“Thriller Live Tour” mantém viva a obra de Michael Jackson

Por Rodrigo Vianna

(Foto: Divulgação)

Michael Jackson não morreu. Pode soar estranho essa frase, que ficou conhecida entre os fãs de Elvis Presley, mas quase quatro anos após a sua morte, o Rei do Pop continua inspirando artistas do mundo inteiro. Prova disso, são as centenas de fã-clubes que surgem todo ano. E não para por ai, seus álbuns ainda despontam entre os mais vendidos e suas músicas se tornam hinos de várias gerações. Tal paixão, inspirou um musical já visto por mais de 2 milhões de pessoas em 23 países da Ásia e da Europa, e que agora chega ao Brasil. A estreia de “Thriller Live Brasil Tour”, na sexta-feira (22), lotou o Citibank Hall, na Zona Oeste do Rio.


Pela primeira vez na América Latina, “Thriller Live Tour” celebra os 40 anos de carreira de Michael Jackson, que morreu no dia 25 de junho de 2009. O espetáculo traz a estrutura original da montagem inglesa, onde está em cartaz desde 2007: toneladas de equipamentos de som, iluminação, cenários, figurinos e efeitos especiais. Criado por Adrian Grant, “Thriller Live Tour” leva aos palcos as várias fases de sucesso da carreira do Rei do Pop por meio de performances vocais, efeitos visuais e coreografias marcantes. Depois do Rio, será a vez de São Paulo receber o musical, no dia 9 de maio, no Credicard Hall.

(Foto: Reprodução/Internet)

O Contracen@rte marcou presença na premiére de “Thriller Live Brasil Tour”, na quinta-feira (21), e conferiu de perto a mega estrutura montada para o musical. E não falo só de luzes e som. Para a montagem brasileira, o espetáculo conta com a participação de artistas nacionais, como Isacque Lopes, de 11 anos, que interpreta Michael ainda criança na fase do “The Jackson 5”. Morador do Rio de Janeiro, Isacque é, sem dúvida, um dos destaques do show. Dançarino nato, ele mostra no palco que suas aulas de jazz, ballet, hip hop e sapateado estão valendo a pena. Durante todo o espetáculo, ele surpreende com sua habilidade e leveza nas coreografias.

Mesmo sem fazer nenhuma aula de canto, o garoto consegue arrancar aplausos da plateia com sua voz, principalmente ao interpretar sucessos como “I’ll be there”, “Music and me”, “I want you back” e “ABC”. Quem também faz uma participação especial é a cantora e atriz Leilah Moreno, revelada no “Programa Raul Gil” e na série “Antônia”. Com uma voz potente, Leilah nos presenteia com uma emocionante interpretação de “Earth Song". É dela, também, a responsabilidade de abrir a noite. Além de cantores, o musical também conta com bailarinos nacionais e de outros países. Aliás,  as coreografias são outro destaque do show.

(Foto: Reprodução/Internet)

Eis que surge a fase “The Jacksons”, com "Blame it on the boogie", hora em que o clima, que estava um pouco morno, esquenta. Cumprindo a função de narradores da história, o brasileiro Renato Marx e os estrangeiros se alternam no português e no inglês legendado, causando certa estranheza. Mas a festa (e a narrativa) tem que continuar, com intervenções dos dançarinos, tentando adaptar o vocabulário coreográfico de Michael à tradição brasileira. E assim se chega a "Off the wall", primeiro álbum de grande sucesso de Michael. Durante a balada "She's out of my life", o vocalista Alexander Ko pecou nos excessos.

Apesar do mesmo conceito, “Thriller Live Brasil Tour” se difere do musical nacional “Tributo This is It”, que passou pela cidade no dia 28 de setembro do ano passado. Aqui, Michael Jackson aparece não como um personagem, mas como um símbolo. Um time de quatro cantores se reveza e traz ao palco grandes sucessos do cantor. Fica claro, então, a ideia de Adrian Grant de apresentar um tributo em forma de concerto, um show ensaiado e eletrizante, com coreografias que ficaram mundialmente famosoas pelo Rei do Pop. Prova disso é a reação da plateia cada vez que os bailarinos realizam o “moonwalker”e deslizam pelo palco. É de arrepiar.

