“Eu sou a rainha do musical”, diz Lucinha Lins sobre sua volta aos palcos com “Rock in Rio – O Musical”

Por Rodrigo Vianna

 Lucinha Lins em "Rock in Rio - O Musical" (Foto: Divulgação)
 
Mais de 30 anos após sua estreia em musicais, a atriz Lucinha Lins está de volta aos palcos. Dessa vez, a experiente atriz tem a responsabilidade de contar a história do maior festival de música do mundo. Prestes a completar 60 anos, Lucinha mostra que tem fôlego de sobra ao dar vida à professora Glória, em “Rock in Rio – O Musical”, que estrerou no dia 3 de janeiro, na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ao Contracen@rte, a atriz confessou que ainda fica nervosa a cada apresentação e que o "Rock in Rio" faz parte da sua vida.

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“Eu sou a rainha do musical. O meu último musical foi ‘A Ópera do Malandro, já tem alguns anos. Depois disso eu fiz alguns espetáculos como shows teatralizados, mas é muito diferente de musical, e o convite para fazer este espetáculo, nas mãos do João Fonseca (diretor), foi inegável. Eu vim a nado, estou muito feliz. Seria impossível não participar desse projeto porque o 'Rock in Rio' faz parte da trilha sonora da minha vida e marcou diversos momentos importantes”, disse a atriz, ainda com o figurino da sua personagem.

(Foto: Divulgação)

Com orçamento de R$ 12 milhões e produção 100% made in Brasil, o musical impressiona. Escrito por Rodrigo Nogueira (indicado ao Prêmio Shell por “Play”) e dirigido por João Fonseca (de “Tim Maia - O musical”), o “Rock in Rio - O Musical” conta uma história fictícia e lúdica, inspirada nas emoções e transformações que a música é capaz de provocar. O espetáculo brinda os 29 anos do festival e aposta novos e antigos sucessos para agradar várias gerações.

Sem localização geográfica ou temporal, a trama acompanha a trajetória de superação de Sofia (Yasmin Gomlevsky, de O diário de Anne Frank) e Alef (Hugo Bonemer, de Hair). Enquanto a menina, filha do organizador do maior festival de rock do mundo, não suporta ouvir música, o rapaz, mudo depois de sofrer um trauma familiar, tem um mundo particular, que expressa justamente pela música. No palco, Lucinha Lins faz a mãe de Alef, que sonha em ver o filho falar novamente. Para ela, “Rock in Rio – O Musical” vai agradar pais e filhos. 

(Foto: Divulgação)

Marco do teatro musical brasileiro
“Esse espetáculo ‘pega pelo pé’ desde quem tem 14 anos até quem tem 70. Acho que o maior desafio do Rodrigo Nogueira foi exatamente agradar a todos os públicos. Acredito que temos um marco dentro do teatro musical brasileiro. Está sendo uma grande responsabilidade e uma experiência incrível. Foi tudo pensado, nada ficou de fora. A Glória é um privilégio na minha vida, eu vejo muito dela em mim. Além de atuar, eu tenho a oportunidade de fazer a segunda coisa que eu mais amo na vida, que é cantar”, contou a atriz, que já possui três álbuns lançados.

A peça é embalada por sucessos que marcaram diferentes edições do Rock in Rio, como Pro dia nascer feliz, de Cazuza, Freedom, do George Michael, Marvin, dos Titãs, Fear of the dark, do Iron Maiden, entre outras, em versões originais e vertidas para o português pelo próprio autor. A direção musical é de Délia Fischer, que criou novos arranjos para as canções, alinhados com a dramaturgia de cada cena. Apesar da vasta experiência, Lucinha Lins assumiu que ainda sente “frio na barriga” antes de cada apresentação. Para ela, a sessão de terça-feira (8) foi especial.

