Sucesso! 'Rock in Rio - O Musical' se despede do Rio com 60 mil espectadores

Por João Marcos Guerra e Kátia Valéria Soares

 (FotoDivulgação/Facebook)

Após três meses em cartaz, o espetáculo "Rock in Rio - O Musical" se despede do Rio de Janeiro com 60 mil expectadores, segundo a produção, confirmando o sucesso. Como não poderia deixar de ser, o musical fez sua última apresentação no domingo (21), na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, com todos os ingresso esgotados. Sem dúvida, "Rock in Rio - O Musical", que agora segue para  São Paulo para musicalizar os corações paulistanos,  vai deixar saudade. A venda dos ingressos para a temporada paulista começou na segunda-feira (22).

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"Rock in Rio - O Musical" se tornou um marco na história dos musicais brasileiros, com produção 100% nacional e grande produção, ocupou o gigantesco teatro da Cidade das Artes com muita honra e sucesso. O musical aborda todas as ultimas edições do Rock in Rio, trazendo uma áurea de amor entre dois jovens que ambos tem problema em comum, a luta na época das revoltas estudantis e muita música que toca ao coração e que faz o espectador se tornar parte elenco, vivendo momentos únicos de emoção e alegria em um só local.

(Foto: Reprodução/Internet)

O espetáculo é produzido pela Aventura Entretenimento, responsável por sucessos como “Hair”, “A Noviça Rebelde”, “Um Violonista no Telhado” e “O Mágico de Oz”. Escrito por Rodrigo Nogueira (indicado ao Prêmio Shell por “Play”) e dirigido por João Fonseca (de “Tim Maia - O musical”), o espetáculo conta uma história fictícia e lúdica, inspirada nas emoções e transformações que a música é capaz de provocar. O espetáculo brinda os 29 anos do festival e aposta novos e antigos sucessos para agradar várias gerações.

O público compareceu em peso ao mega teatro da Cidade das Artes como se quisesse transmitir um sentimento de expectativa, de despedida e de saudade mesmo por ser esta a última noite do espetáculo na cidade. Quando as cortinas se fecharam, realmente a sensação de deslumbramento e um misto de saudade foi evidente. Com produção impecável, atuações de verdadeira competência e  banda de arrasar, "Rock in Rio - O Musical" traz uma seleção musical que passeia por todas as edições do Rock in Rio, e traz a todos (principalmente os que viveram os anos 80, 90) uma nostalgia explícita que nos convida a viajar no tempo.

Sem dúvida, "Rock in Rio - O Musical" realmente e um espetáculo para se assistir de coração aberto porque a mensagem é muito simples: o amor pode transformar as pessoas e a música realmente é a linguagem universal.

(Foto: Reprodução/Internet)

O musical
Como uma jukebox, “Rock in Rio – O Musical” reúne no mesmo palco grandes nomes da música como Steve Wonder, Britney Spears, Axl Rose, Elton John, Shakira, Cazuza e Freddie Mercury. De fato, o espetáculo é uma grande miscelânea. De estilos, de histórias, de personagens, de artistas. Tenta contemplar aqueles que assistiram ao primeiro Rock in Rio, em 1985, com Queen, e aqueles que dançaram com Katy Perry e Rihanna, em 2011. Tudo, de alguma forma, foi lembrado. O lendário “Hoje é dia de rock, bebê!”, dito pela atriz Christiane Torloni, na edição de 2011, não ficou de fora.

A trama acompanha a trajetória de superação de Sofia (Yasmin Gomlevsky, de “O diário de Anne Frank”) e Alef (Hugo Bonemer, de “Hair”). Enquanto a menina, filha do organizador do maior festival de rock do mundo, não suporta ouvir música, o rapaz, mudo depois de sofrer um trauma familiar, tem um mundo particular, que expressa justamente pela música. O elenco, que no total tem 25 atores e é acompanhado por uma banda com nove músicos, conta ainda com Lucinha Lins como a mãe de Alef e Guilherme Leme como o empresário pai de Sofia.

