Barão Vermelho se despede do Rio com 'até logo' em show nostálgico

Por Rodrigo Vianna

Frejat e o guitarrista Fernando Magalhães (Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Mais uma vez o Barão Vermelho vai dar uma pausa e ficará fora dos holofotes por um tempo. Se é para sempre ou não, ninguém sabe. Mas antes de entrarem em hiato, a banda decidiu realizar uma turnê especial de “despedida”, mas com cara de comemoração. O Contracen@rte acompanhou na noite de sábado (20) ao show “+ 1 dose”, que celebra os 30 anos do lançamento do primeiro álbum da banda, lançado em 1982, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro. Agora, só o futuro dirá quando o Barão voltará a se reunir. Para os cariocas, foi um “até logo”.

A turnê “+ 1 Dose” começou em outubro de 2012 e já passou por várias cidades, sempre com lotações esgotadas. Com este show, o Barão Vermelho termina sua jornada. No palco, Guto Goffi (bateria), Roberto Frejat (guitarra e voz), Peninha (percussão), Rodrigo Santos (baixo) e Fernando Magalhães (guitarra), contaram ainda com a participação especial do tecladista Maurício Barros, outro integrante da formação original do Barão.  No repertório, músicas do primeiro álbum e outros sucessos que marcaram a carreira da banda.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Desde cedo, o público já aguardava ansioso por aquela que seria a última apresentação do Barão Vermelho na Cidade Maravilhosa. Mais tímidos, os fãs levaram camisetas e presentes para a banda. É o caso do engenheiro Marcelo Andrade do Nascimento, de 28 anos, que levou a réplica da bateria do Barão em miniatura para Guto Goffi. Acompanhado da namorada, a estudante Cíntia Caldas, de 23, ele disse que é fã do Barão Vermelho desde o álbum “Carne Crua”, lançado em 1993. Para ele, as músicas da banda marcaram a sua vida e contam um pouco a sua história.

“É impossível não se identificar com uma música do Barão. Apesar de não acompanhar a banda desde o início, porque eu era muito jovem, eu conheço todas as músicas. O Barão foi a casa de um dos maiores mestres da música nacional, foi lá que Cazuza começou e escreveu seus maiores sucessos. É uma pena eles pararem justo agora, quando estão numa ótima fase, mas tenho certeza que será por pouco tempo, como da outra vez. Daqui a pouco eles aparecem com uma nova música. Fica um sentimento de perda, mas sei que será por pouco tempo”, disse ele.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Para esquentar, Autoramas
Mas antes do Barão subir ao palco, o público pôde conferir o show da banda carioca Autoramas, considerada uma das maiores revelações do rock nacional. O trio, formado atualmente pelo capitão Gabriel Thomaz (voz e guitarra), Bacalhau (bateria) e Flávia Couri (baixo e voz), está comemorando 15 anos de carreira. Além de apresentar faixas de seu mais recente disco de estúdio, o elogiado “Música Crocante”, de 2011, o grupo não deixou de fora clássico como “Você Sabe” e “Fale Mal de Mim”.

“Música Crocante” é sexto disco da banda, que está na ativa desde 1997, tocando em países como Japão, Inglaterra, França, Uruguai e Chile, além de quase todos os estados do Brasil. O grupo teve algumas mudanças na escalação nesses 15 anos, como a saída do baterista Nervoso e das baixistas Simone e Selma, até chegar na formação atual. A banda produze um rock dançante, influenciado pela new wave dos anos 80, jovem guarda, punk rock e surf music, além de ritmos típicos do norte do país, como a guitarrada paraense.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Apesar das músicas contagiantes, o show de abertura do Autoramas foi morno. Boa parte do público ficou do lado de fora da pista, assistindo ao show pelos televisores espalhados na área do bar. O show de abertura começou por volta das 22h10 e durou cerca de 30 minutos. Pode ser que tenha funcionado como trilha sonora para a chegada do fãs do Barão, que aos poucos lotavam a casa de espetáculo, mas ajudou a dar o clima de rock ao local e fez o seu dever de casa. Faltou interação, mas sobrou música. É sempre uma tarefa difícil abrir um show, ainda mais quando se trata de uma banda como o Barão Vermelho.

De Cazuza a Rolling Stones
Já passava das 23h quando Frejat e cia subiram ao palco e abriram o show com o sucesso “+ 1 dose”, que dá nome à turnê. O cenário, simples, mas funcional, se resumia a uma tela com desenhos geográficos, onde eram projetadas imagens diversas, que provocavam um efeito tridimensional. Parece que o público aprovou, porque cada nova projeção era seguida de gritos dos fãs mais histéricos. Logo no início, o som pareceu apresentar algum problema, obrigando o a banda a falar, por diversas vezes, com a produção no palco. Em certos momentos, era possível notar a guitarra, por exemplo, mais alta do que a voz de Frejat.

“É uma emoção muito grande poder trazer esse show para o Rio de Janeiro, que é a nossa casa. Não sabemos quando iremos voltar a tocar juntos novamente, mas quero este show seja para vocês inesquecível”, disse Frejat, aos fãs.

O repertório, como não poderia deixar de ser, trouxe canções do disco de estreia, reeditado no final de 2012 com faixas bônus e novas mixagens, como “Billy Negão” e “Bilhetinho Azul”. E ainda sucessos que marcam a carreira do quinteto carioca, como “Pro dia nascer feliz”, “Declare Guerra”, “Maior Abandonado”, “Por Você”, “Pro Dia Nascer Feliz” e “Pense e Dance”. Entre tantos sucessos conhecidos, a banda apresentou a inédita “Sorte e azar”, que foi encontrada com a voz de Cazuza em fitas dos arquivos da Som Livre.

Em “A Chave da Porta da Frente” Frejat dedicou a canção ao amigo cantor e compositor Leoni, que assina a música com ele. Leoni era uma das celebridades que foram ao show. Em seguida, o Barão tocou “Puro êxtase”, um dos seus grandes sucessos, que fez o público sair do chão. Foi de estremecer a estrutura da casa de espetáculo. O show teve espaço ainda para uma homenagem ao Legião Urbana, com o sucesso “Quando o sol bater na janela do seu quarto”.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Cazuza, o poeta está vivo
Como não poderia deixar de ser, o Barão Vermelho dedicou uma parte do show a Cazuza, que integrou a banda até 1985, quando partiu em carreira solo. Um dos momentos altos do show foi durante “O Tempo não para”, levando o público a cantar em forte e bom som. Nesse momento, era impossível se manter parado e não se emocionar. Em seguida, foi a vez de “Maior abandonado”, que também ficou famosa na voz de Cazuza. Essa foi a deixa para abanda encerrar o show antes do já tradicional bis.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação)

Antes do bis, porém Frejat comandou um “parabéns para você” para o guitarrista Fernando Magalhães, que fazia aniversário. Em seguida, ele convidou ao palco o amigo saxofonista Beto Saroldi, que fez uma participação em “Tente outra vez”, de Raul Seixas. Em seguida, foi a vez de “Pro dia nascer feliz” e “Codinome Beija-Flor”, também de Cazuza. Já na parte final do show, Frejat chamou de volta ao palco Beto Saroldi e os músicos do Autoramas. Juntos, eles tocaram “Satisfaction”, dos Rolling Stones, fechando com chave de ouro a despedida do Barão.
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