(Foto: Divulgação)

“Cada público é muito diferente do anterior, e hoje (terça-feira) era uma noite muito especial, estávamos muito nervosos. Isso sempre vai acontecer, não importa se você está há três meses fazendo o espetáculo ou há um ano. Há noites que são muito especiais como a de hoje. Entramos todos muitos nervosos no palco, era importante agradar as pessoas presentes. Havia muitas autoridades, e a responsabilidade de fazer ‘Rock in Rio – O Musical’ é muito grande e pesa sobre todos nós. Nós queríamos fazer o melhor, e acho que a gente conseguiu”, disse. 

Viagem por várias gerações
A grandiosidade da Grande Sala da Cidade das Artes faz jus a espetáculo. Cenários grandiosos, telões de alta resolução e o que há de mais novo em tecnologia ajudam a dar o tom lúdico do espetáculo e transportam o público para uma grande viagem por várias gerações. De cara, o público é brindado com uma apresentação de “Pro Dia Nascer Feliz”. No centro do palco, Alef ganha a companhia de Cazuza, Ney Matogrosso, Frejat e outros nomes que fizeram histórias nesses 29 anos de Rock in Rio. Era impossível se manter parado na poltrona. O público cantou do início ao fim. Por 2h50, o teatro se transformou no maior festival de música do mundo.

(Foto: Divulgação)

No fundo político da história, o país vive a ameaça de um retrocesso, sem que a peça explicite do que trata exatamente. As autoridades falam em fechar universidades em reação a protestos estudantis e o empresário organizador do festival do rock (claramente inspirado no empresário Roberto Medina) reclama ter contra si o governador do Estado, o secretário de Segurança e o cardeal, numa referência discreta às resistências reais que Medina enfrentou quando tentava organizar o primeiro Rock in Rio. E a luta do jovem pelos seus direitos. Sofia aparece como uma líder estudantil, que passa o bastão para Alef no segundo ato, já falante, que se torna o símbolo da resistência.

Rodrigo Nogueira e João Fonseca nos presenteiam, ainda, com grandes cenas, como a visita do amigo Marvin (muito bem interpretado pelo ator Ícaro Silva) a Alef, quando ele cita os participantes do Rock In Rio. O público gosta do que ouviu e aplaude de pé. Outros momentos inesquecíveis foram “You`ve got a friend”, cantado por Glória a seu filho Alef; “Don`t let the sun go down on me”, cantado pelo elenco principal, o “Tema do Rock in Rio”, que encerra o primeiro ato; “Kiss” cantado por Mathias e Liv; e “Bohemian Rhapsody”, o melhor momento de toda a peça, cantado por Roger. 

Equipe criativa
Depois de levar à cena a trajetória de Tim Maia e lotar os teatros do Rio e de São Paulo, o diretor João Fonseca se entusiasmou com as novas possibilidades oferecidas pelo projeto de “Rock in Rio - O musical”. "Comecei a imaginar, de imediato, o incrível repertório de canções que poderia pôr em cena. Ter Queen na trilha sonora, por exemplo, é um luxo", entusiasma-se ele.

Estreante na dramaturgia de musicais, Rodrigo Nogueira optou pela criação e desenvolvimento de um grande número de personagens. "Não quis ter coro, optei por colocar mais de 20 personagens em cena, todos eles com suas peculiaridades, sua história. A partir deles, contamos uma grande história sobre o poder de comunicação que a música sempre teve. Desenhos a história baseada nas quatro edições nacionais do festival", explica o autor de Play, Ponto de fuga, Obituário ideal, entre outras peças. 

Rock in Rio: O festival
O Rock in Rio soma doze edições, sendo quatro no Brasil (1985, 1991, 2001 e 2011), cinco em Portugal (2004, 2006, 2008, 2010 e 2012) e três na Espanha (2008, 2010 e 2012). Quase sete milhões de espectadores estiveram presentes para assistir aos 968 artistas que passaram pelo evento. No total, foram mais de 979 horas de música, com transmissão para mais de 1 bilhão de telespectadores, em 200 países. A próxima edição será realizada nos dias 13, 14, 15, 19, 20, 21 e 22 de setembro de 2013, na Cidade do Rock (Parque dos Atletas Cidade do Rock: Av. Salvador Allende, s/nº).


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