostaria de convidar todos que curtem esse estilo a darem uma escutada nesse meu projeto tb. Obrigada e valeu pra quem compartilhou essa matéria aqui! ;)

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