'Como Vencer na vida sem Fazer Força' diverte com humor pastelão e boa dose de deboche

Por Rodrigo Vianna


"Como Vencer na Vida sem Fazer Força" é uma hilariante comédia musical (Foto: Divulgação)

Mentir, puxar o tapete do outro e bajular o chefe. Essa é a fórmula usada pelo limpador de janelas J. Pierrepont Finch para subir na vida. Farsante e irônico, Finch é o esperto protagonista que manipula o chefão J. B. Biggley no musical “Como Vencer na vida sem Fazer Força”, que estreou na sexta-feira (8), no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, no Rio. O novo espetáculo da dupla imbatível Chales Moeller e Cláudio Botelho aposta no humor pastelão e diverte com boas piadas e números musicais que transformam a Cidade Maravilhosa na Broadway brasileira. De fato, “Como Vencer na Vida” é um delicioso deboche ao mundo corporativista.

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No palco, os atores Gregório Duvivier e Luiz Fernando Guimarães dão vida aos dois protagonistas. Juntos, eles provam a boa química e rendem grandes cenas, muitas vezes regadas a improvisação. Novato em musicais, Duviver consegue dar ao seu J. Pierrepont Finch um ar ingênuo, mas ao mesmo tempo esperto e manipulador, capaz de atropelar a tudo e a todos, até mesmo a sua doce e atrapalhada Rosemary, aqui vivida por Letícia Colin, para chegar ao topo. Já Luiz Fernando Guimarães brinca no palco e passeia pela comédia com o seu hilariante J. B. Biggley. Boa sacada dos diretores, era impossível essa dupla não dar certo.

(Foto: Esdras Sottnas/Contracen@rte)
O musical é a  versão nacional de “How to Succeed in Business Without Really Trying”  que foi lançada na Broadway em 1961, com texto de Abe Burrws, Willie Gilbert e Jack Weinstock, com músicas de Frank Loesser e coreografia de Bob Fosse.  Em 1995 Matthew Broderick trouxe a peça de volta, alcançando enorme sucesso e ainda ganhou o prêmio Tony. A primeira vez que foi encenada no Brasil foi em 1964, no Teatro Carlos Gomes. Tinha no seu elenco Procópio Ferreira, Moacyr Franco e Marília Pêra, numa tradução de Carlos Lacerda. 

Sátira ao mundo corporativo
A história de J. Pierrepont Finch é o pano de fundo ideal para uma sátira ao mundo corporativo, representado pela World Rebimboca Company, empresa cujo ramo de atuação nunca é revelado e nem os próprios funcionários parecem saber o que a firma realmente produz. Toda a conduta de Finch é guiada por um livro, também chamado "Como Vencer na Vida Sem Fazer Força", que ele consulta em vários momentos do espetáculo e aparece em cena através de uma voz em off. Depois da televisão, teatro e internet, Gregório Duvivier faz sua estreia em musicais. Aos 26 anos, ele apresenta uma atuação hilariante, digna de veterano.

(Foto: Esdras Sottnas/Contracen@rte)
Tudo começa com Finch em mais um dia de trabalho como limpador de janelas. Ao ler o livro,  ele decide então dar um novo rumo à sua vida. Com número musicais empolgantes, apesar de não tão memoráveis, “Como Vencer na Vida sem Fazer Força” já começa dizendo a que veio: com muito humor, sem economizar no improviso, o que nesse caso é muito bom. A interpretação de Duvivier dá ao seu personagem um tom original e com a sua cara. Em entrevista ao Contracen@rte, o ator já havia revelado não ter receio de comparado com o ator Daniel Radcliffe, que faz o Finch na Broadway.

"Eu acredito que tenha conseguido dar o meu toque pessoal ao Finch. Eu parti do zero e criei um personagem a partir da minha criatividade. Eu acredito que o ator é autor também, eu gosto muito desse tipo de ator, inclusive. Como o próprio Luiz Fernando, que é uma escola viva. Para mim ele é o mestre de toda nossa geração que faz esse tipo de humor mais sutil, desprovido de caricaturismo, um tipo de atuação crua. Vem muito daí, também, o meu processo de criação. É um momento muito legal este que estou vivendo. O trabalho com o Luiz Fernando tem a maior química", disse.