(Foto: Reprodução/Internet)

Em cena, no total, 16 artistas brasileiros se unem a cantores e à banda da produção original inglesa. Além do hit "Thriller" - que dá nome ao espetáculo -, são interpretados os maiores sucessos do Rei do Pop, como "Beat It", "Billie Jean", "Bad Dangerous" e "Black and White". O show também passou por adaptações, ganhando cenários muito bem conhecidos pelos brasileiros, como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar. Além disso, legendas surgem no telão a cada vez que um dos cantores ingleses fala com a plateia.

Surpresas
Um show cheio de surpresas que leva o público a presenciar e imaginar o que seria a magia criada por Michael Jackson para seu show de despedida, o “This is It”. Durante a apresentação de “Can You Feel it” e “Beat it” o palco é transformado numa grande discoteca, com direito a globo e muitas cores. É quando os cantores, entre eles uma mulher, convidam o público para dançar e participar. A essa altura, os fãs que estavam sentados em suas mesas, se levantam e caem da dança, estremecendo as estruturas do Citibank Hall. Durante “Human Nature” surge no telão um paisagem do Rio de Janeiro vista do alto. Mais uma grande sacada do diretor.

(Foto: Reprodução/Internet)

Já em “Smooth Criminal” fica claro a intenção de Michael em fazer um vídeo clipe ao vivo, gangster, dançarinas sensuais no palco recriam a atmosfera do vídeo clipe, incluindo o efeito “The Lean' (onde o corpo se projeta 45 graus) tudo ao vivo. Um dos pontos altos do espetáculo. Dividido em dois atos, o show conta ainda com banda ao vivo e muitas projeções que ora mostram imagens do cantor, ora servem como pano de fundo para as coreografias apresentadas. O cenário é composto por duas escadas laterais que ganham iluminação colorida durante toda a encenação.

Estrutura irregular prejudica espetáculo
Porém, como nem tudo são flores, há se ressaltar alguns pontos negativos do espetáculo. Um deles é sua estrutura irregular. Os números musicais coreografados são intercalados com apresentações solo que em alguns momentos deixaram a plateia apática, caso de "Heal the World". No entanto, os momentos de euforia ficam em sua grande parte no segundo ato pela presença de Sean Augustas. É Sean quem interpreta Michael nos números de maior apelo pop, como em "Dangerous", além de "Billie Jean" e "Thriller", esta última executada com ajuda de bailarinos vestidos de zumbis.

(Foto: Reprodução/Internet)

A sequência final do show conta ainda com "Bad" e "Black or White". Neste momento todo o público, já de pé, também repetia e ensaiava o famoso "moonwalker". Resumindo, “Thriller Live Brasil Tour” é um concerto em homenagem à Rei do Pop e uma celebração à sua obra. Para quem busca um show repleto de sucessos, em clima de nostalgia, é um prato cheio. O que se vê no palco é uma tentativa (em alguns momentos frustrada) de fazer uma releitura das músicas de Michael, mas isso está longe de ser um problema para os fãs. O musical, de fato, diz a que veio e mantém viva a obra do Rei do Pop.

(Foto: Reprodução/Internet)

Conheça o repertório do espetáculo:

"ABC"
"The Love You Save"
"I Want You Back"
"I’ll Be There"
"Show You the Way to Go" / "This Place Hotel" / "Another Part of Me"
"Shake Your Body"
"Blame It On the Boogie"
"She’s Out of My Life"
"Off the Wall"
"Get on the Floor"
"Rock With You"
"Never Can Say Goodbye"
"Don’t Stop Til’ Get Enough"
"Can You Feel It"
"Wanna Be Starting Something" / "Dancing Machine" / "P.Y.T."
"Beat It"
"The Way You Make Me Feel"
"I Just Can’t Stop Loving You"
"Smooth Criminal"
"Dirty Diana"
"Dangerous"
"Man in the Mirror"
"They Don’t Care About Us"
"Heal the World"
"Billie Jean"
"Thriller"
"Bad"
"Black or White"
"Smooth Criminal" (reprise)
"Thriller" (reprise)
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!