Surpresa! Milton Nascimento canta em lançamento do CD do musical “Nada será como Antes”

Por Rodrigo Vianna

Milton Nascimento ao lado do diretor Cláudio Botelho (Foto: Rodrigo Vianna / Contracen@rte)


Emoção e surpresas marcaram o lançamento do CD do musical “Milton Nascimento: Nada será como Antes”, na noite de quinta-feira (17), no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Após uma temporada de sucesso em São Paulo, o espetáculo volta ao Rio e traz na bagagem o álbum com as músicas que emocionaram milhares de pessoas. Durante a apresentação do musical, um momento especial. Milton Nascimento sobe ao palco e canta ao lado do diretor e produtor Cláudio Botelho, levando a plateia ao delírio.


A noite foi mágica. Na plateia, convidados especiais como o autor Silvio de Abreu, a atriz Nathalia Timberg e o jornalista Sérgio Cabral. Para o elenco, foi mais do que uma apresentação, foi um momento para guardar na história. A felicidade estava nos olhos dos artistas. De fato, é um grande marco para o musical. Não é sempre que uma produção consegue o aval e a benção do compositor para a gravação do CD. Milton Nascimento, que acompanhou de perto o espetáculo desde os ensaios, fez questão de estar presente na produção do CD.

(Foto: Rodrigo Vianna / Contracen@rte) 

Mais uma vez, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho nos presenteia com uma obra mágica, de qualidade, emocionando até mesmos os corações mais frios. A ideia do musical veio durante uma pesquisa à vasta lista de clássicos que Milton Nascimento produziu ao longo dos últimos 50 anos. Ao longo de 90 minutos, 14 músicos (todos os cantores também tocam algum instrumento) oferecem uma galeria de canções que emocionam a plateia. É impossível não acompanhar, uma verdadeira sinfonia para os ouvidos.

O musical deu início à parceria da Möeller & Botelho com a GEO Eventos, empresa da Globo Comunicação Participações SA. A dupla desenvolveu, ao longo dos últimos anos, uma relação de admiração mútua com Milton, que já esteve presente na plateia em outros espetáculos da dupla. “Talvez o caminho mais fácil fosse fazer uma biografia. Preferimos uma travessia: mostrar a obra, que é o que importa, e não o autor’, contou Botelho, que define o novo espetáculo como uma revista musical sem texto, onde cada canção ou pout-pourri ressurgem em cenas, diálogos e situações dramáticas.

(Foto: Rodrigo Vianna / Contracen@rte) 

Homenagem à altura de Milton Nascimento
Visivelmente emocionado com o lançamento do CD, o diretor Charles Möeller se disse orgulhoso com o resultado. Segundo ele, “Milton Nascimento: Nada será como antes” é um projeto que começou a ser pensando antes mesmo da parceira com a Geo. Ele contou que o cantor sempre foi fã da dupla e que o espetáculo é uma espécie de “encomenda” do Milton, que chegou a assistir “Beatles num Céu de Diamantes” por sete vezes. Möeller disse que sempre teve a vontade de prestar essa homenagem, mas nunca dava para encaixar na agenda.

A atriz Nathália Timberg e o produtor Edson Lopes (Foto: Divulgação)

“Desde o começo desse projeto foi só felicidade. Um projeto nosso, quase que uma encomenda do Milton para a gente. Eu já o conhecia há muito tempo e a gente ficava namorando, namorando, e nunca dava para encaixar a agenda. Daí quando a gente saiu da Aventura (Aventura Entretenimento, produtora), eu pensei que o nosso primeiro projeto como Möeller & Botelho e Geo tem que ser o Milton, que era um projeto que a gente vinha fazendo, essencialmente brasileiro, uma comemoração de 50 anos da carreira dele”, contou Möeller.

O diretor revelou, ainda, que não houve audição para o espetáculo. Segundo ele, a preocupação de se fazer um musical à altura de Milton Nascimento era tão tanta que foram convidados profissionais que já haviam trabalhado com a dupla: “Nós chamamos pessoas que a gente já tinha trabalhado a vida inteira, que têm a ver com toda minha trajetória e a trajetória do Cláudio (Botelho)”, disse.