(Foto: Divulgação)
Lugar ao sol
Finch conhece então o obtuso e superburocrático J. B. Biggley, e vê nele a possibilidade de, enfim, conseguir o seu lugar ao sol. Com 20 centímetros de altura de diferença entre os dois, Gregório e Luiz Fernando nos lembram outra grande dupla da comédia, o “Gordo e o Magro”. A partir daí começa a saga do limpador de janelas, que de entregador de cartas chega a vice-presidente de Marketing. A sintonia entre a dupla é percebida dentro e fora dos palcos. Em cena, os atores – que nunca haviam trabalhado em um espetáculo musical – dançam e cantam juntos. É impossível tirar o olho dessa dupla. 

Os incríveis números musicais situam o espectador no clima de deboche proposto pelos diretores, como na cena em que Finch pede para que o presidente do conselho não demita os funcionários, mesmo que um deles seja meio estúpido e o outro um bobalhão. Os atores se preparam por oito semanas e tiveram aulas de canto e dança: “Foram dois meses muito intensos. Esse é um período muito curto para uma peça tão complicada. Então, para compensar isso, os dias de ensaio foram muito longos. É muita coisa, você ensaia tudo! Durante essa maratona, não dá pra fazer outra coisa na vida ”, disse Gregório.

(Foto: Esdras Sottnas/Contracen@rte)
Elenco de primeira
No quesito voz, Gottsha dá um verdadeiro show e mostra toda sua potência quando canta “O Clube dos Irmãos”, a melhor música e o número mais empolgante deste musical. Como uma verdadeira diva, ela sobe na mesa e é rodeada pelos funcionários da firma numa dança frenética e cheia de criatividade. A atriz/cantora possui uma participação pequena, mas marcante. Outra que consegue se destacar no canto e na atuação é a atriz Letícia Colin, que soube dar o tom certo de humor à sua atrapalhada Rosemary. A atriz, que já havia trabalhado com a dupla de diretores em “Hair” e “Beatles no Céu de Diamantes” rende risadas e emociona.

Adriana Garambone como Hedy La Rua
(Foto: Divulgação
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Outro que brilha em cena é o ator André Loddi, que impressiona na pele do medíocre Bud Frump, rival do Finch de Duvivier na escalada da empresa. Mais uma prova da boa safra de atores revelada pelos grandes musicais. Por fim, somos presenteados pela grande atualção da atriz Adriana Garambone, que arrancou aplausos calorosos pela sua “secretária” Hedy La Rue. Fazendo a típica “sou burra, mas sou gostosa”, a atriz rende grandes cenas, com a sua voz que lembra os simpáticos ratinhos do filme “Babe, o porquinho atrapalhado”.

Digna de produção hollywoodiana, o espetáculo recria  todos os ambientes comuns das grandes empresas. A cenografia, assinada por Rogério Falcão, recria toda rotina de uma grande firma com a ajuda de seis painéis que correm, de um lado para o outro, durante toda história, transformando o ambiente, ora sala pessoal de Biggley, ora a fachada do prédio. Rogério consegue expressar através dos seus cenários a típica Nova Iorque da década de 60 (quando a história foi originalmente escrita), sem deixar de ser velho ou atemporal.

A direção musical de Paulo Nogueira também merece atenção. As músicas ganharam belas versões nas mãos do diretor Cláudio Botelho, deixando-as mais atraentes do que até mesmo as originais. A coreografia de Alonso Barros, unida ao trabalho de encenação dos  bailarinos/atores/cantores dão um frescor à história e são um convite à parte para o público poder mergulhar na história. Por muita vezes é dificil se manter parado na cadeira. “Como Vencer na Vida sem Fazer Força” tem seu mérito não só por ser uma comédia musical, mas também por contar com um grande elenco, que não precisam de muito trabalho para fazer deste mais um grande sucesso.

(Foto: Divulgação)
Serviço:

"Como Vencer na Vida Sem Fazer Força"

Direção: Cláudio Botelho e Charles Moeller
Quando: Quintas e sextas, às 21h. Sábados, às 17h e 21h. Domingos, às 19h
Onde: Teatro Oi Casa Grande - Avenida Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro
Quanto: de R$ 30 a R$ 190

(Com informações do parceiro Botequim Cultural)
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