“A Família Addams - O Musical” aposta no humor macabro

Por Rodrigo Vianna

Cena de "A Família Addams - O Musical" (Foto: Divulgação)

Impressionante e inteligente. Assim é o espetáculo “A Família Addams – O Musical” que estreou na quinta-feira (10), no Vivo Rio, no Centro do Rio de Janeiro. Após uma temporada de imenso sucesso em São Paulo com 350 mil, a megaprodução dirigida por Jerry Zaks e produzida pela Time For Fun, enfim, chegou à Cidade Maravilhosa. Fazendo jus ao estilo do seu criador, o cartunista Charles Addams (1912-1988), a versão nacional de “A Família Addams – O Musical” mantém o tipo de humor mais próximo do macabro, do gótico e constante. Durante suas quase três horas de duração é impossível não rir.

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Com coreografia de Sergio Trujillo e direção musical de Mary-Mitchell Campbell, “A Família Addams” traz Marisa Orth e Daniel Boaventura no papel do irresistível casal Morticia e Gomez Addams, cuja filosofia de vida resume-se a "quanto pior, melhor". O elenco conta ainda com Laura como a filha Wandinha e Gustavo Daneluz e Matheus Lustosa aprontam todas na pele do filho mais novo, Feioso. Já Iná de Carvalho é a Vovó Addams e Claudio Galvan é Fester, enquanto Rogério Guedes faz o mordomo Tropeço. A versão brasileira é assinada por Claudio Botelho.



Assista no player acima à apresentação de "Pra quem é Addams"


De fato, a partir do macabro, Charles Addams brincou com a "tradicional família americana" e tratou de temas sociais delicados, mas sempre presentes, como a diferença - afinal, o que é normal para uma família tradicional, certamente não é para os Addams e vice-versa. Basta observar uma fala de Mortícia quando interpela a filha Wandinha (Laura Lobo): "O que é normal para uma aranha é uma calamidade para a mosca presa na teia. O que então é normal?". Aliás, a trama central gira em torno do amor da primogênita dos Addams pelo “normal” Lucas, interpretado por Beto Sargentelli. 

A evolução da família
Com personagens tão carismáticos, que consideram dias chuvosos ideais para um passeio, o musical dá um passo adiante na evolução da família. Isso quer dizer que Wandinha cresceu, tornou-se uma adolescente e agora está namorando um rapaz muito certinho, cujos pais, Alice (Paula Capovilla, que interpretou Evita recentemente) e Mal (Wellington Nogueira, do Doutores da Alegria), são o ponto culminante da caretice.

Disposta a levar o relacionamento adiante, Wandinha organiza um jantar para que as famílias possam se conhecer. O encontro entre pessoas tão diferentes resulta em um humor amalucado. É neste ponto que o musical brinca com preconceitos e traz uma mensagem mais conciliadora. A montagem brasileira é semelhante à da Broadway, mas, claro, sempre há espaço para algumas brincadeiras locais. E elas, de fato, se espalham pela montagem, reforçando o humor.

Em um determinado momento, por exemplo, Gomez e Mortícia se lembram da última peça a que assistiram, Morte e Vida Severina. "Rimos muito", diverte-se Mortícia. Em outro momento, Vovó, que é uma velhinha bem descolada, diz uma frase da moda: "Ah, se eu te pego...", em alusão à música “Ai se eu te pego”, do cantor Michel Teló. Vovó, aliás, é tão amalucada que Gomez e Mortícia não sabem de qual dos dois ela é mãe. É esse tipo de humor - inteligente, contundente, malandro - que faltava aos musicais nacionais.

Daniel Boaventura e seu 11º musical
Em seu 11º musical, Daniel Boaventura esbanja talento, criatividade e se torna, de fato, o destaque do espetáculo. Ele sabe dar o tom do humor e torna o texto mais fácil. Sim, o ator baiano nos oferece mais um grande personagem. Seu Gomez esbanja uma malícia típica latina, especialmente ao declarar o eterno amor pela mulher. Já Mortícia representa um desafio para Marisa Orth. Acostumada a papéis extravagantes, a atriz se vê forçada a baixar o tom, segurar as mãos e usar muito a expressão do rosto.

