Protagonista de 'Rock in Rio – O Musical', Hugo Bonemer revela que sofreu bullying

Por Flávia Perez

Hugo Bonemer interpreta Alef, em "Rock in Rio - O Musical" (Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

Quem vê Hugo Bonemer, de 25 anos, como Alef no espetáculo "Rock in Rio - O Musical", que está em cartaz até o dia 21 de abril, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, não imagina que esse grande ator e cantor sofreu bullying quando dizia que seria ator e ficou na dúvida se iria mesmo seguir essa carreira. Hugo já fez faculdade de Comércio Exterior e prestou vestibular pra Educação Física, até fazer um intercâmbio na Alemanha, onde decidiu de vez que seria ator. É, parece que valeu a pena insistir no sonho.

Veja a galeria de fotos exclusiva de Hugo Bonemer

Hugo Bonemer é o nosso quarto convidado da nossa série especial “Encena”, que vai trazer todos os sábados uma entrevista com um ator que se destaca nos palcos cariocas. A cada semana, teremos uma matéria exclusiva, com vídeo e fotos desses “artistas revelação”. O Contracen@rte acompanhou um dia de trabalho do ator nos bastidores de “Rock in Rio - O Musical”, que já é considerado um sucesso de público e crítica. O ator falou sobre sua experiência no palco, sua carreira e como ele entrou para o incrível mundo do teatro. Com a temporada carioca chegando ao fim, Hugo colhe agora os frutos e o sucesso.

(Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

Desde criança, em Maringá, sua cidade natal, o ator teve contato com os palcos. "Eu sempre dizia que eu iria trabalhar como ator, minha mãe é bailarina, coreógrafa e diretora de espetáculos, ela uma vez estava em casa gravando uma voz para o espetáculo dela, e era de um garoto de 8 anos, e eu comecei a brincar de fazer a voz na sala e uma moça que trabalhava com ela disse 'está aí a voz que você precisa, chama seu filho pra fazer'. Quando escutei minha voz no teatro, perguntei se podia trabalhar com isso, ela disse que podia, mas que não ia ser tão fácil. Eu tinha 6 anos, falei que queria e nunca mais tirei isso da cabeça."

Apesar da vontade de ter um filho dentista, os pais sempre o apoiaram: "Meus pais tem uma academia e meu pai falou que se eu quisesse fazer teatro ia fazer lá, disse que ia chamar uma professora de teatro e montar uma turma lá", disse o ator, que vem emplacando um sucesso atrás do outro. Antes de “Rock in Rio – O Musical”, ele integrou o elenco de “Hair”, onde também atuou como protagonista. O ator também participou de espetáculos como “O Quebra-Nozes”, “Bela Adormecida”, “Cinderella”, “A Bela e a Fera”, “A Megera Domada” e “Sítio do Pica-pau Amarelo”, esse último sob direção geral da mãe, Marcia Angeli.

O começo
Primo do jornalista William Bonner, Hugo Bonemer estreou nos palcos em 2008 na peça “As Mulheres de Shakespeare”. Mais tarde, atuou na remontagem de “Cardiff” e “O Noviço”. Seu primeiro musical foi “Bark - Um Latido Musical”. Para atuar em “Hair”, Hugo Bonemer desbancou cinco mil candidatos, e ganhou o papel do protagonista Claude, tendo sido muito elogiado pela crítica especializada. Com um currículo desse dá para entender o seu reconhecimento hoje.

"Eu tinha tudo para fazer aquele papel e não sabia. Quando eu cheguei lá, o personagem era pra ser um cara do interior, não podia ser carioca, não podia ter ginga, tinha que ser como eu era na época e deixei de ser hoje. Ainda cheguei com uma camisa meio bata, calça jeans e sandália de Jesus. Depois eu soube que eles falaram assim 'canta que é você'. Claro que passei por muitos testes, não foi fácil, mas essa questão também envolve muita sorte".

Com mais de três horas de duração, "Rock in Rio - O Musical" leva o público em uma viagem com músicas que marcaram várias épocas diferentes. É uma junção de repertório, imagens, lembranças e casos hilários das quatro edições brasileiras do festival para contar um drama juvenil. Com orçamento de R$ 12 milhões e produção 100% made in Brasil, o musical impressiona. Dirigido por João Fonseca (de “Tim Maia - O musical”), o espetáculo conta uma história fictícia e lúdica, inspirada nas emoções e transformações que a música é capaz de provocar. O musical brinda os 29 anos do festival e aposta novos e antigos sucessos para agradar várias gerações. É, parece que deu certo.

A grandiosidade da Grande Sala da Cidade das Artes faz jus a espetáculo. Cenários grandiosos, telões de alta resolução e o que há de mais novo em tecnologia ajudam a dar o tom lúdico do espetáculo e transportam o público para uma grande viagem por várias gerações. A trama acompanha a trajetória de superação de Sofia (Yasmin Gomlevsky) e Alef. Enquanto a menina, filha do organizador do maior festival de rock do mundo, não suporta ouvir música, o rapaz, mudo depois de sofrer um trauma familiar, tem um mundo particular, que expressa justamente pela música. O elenco, que no total tem 25 atores e é acompanhado por uma banda com nove músicos.