Viagem por várias gerações
A grandiosidade da Grande Sala da Cidade das Artes faz jus a espetáculo. Cenários grandiosos, telões de alta resolução e o que há de mais novo em tecnologia ajudam a dar o tom lúdico do espetáculo e transportam o público para uma grande viagem por várias gerações. De cara, o público é brindado com uma apresentação de “Pro Dia Nascer Feliz”. No centro do palco, Alef ganha a companhia de Cazuza, Ney Matogrosso, Frejat e outros nomes que fizeram histórias nesses 29 anos de Rock in Rio. Era impossível se manter parado na poltrona. O público cantou do início ao fim. Por 2h50, o teatro se transformou no maior festival de música do mundo.

(Foto: Reprodução/Internet)

No entanto, apesar da produção impecável, devemos ressaltar alguns pontos fracos logo no primeiro ato. Sem localização geográfica ou temporal, o espectador tenta, mas não consegue se encontrar na obra até que percebe que, em cena, os quatro festivais se tornaram um só. Enquanto os personagens falam em perigo do fechamento do congresso nacional brasileiro e em uma situação política caótica, a plateia não consegue ter claro de que período da história eles estão falando. Mas nada que compromete a história. Afinal, o que importa ali é a música e como ela vai influenciar na vida dos jovens.

Musical cita momento crítico no país
No fundo político da história, o país vive a ameaça de um retrocesso, sem que a peça explicite do que trata exatamente. As autoridades falam em fechar universidades em reação a protestos estudantis e o empresário organizador do festival do rock (claramente inspirado no empresário Roberto Medina) reclama ter contra si o governador do Estado, o secretário de Segurança e o cardeal, numa referência discreta às resistências reais que Medina enfrentou quando tentava organizar o primeiro Rock in Rio. E a luta do jovem pelos seus direitos. Sofia aparece como uma líder estudantil, que passa o bastão para Alef no segundo ato, já falante, que se torna o símbolo da resistência.

(Foto: Reprodução/Internet)

Rodrigo Nogueira e João Fonseca nos presenteiam, ainda, com grandes cenas, como a visita do amigo Marvin (muito bem interpretado pelo ator Ícaro Silva) a Alef, quando ele cita os participantes do Rock In Rio. O público gosta do que ouviu e aplaude de pé. Outros momentos inesquecíveis foram “You`ve got a friend”, cantado por Glória a seu filho Alef; “Don`t let the sun go down on me”, cantado pelo elenco principal, o “Tema do Rock in Rio”, que encerra o primeiro ato; “Kiss” cantado por Mathias e Liv; e “Bohemian Rhapsody”, o melhor momento de toda a peça, cantado por Roger.

Em todas elas, o jogo é vibrante, a música encontra bom casamento com a cena sem parecer mero subterfúgio, a movimentação aproxima o espetáculo em questão ao gênero musical que todos conhecemos. A peça é embalada por sucessos que marcaram diferentes edições do Rock in Rio, como “Freedom”, do George Michael, “Marvin”, dos Titãs, “Fear of the dark”, do Iron Maiden, entre outras, em versões originais e vertidas para o português pelo próprio autor. A direção musical é de Délia Fischer, que criou novos arranjos para as canções, alinhados com a dramaturgia de cada cena.

Os cenários de Nello Marrese e de Natália Lana e os figurinos de Thanara Schönardie são, ao lado de Lucinha Lins, o ponto alto de “Rock In Rio”. O colorido, a rica exploração do tema, o nivelamento diferente providenciam bom ritmo e formam quadros interessantes para o espectador a quem a história é contada.

Temporada paulista
A venda dos ingressos para a temporada paulista de "Rock in Rio - O Musical" pode ser feita pelo site Ingresso Rápido (http://www.ingressorapido.com.br/). Inspirado no maior festival de música e entretenimento do país, o espetáculo estreia dia 7 de junho, no Teatro Alfa, com produção da Aventura Entretenimento, grande elenco e orçamento de R$ 12 milhões. A apresentação do musical é da Oi e dos Correios.

Serviço:

"Rock in Rio – O Musical"

Estreia: 7 de junho
Temporada: 7 de junho a 4 de agosto
Teatro Alfa
Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro
Dias e horários: 6ª, às 21h30; Sab., às 16h e 20h; e dom., às 15h e 19h.
Preços: 6ª, R$ 40 (balcão 2), R$ 70 (balcão 1), R$ 120 (plateia) e R$ 140 (vip). Sáb., e dom., R$ 60 (balcão 2), R$ 110 (balcão 1), R$ 160 (plateia) e R$ 180 (vip).
Duração: 3h
Classificação etária: 14 anos.
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