Tudo no musical parece ter sido pensado nos últimos detalhes. Com temas pastoris pintados no interior do ambiente na cenografia de Rogério Falcão, a estrutura neoclássica do cenário traduz uma fazenda, o interior, a roça. No palco o tempo todo, o grupo de atores e músicos dá voz a temas fundamentais da música de homenageado, como amor, amizade, criação artística, negritude, brasilidade e solidão.

Modelo de sucesso
“Nada será como antes” segue o mesmo modelo do bem sucedido “Beatles num Céu de Diamantes, que a dupla Claudio Botelho e Charles Möeller estreou há seis anos, inaugurando estilo de encenar repertório musical. Dividida nas quatro estações do ano, a montagem reúne na primavera canções de uma certa evasão poética. Cada um na plateia, assim, elege as canções que lhe são mais importantes e define o ápice da produção e o tamanho do seu desfecho. Essas categorias climáticas servem, à perfeição, para abranger os momentos da música de Milton Nascimento e da poética de seus parceiros – Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Lô Borges, Márcio Borges.

(Foto: Divulgação)

“Bola de Meia, Bola de Gude”, “Aqui é o País do Futebol” compõem o Verão, “A Cigarra”, “Um Girassol da Cor do seu Cabelo” e “Nuvem Cigana” dão colorido à Primavera. Clássicos que atravessaram gerações, como “Cais”, “Caçador de Mim”, “Encontros e Despedidas” e “Faca Amolada”, moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com “Nada Será como Antes” e “O que foi Feito Deverá”. Não faltam, claro, “Coração de Estudante”, “Nos bailes da vida”, “Capoeira Camara” e “Maria, Maria”.

Mas o maior destaque de “Nada será como antes” está na força musical, seja na direção de Claudio Botelho, nos excelentes arranjos e orquestração de Délia Fischer, nos ótimos arranjos vocais de Jules Vandystad e nos atores-músicos. Estrela Blanco, Jonas Hammar, Jules Vandystadt, Pedro Aune, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Kohler e Whatson Cardozo, em conjunto e individualmente, apresentam bons números musicais, mas Claudio Lins, Cassia Raquel, Délia Fischer, Lui Coimbra, Marya Bravo e Wladimir Pinheiro lideram o grupo porque, além de técnica, dão lugar para a emoção que as canções pedem.

(Foto: Divulgação)

Canções com marcante interpretação e arranjos originais e com os quais Milton consolidou sua carreira, ganham ar renovado, mas sem retirar-lhes o sopro poético e a riqueza melódica. O elenco, de vozes emocionantes e presença de palco, deve ser destacado como um todo. Dos temas bucólicos às relações, a obra de Milton Nascimento atravessa vários setores da alma humana, abrindo docilmente algumas fendas definitivas. “Nada será como antes” é uma merecida homenagem à altura de Milton Nascimento. 

As muitas estações de Milton
A vastidão da obra foi um desafio encontrado pela dupla na hora de selecionar o repertório final e formatar o roteiro. "Chegamos a pensar em fazer somente o 'Clube da Esquina', para ter um recorte mais focado, mas seria injusto deixar dezenas de clássicos de fora", explica o diretor, que optou por uma divisão do musical em quatro atos correspondentes às estações do ano.

(Foto: Divulgação)

Enquanto composições que remetem a um solar imaginário interiorano ('Bola de Meia, Bola de Gude', 'Aqui é o País do Futebol') compõem o 'Verão`, 'A Cigarra', 'Um Girassol da Cor do seu Cabelo' e 'Nuvem Cigana' dão colorido à Primavera. Clássicos que atravessaram gerações ('Cais', 'Caçador de Mim', 'Encontros e Despedidas' e 'Faca Amolada') moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera'. "Cada canção tem uma ideia, uma cena fechada, que tem uma ligação nem sempre explícita com a seguinte. São histórias dentro de uma mesma história", conta Charles.

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