Carreira
Além de muitas peças no seu currículo, o jovem ator já passou pela TV atuando no seriado “Preamar”, do canal HBO. Para interpretar Fred, ele nos contou que fez uma bateria de testes sendo o mais difícil de sua carreira e se derrete em elogios ao diretor. "Mesmo com toda dificuldade dos testes, o processo foi a coisa mais deliciosa que eu já fiz em toda minha vida. O Estevão Ciavatta, que é o diretor, é uma pessoa que não existe, ele viveu uma superação incrível. Queria causar o clima mais harmonioso possível naquele set e ele lutou por isso. Pessoa inteligentíssima e do bem".

Para interpretar o Alef, em “Rock in Rio – O Musical, Hugo disse que passou por um processo intenso e demorado até chegar aonde ele queria. Segundo ele, foram muitos meses de ensaio, de sessões de canto e dança. No fim, ele garante, valeu a pena.

"Experimentei tudo que fosse possível, dentro do que me ocorreu intuitivamente e questões técnicas mesmo de construção personagem. Eu tentei primeiro uma construção de dentro pra fora, me deram características do personagem, então eu comecei procurar questões da alma e psicológicas dele. Saber como esse personagem age com o texto dos outros porque ele não tem texto nenhum até parte da peça e depois fala muito pouco. Depois comecei uma construção física e fui experimentando uma série de coisas. Eu fui levando o personagem cada hora pra um lugar e o João (Fonseca, diretor) foi ficando maluco comigo porque quando ele gostava de uma coisa, eu já tava na pesquisa seguinte. Eu pedia mais tempo porque eu queria tentar tudo".

Hugo comparou a profissão de ator a de um psicólogo: "Todo personagem tem alguma coisa do ator, todo ser humano tem uma coisa de bonzinho, de malvado, de corajoso, medroso. O ator é uma profissão muito parecida com a do psicólogo, a diferença é que o psicólogo fala sobre e o ator age sobre. Os dois tem que observar as reações das pessoas, as próprias reações, se conhecer e ficar investigando. Quando me perguntam se eu tenho alguma coisa, eu digo que não sou o personagem, mas algo em mim eu peguei e exacerbei para que acontecesse esse personagem e outras coisas eu fiz de observação, como a parte física."

O elenco
Lucinha Lins interpreta Glória, a mãe de Alef. Se sentindo honrado em poder contracenar com essa atriz, ele confessou que até dá uma escapada do personagem em uma das cenas. "A Lucinha é uma diva, é um sonho contracenar com ela. É muito difícil pra mim não pensar quando ela canta 'You've gotta friend' para o meu personagem, ‘Lucinha Lins ta cantando para mim, que honra, que coisa incrível.', disse ele, que também comentou sobre sua química não só com Yasmin Gomlevsky, que faz o seu par romântico no palco, mas também todo o elenco.

(Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

"Yasmin é um fenômeno. Uma menina de 20 anos que tem a força de uma mulher muito mais madura e ao mesmo tempo ela ainda consegue ter a carinha de menina. Ela tem questionamentos artísticos muito interessantes nos quais eu me identifico muito, então a gente respira ali no mesmo lugar e a gente teve uma simbiose muito pronta, tivemos química como se diz. Eu fui muito feliz nesse processo, de poder contracenar só com pessoas que eu me identifiquei e que eu sinto que se identificaram comigo, e além de tudo com pessoas que tem muito a me ensinar."

Hugo diz que projetos todo ator tem, então ele nos confessou uma de suas vontades. "Tenho uma vontade, quero muito continuar fazendo musicais, eu gosto muito e eu tenho vontade de fazer uma peça, de repente depois do ‘Rock in Rio’, tenho tentado ser um bom produtor. Claro que a peça tem que ter música, eu acho que é uma evolução, a música realmente comunica mais do que a palavra, tenho certeza disso, a música fala sem dizer aquilo que já bateu e que todo mundo já entendeu. Acho que é por isso que o musical está tão em alta. Tenho vontade de fazer no próximo ano uma peça musicada, que a pessoa fique um pouco mais confusa se é um musical ou uma peça".

Hugo em cena com Yasmin Gomlevsky (Foto: Divulgação)

Próximo destino: São Paulo
A temporada no Rio de Janeiro está chegando ao final e a expectativa para a estreia em São Paulo que, acontecerá dia 7 de junho, são as melhores possíveis. "Espero que a peça amadureça mais ainda em São Paulo, eu torço para que o público receba a ideia do Rock in Rio e veja o que passa além do festival na peça, uma história que é independente, então eu gostaria que o pessoal visse o além e que sejamos muito felizes fazendo."

Sobre o “Encena”
Abram as cortinas. O Contrancen@rte tem o prazer de apresentar o “Encena”, uma série especial que vai trazer entrevistas com nomes do teatro e da música que têm se destacado no cenário cultural carioca. Todo sábado o público em casa poderá conhecer um pouco mais sobre o trabalho desses artistas. A sua história, trajetória, carreira, trabalhos atuais e experiência. Tudo sera contado com exclusividade para o nosso portal, trazendo público para mais perto do artista. Afinal, como o nome já diz, vamos colocar esses “artistas revelação” “em cena” e mostrar as suas caras. Aqui, você é a nossa grande plateia.

(Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)
Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Acho que o Hugo está no caminho certo, sempre se preparando para entrar bem em cena. Assisti o musical e fiquei encantada do começo ao fim. Acompanhei os outros trabalhos dele, e sinto que terá uma carreira linda. Além da beleza fisica obvia aos nossos olhos, ele demonstra maturidade e um carisma incrivel! Torcerei por você sempre! Beijos - Paula J.

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