Prêmio Shell de Teatro do Rio consagra atriz Renata Sorrah

Por João Marcos Guerra

A atriz Renata Sorrah e seu troféu (Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

A noite de terça-feira (19) foi especial para o teatro brasileiro, principalmente para a atriz Renata Sorrah, que saiu consagrada do 25º Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro. A cerimônia de entrega das cobiçadas conchas douradas reuniu grandes nomes dos palcos no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O grande vencedor da noite foi o espetáculo “Esta Criança”, que arrebatou quatro treoféus, incluindo o de melhor atriz para Renata Sorrah. A atriz dedicou o prêmio aos colegas de cena.

"Foi aqui nesse palco que eu vi pela primeira vez a Companhia Brasileira de Teatro fazendo Vida, e quando acabou esse espetáculo eu disse que que queria trabalhar com eles. E foi um sonho que se tornou realidade. Dedico esse prêmio a toda equipe e elenco desse projeto e dessa peça e à Rosita Thomaz Lopes", disse ela, que aproveitou o momento para fazer uma apelo contra o fechamento de casas de espetáculos do Rio: “Vamos abrir os teatros. Não dá mais para ficar assim”.

Nicette Bruno e Beth Goulart (Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

Criado em 1989, o Prêmio Shell de Teatro é considerado pela classe artística como uma referência nos palcos brasileiros. De acordo com os organizadores, em cada edição, são divulgadas duas listas de indicados ao longo do ano, com as peças que estrearam no primeiro e segundo semestres. O júri do Rio de Janeiro é formado por Ana Achcar, Bia Junqueira, João Madeira, Macksen Luiz e Sérgio Fonta. Juntos, eles tiveram a difícil tarefa de escolher os melhores em nove categorias: autor, diretor, ator, atriz, cenário, iluminação, música, figurino e uma categoria especial.

Entre tantos concorrentes, duas peças se destacaram com um maior número de indicações nesta edição. Além de “Esta criança”, que concorreu em cinco categorias, o espetáculo “A marca da água” disputou três conchas douradas. As esculturas foram desenhadas pelo artista plástico Domenico Calabroni, inspiradas no símbolo da Shell. Além do troféu, os vencedores também levarm para casa uma premiação individual de R$ 8 mil.

Uma grande estrutura foi montada para receber os artistas, que apesar do mau tempo, compareceu em peso. O ator Tonico Pereira, que concorria na categoria Melhor Ator, era um dos mais animados. Já as atrizes Nívea Steman e Simone Spoladore, que oncorria como Melhor Atriz, aproveitaram a ocasião para colocar o papo em dia. Quem também estava por lá esbanjando simpatia foi a atriz Drica Moraes, que também disputava a preferência do júri por sua atuação em “A primeira vista”.  Atriz aproveitou para falar do seu trabalho na TV.

“Eu estou adorando trabalhar ao lado do Fernando (Eiras, ator). Tem sido uma diversão para mim. Eu não esperava essa repercussão toda e a Nieta é uma delícia de fazer. O bom desse núcleo é que tem de tudo um pouco, comédia, drama e até pequenas maldades”, disse a atriz que se prepara para gravar um filme sobre o ex-presidente Getúlio Vargas, no segundo semestre.

E a concha dourada vai para...
Já passava das 21h quando começou o 25º Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro. O diretor de comunicação da Shell na América Latina, o engenheiro Fábio Caldas, falou sobre a importância do prêmio para o Brasil. Em seguida, as apresentadores Nicetti Bruno e Beth Goulart, mãe e filha, falaram sobre a história do prêmio e de sua influência para o teatro brasileiro. Após esse momento, elas anunciaram a primeira categoria da noite, música, que foi para Alexandre Elias, por "Gonzagão - A Lenda". Ao receber o prêmio, ele dedicou ao diretor João Falcão.

"Hoje ele (João Falcão) é um grande amigo, um dos maiores diretores e autores do mundo. Quando eu era pequeno, meus pais sempre me incentivaram na música. Uma vez eu ganhei uma sanfoninha e sempre me colocavam para ouvir Luiz Gonzaga. Acho que foi daí que começou a surgir a minha inspiração. Apesar de já ter sido indicado outras vezes, dessa vez é especial", disse ele.

(Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

Nadja Naira levou o prêmio de melhor iluminação por "Esta Criança", e dedicou aos colegas de palco. "Estou chocada. O teatro a gente não faz sozinho, a gente faz com vocês. Dedico então esse prêmio à minha companhia de teatro de Curitiba", disse ela. O espetáculo também levou o prêmio de melhor direção para Marcio Abreu. Visivelmente emocionado, ele brincou com o fato de estar sempre viajando a trabalho e dedicou o prêmio em especial para a atriz Renata Sorrah.

