Diogo Vilela estreia como autor no musical “Ary Barroso”

 Diogo Vilela como Ary Barroso (Foto: Divulgação)

Que Diogo Vilela é um grande ator, isso todo mundo já sabe. Agora, o público também poderá conferir o seu trabalho como escritor. Após viver a diva Zazá, em “A Gaiola das Loucas”, Diogo Vilela estreou na sexta-feira (18), no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio de Janeiro, o musical “Ary Barroso – Do Princípio ao Fim”, biografia do compositor de “Aquarela do Brasil”, escrita pelo ator especialmente para os palcos.  É dele também a direção do espetáculo, que fica em cartaz até o dia 31 de março, de quinta a domingo, sempre às 19h30.

O musical fala dos últimos dias do grande compositor que, acamado com total atenção de sua esposa, é chamado para ser homenageado pela Escola de Samba Império Serrano e ser tema do desfile daquele ano - 1964. Assim, Ary Barroso vai relembrando sua vida, a criação de seus grandes sucessos e também a presença de grandes personalidades e amigos que fizeram parte de sua vida como Carmem Miranda, Lamartine Babo, Aracy Cortes, Alda Garrido e outros, compondo um grande painel da vida artísticas da década de 30/40.

Ary Barroso, por Diogo Vilela
Ao ler a biografia de Ary Barroso “Recordações de Ary Barroso, último depoimento” de Mário de Moraes, que me foi ofertado por um colega do Ministério da Cultura, três coisas me chamaram a atenção, e, o ineditismo destas três coisas, havia me deixado pensativo por vários dias, como se eu refletisse que, através delas, exemplificadas aqui mais abaixo, algo tivesse de ser “dito” ou “criado”, pois elas estavam totalmente evidentes em seu conteúdo, na minha percepção artística, e através do depoimento de Ary ao jornalista Mário de Moraes.

(Foto: Divulgação)

Acho que, como ator e diretor de teatro, uma boa história nasce de conflitos, e a vida de Ary, contada por ele mesmo, me trouxe uma espécie de sensação de identificação, e me fez aos poucos querer conhecer melhor esse grande artista brasileiro. Homem de temperamento forte, com grande alcance poético em suas composições. Sua franqueza tão costumeira quanto sua ingenuidade mineira, ao descrever suas visitas aos EUA a sua mulher Ivone, em suas cartas, e, ao falar de Carmen Miranda, sua melhor amiga naquela época.

Sua lisura, e alma poética me encantaram! Quem seria realmente o compositor de “Aquarela do Brasil”? Como pode o destino, deixá-lo morrer no dia do aniversário de sua maior amiga, Carmen Miranda, mais precisamente no dia 9 de Fevereiro de 1964? Em pleno Carnaval, exatamente no dia em que seria tema da grande escola de samba Império Serrano no desfile daquela mesma noite?

“Ary Barroso - Do Princípio ao Fim”, meu primeiro texto apresentado, quer falar através do teatro, dessas fatalidades coincidentemente poéticas, que de certa forma fazem jus ao seu homenageado. Em cena, veremos essas coincidências, representadas por “sambistas da escola Império Serrano, que vem metamorfoseado em sua própria obra e canções, convidar um Ary que está morrendo, e que, ao saber da tal “homenagem popular” que lhe seria prestada, opta por recebê-la de braços abertos, ao deixar que se cumpra o destino que, invariavelmente o levaria a “morte”.

(Foto: Divulgação) 

Porém, não sem antes refletir em cena, cantando suas canções, junto ao mulato inzoneiro e sambistas, saídos de suas próprias composições. O questionamento se valeu a pena, sua vida seus versos e atos, que fizeram deste agora Ary “personagem”, o mote para um espetáculo que se pretende ter como alcance, mais que um gênero musical, e sim, uma biografia teatralizada vivenciada por seu protagonista como o grande testemunho dos fatos que realmente marcaram a nossa “Música Popular Brasileira”.

Em nossa peça, o “personagem Ary” confessa à sua própria obra, para nosso deleite, tudo que viu e sabe sobre o grande “legado de nossa música”. Nosso espetáculo mostra como seria uma acanhada despedida do nosso grande homenageado, aos seus “discípulos” O samba e o povo brasileiro! E, através de seu insólito destino, carregado de coincidências, filtrando seu fim, quase que em praça pública, comemora sua obra, tão cantada pelo povo que o espera na Avenida.

(Foto: Divulgação) 

No palco, veremos um Ary ainda “querendo” continuar a compor, e ainda “querendo” falar e citar pontos de vista, mesmo sabendo-se interrogado. Exatamente por ser avesso a biografias que, se desavisadas poderiam deturpar fatos e criar intrigas, nosso Ary cede a seus pupilos e confessa até mágoas, transformadas inesperadamente, em ajustes de contas dele mesmo com várias das personagens de sua época, como Lamartine Babo e Aracy Cortes, entre outros.

O compositor brasileiro que mais se destacou no “exterior”, sendo o único brasileiro a ter uma música de sua autoria na indicação ao “Oscar”, com todo um passado de glória no Teatro de Revista, até a fundação de fã clubes flamenguista, aparece aqui, em cena, fazendo toda uma revisão de sua vida, prevendo seu fim, mas também sendo forte para encará-lo, apresentando intimidades e fatos impossíveis de serem ignorados e que, para seu homenageado urgem em serem deixados para a eternidade, formando em cena uma metáfora de nossa memória cultural brasileira.

(Foto: Divulgação) 

"Ary Barroso - Do Princípio ao Fim" será meu primeiro espetáculo em que, uso a dramaturgia como base para compor um personagem, que, com suas idiossincrasias e composições geniais, tem, em minha opinião, um inquestionável valor histórico para o nosso país e que, através do teatro, merecem ser imortalizadas.

Serviço:

"Ary Barroso - Do Princípio ao Fim"

Local: Teatro Carlos Gomes, Praça Tiradentes/RJ.
Temporada de 18/Jan a 31/Mar de 2013, de quinta a domingo, 19h30min.
Classificação Etária 12 anos
Preços: Quinta-feira: R$ 20 e R$ 10 / Sexta a domingo: R$ 60 e R$ 30
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!