(Foto: Divulgação)

A comédia musical traz diversas canções e nelas se destacam Daniel Boaventura e Laura Lobo, ambos são experientes no gênero e talentosos. Daniel começou no musical “Os cafajestes” e esteve ainda em “My Fair Lady”, “Chicago”, “A Bela e A Fera” - para citar alguns. Laura, aos dez anos, já fazia “Les Miserables” e esteve em “O Mágico de Oz”, “O Despertar da Primavera” e “Cats”, entre outros. Essa dupla arrasa em cena e tem bastante participação no espetáculo. A versatilidade de Laura pode ser vista em canções como “Bom Caminho”.

Uma boa adaptação das piadas para o português, humor amalucado e inteligente, além da capacidade estar atento para piadas atuais. Esse é o segredo de “A Família Addams” para o humor funcionar tão bem. A temática é bem atual, abordando as diferenças num mundo onde cada um tem mais seu jeito de ser. O cenário é um show a parte. Além de macabro e com uma iluminação belíssima, lembram exatamente ao castelo da série e do desenho. As músicas são divertidas e fáceis de aprender, assim como a coreografia.

(Foto: Divulgação)

A Família Addams sempre tocou em várias questões sociais importantes, dentre eles, o conceito de uma família "diferente" do padrão que estamos acostumados. E aqui não é diferente. Capaz de agradar pais e filhos, “A Família Addams - O Musical” é obrigatório para quem cresceu com essa família, assim como também é obrigatório para quem procura por uma boa diversão em família. Vale a pena assistir a esse espetáculo e relembrar a família mais esquisita que já tivemos o "desprazer" de conhecer.

Charles Addams
O musical A Família Addams é inspirado nas criações do lendário cartunista americano Charles Addams, que viveu de 1912 até 1988. Em 1933, quando tinha apenas 21 anos, sua obra foi publicada na The New Yorker, e ao longo de quase seis décadas, ele tornou-se um dos colaboradores mais queridos da revista.

(Foto: Divulgação)

Bizarro, estranho e macabro são palavras que têm sido usadas para descrever os quadrinhos de Charles Addams. No entanto, adjetivos como charmoso e encantador podem ser tão exatos para descrever o mesmo trabalho, bem como o próprio Charles. O estilo único de seus desenhos permitiu sua obra transcender e encantar milhões de fãs no mundo inteiro.

Charles Addams é mais conhecido por seus personagens, que vieram a ser chamados de A Família Addams e que já fizeram parte de vários programas de televisão, cinema e o musical da Broadway. Gomez, Morticia, Fester, Wandinha, Feioso, Vovó Addams e Tropeço já existiam em várias formas e aspectos nos quadrinhos de Addams que remonta à década de 30, mas não foram realmente chamados assim por ele até o início dos anos 60, quando a série de televisão foi criada. Surpreendentemente, os personagens da Família Addams aparecem em apenas um pequeno número de suas milhares de obras.

(Foto: Divulgação)

Mais de 15 livros de seus desenhos foram publicados em todo o mundo, incluindo a nova coleção, “A Família Addams: Uma Evilution”, a primeira história completa de “A Família Addams”, incluindo mais de 200 cartoons, muitos nunca antes publicados. A coleção também inclui a própria descrição de Addams de seus personagens, o que nos lembra de onde esses personagens estranhamente adoráveis vieram e, com isso, oferecer uma homenagem a um dos maiores humoristas da América.

Serviço

A Família Addams


Local: Vivo Rio - Av. Infante Dom Henrique, 85 – Parque do Flamengo.
Telefone de informações: 2272 2901
Dias e Horários: Quintas e Sextas (21h); Sábados (6h30 e 21h); Domingos (15h30 e 20h).
Horário de abertura: Quintas e sextas-feiras, 19h; Sábados, às 14h30 e 19h45; Domingos, às 13h30 e 18h45.
Capacidade: 1876 lugares.
Estacionamento com manobrista.
Classificação etária indicativa: Livre. Menores de 12 anos: permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais).
Ingressos: De R$ 50 a R$ 230
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. A peça é perfeita! Assisti em São Paulo e sinceramente, sai da sala de espetáculo com o queixo doendo de tanto rir!

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  2. É uma pena que a produção tenha escolhi um péssimo lugar para sua exibição.
    Comprei camarote paguei preço de inteira e simplismente não consegui ver NADA do espetáculo.
    Nunca mais vou ao Vivo Rio. Lugar horroroso.

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