Gustavo Gasparini
(Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)
O prêmio de Melhor Figurino foi para Teca Fichinski, por "Valsa n 6". Ao receber o troféu, ela disse que sonhou com o figurino do espetáculo. "Isso aqui é um sonho. É um sonho mesmo porque eu sonhei com o figurino do espetáculo e depois fui correndo contar para o elenco, que abraçou a ideia. Sonhei com a Luiza Tirré (atriz) enrolada no vestido no Theatro Municipal. Eu divido esse prêmio com alguém que está aqui, mas não mora aqui. Pai, é nosso", disse ela, visivelmente emocionada.

Na categoria autor, o prêmio foi para a dupla Mauricio Arruda Mendonça e Paulo Moraes por "A Marca da Água". Já Gustavo Gasparini arrebatou o prêmio de Melhor Ator por sua atuação em "As Mimosas da Praça Tiradentes": "Eu como 'cavalo' desse personagem estou super feliz por esse prêmio, mas ela (Vanilla) está triste, porque ela queria ter levado o premio de melhor atriz. Depilou até as axilas para esta noite", brincou ele, que completou: "eu completei 35 anos de carreira e esse, sem dúvida, é o melhor presente", brincou.

À Walmor Chagas
O ator Walmor Chagas, que cometeu suicído no início do ano, foi o grande homenageado da noite. Imagens do ator foram exibidas no telão, fazendo um passeio virtual por toda sua carreira nos palcos e na televisão. Emocionado, o público ouviu o poema “Vou-me embora para Passárgada”, de Manuel Bandeira, narrado pelo próprio ator. A única filha de Walmor Chagas, Clara Becker, fruto do relacionamento com Cacilda Becker, recebeu o troféu das mãos das apresentadoras, e fez um breve agradecimento.

"Agradeço aos jurados pela homenagem, pela bela noite. Dizer do orgulho de ser filha do Walmor, em sua linda história de talento, de amor, é uma emoção muito grande, ele certamente está em "Passárgada. É uma linda homenagem. Obrigado", disse ela.

Clara Becker (Foto: Caroline Dlugoss/Contracen@rte)

Veja lista completa dos vencedores (em negrito) do 25º Prêmio Shell de Teatro do Rio:

Autor
Carla Faour por "Obsessão"
Julia Spadaccini "Quebra-Ossos"
Maurício Arruda Mendonça e Paulo Moraes por "A marca da água"
Pedro Kosovski por "Cara de cavalo"

Direção
Felipe Hirsch por "O livro de itens do paciente Estevão"
Henrique Tavares por "Obsessão"
Marcio Abreu por "Esta criança"
Moacir Chaves por "Negra felicidade"

Ator
Bruce Gomlevsky por "O homem travesseiro"
Gustavo Gasparani por "As mimosas da Praça Tiradentes"
Leonardo Medeiros por "O livro de itens do paciente Estevão"
Tonico Pereira por "A volta ao lar"

Atriz
Drica Moraes por "A primeira vista"
Kelzy Ecard por "Breu"
Patricia Selonk por "A marca da água"
Renata Sorrah por "Esta criança"
Simone Spoladore por "Depois da queda"

Cenário
Adriano Guimarães, Fernando Guimarães e Ismael Monticelli por "Nada"
Doris Rollemberg por "Querida Helena Sergueievna"
Fernando Marés por "Esta criança"
Paulo de Moraes por "A marca da água"
Vandré Silveira por "Farnese de saudade"

Figurino
Flavio Souza por "Os mamutes"
Kika Lopes por "Gonzagão – a lenda"
Samuel Abrantes por "O auto da compadecida"
Teca Fichinski por "Valsa nº6"

Iluminação
Adriana Ortiz por "Adeus a carne ou go to Brazil"
Luiz Paulo Nenen e Thiago Mantovani por "O homem travesseiro"
Maneco Quinderé por "A primeira vista"
Nadja Naira por "Esta criança"

Música
Alexandre Elias por "Gonzagão – A Lenda"
Domenico Lancellotti por "Modéstia"
Felipe Storino por "Esta criança"
Lucas Macier e Fabiano Krieger por "Adeus a carne ou go to Brazil"

Categoria especial
Grupo Alfândega 88 pela ocupação do teatro Serrador
Beto Carramanhos pelo visagismo dos espetáculos "As mimosas da praça Tiradentes" e "O mágico de Oz"
Frederico Reder pela reforma e reabertura do teatro Tereza Rachel, atual Theatro Net Rio
Projeto "Complexo Duplo" pela política de ocupação artística do teatro Glaucio Gil.
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