Crítica: "Holy Motors" é prato cheio para acadêmicos

Por Alessandro Cadarso

Cena de "Holy Motors" (Foto: Divulgação)

"Holy Motors" é um filme para debate. Sabe aqueles filmes que são citados anos depois em palestras, teses e trabalhos? Um prato cheio para acadêmicos, não só de cinema mas da vida em geral.

O filme, que é escrito e dirigido pelo francês Leos Carax, consegue nos fazer lembrar de outro filme muito comentado e estudado: "Cidade dos Sonhos", de David Lynch. Denis Lavant é Oscar, um sujeito que leva o dia a interpretar diversos personagens, passando do executivo ao louco e mendiga. A mudança de cada personagem é feita dentro de uma limosine, conduzida por Céline (Edith Scob).

(Foto: Divulgação) 

No início do filme, vemos o próprio diretor acordando e atravessando a parede de seu quarto, quando aberto por uma chave que é seu próprio dedo e nos mostrando um cinema onde espectadores assistem de olhos fechados. Ali, começa a história, onde ele nos entrega que o que se passará são cenas de um filme e a interpretação depende de você.

Trata-se de uma grande crítica ao futuro que o cinema pode ter.

(Foto: Divulgação) 

Filme para debate
Entretanto, muitas outras possibilidades podem ser enxergadas em Holy Motors. Como a vida de cada cidadão, que dia após dia tem que interpretar muitos papéis e muitas vezes, sem nem saber porque fazer. Trabalhos, lazer, família, tudo isso é retratado no filme, seja como cenas filmadas e dirigidas para a grande tela, seja como o cotidiano louco de um trabalhador.

(Foto: Divulgação) 

Ao final, a maneira como as limousines conversam soam como o fim de atores, que velhos, não mais agradam o grande público, assim como a disposição dos carros que nos faz lembrar uma grande mesa de reunião de uma grande empresa. A conversa sobre o futuro, seja dos diretores ali presentes, aqueles que conduzem, como as limosines, a vida das empresas e dos empregados, seja como o próprio diretor, nos entregando sua indignação quanto ao rumo cinematográfico da história.

"Holy Motors" é um filme para se ver, rever e debater com amigos e pesquisadores.

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