Stevie Wonder canta bossa nova e Michael Jackson no Rio

(Foto: Reprodução/Internet)

A noite de Natal foi especial para os cariocas. Com boa dose de romantismo e de soul, Stevie Wonder fez um show memorável na noite de terça-feira (25), em palco montado na areia da Praia de Copacabana, na Zona Sul. O músico empolgou e animou as cerca de 450 mil pessoas, segundo os organizadores, que se reuniram em frente ao hotel Copacabana Palace para o espetáculo, que contou ainda com a participação de Gilberto Gil. Visivelmente emocionado, o Stevie Wonder não hesitou ao afirmar: quer voltar.

Descontadas as falas obrigatórias para quem quer agradar a uma multidão, é bem provável que em breve o show apoteótico da Praia de Copacabana venha a se repetir. Stevie parecia se divertir tanto quanto o público. Nada de atrasos, pontualmente às 20h, Gilberto Gil subiu ao palco para abriu a noite com muito reggae. Sua filha, Preta Gil, fez uma pequena participação e cantou “Meu corpo quer você”, ao lado do pai.

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Antes de Copacabana, os dois fizeram um show beneficente no Imperator, no Méier, no subúrbio, no domingo (23). Gil conheceu Stevie nos anos 1980, em Washington, quando fez “Só chamei pra dizer que te amo”, versão de “I just call to say i love you”, do cantor e compositor americano. Depois disso, Stevie voltou a convite do já ministro Gilberto Gil, em 2006, para um simpósio sobre negritude em Salvador. Quando houve o Rock in Rio, no ano passado, Stevie era um dos astros.

Homenagem a Dona Canô
Durante a sua apresentação, Gilberto Gil fez uma homenagem a Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia que morreu na terça, aos 105 anos. Dona Canô teve  uma parada cardíaca provocada por uma insuficiência respiratória. Ela passou a noite de Natal com os filhos, entre eles Caetano e Bethânia: "Viva a mãe Dona Canô! Sempre em nossos corações. Ela, que tinha tanto orgulho do samba de roda", disse Gil, antes de cantar a música "Marinheiro só".

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Depois de uma oração de mãos dadas com a banda e com Gil, Stevie Wonder subiu ao palco às 22h18, para uma execução em forma de mantra da “Wonderful world”, com quase dez minutos de duração. Stevie preparava o público para o que estava por vir. Wonder, que é cego, foi guiado até o palco por sua filha Aisha: "É a primeira vez que passo o Natal no Brasil e está sendo maravilhoso", disse o astro, que ainda pediu para o público dar um feliz Natal para seu filho Miles, que ficou nos Estados Unidos.

Sentado ao seu piano, Wonder enfileirou hits transformando as areias de Copacabana numa grande pista de dança de soul music - e local ideal para casais enamorados. A primeira grande comoção veio com “Higher ground”, quarta música do concerto, que fez todo o público levantar as mãos e cantar junto. O público ainda ouviu o clássico “The way you make me feel”, de Michael Jackson, a açucarada e não menos clássica “Isn't she lovely” - composta em homenagem a Aisha - e “Waiting in vain”, de Bob Marley, antes da subida de Gilberto Gil ao palco, 1h30 depois do início do show.

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Os dois cantaram partes de “Você abusou” em português e Gil, que subiu ao palco com uma camisa onde se via escrita a frase "Rio Eu Amo Eu Cuido" ouviu uma declaração de amor de Wonder e cantou com ele canções natalinas e “I just called to say i love you”, com direito a versão em português também e refrão entoado por centenas de milhares de vozes. Para finalizar a participação de Gil no show do amigo (que durou cerca de meia hora), “Samba de uma nota só” para dar um clima de bossa nova que combina com Copacabana melhor que em qualquer lugar.

Em ‘Garota de Ipanema’, aliás, foi o público quem cantou toda a primeira parte, acompanhado em seguida pela gaita que Stevie mantém sempre sobre o piano. Antes dos primeiros acordes de ‘Ribbon in the sky’, ele pediu silêncio. Longos e repetidos “shhhiii” criaram o clima para uma execução quase toda ao piano. Era só mais uma das brincadeiras, como a de pedir para os homens cantarem com voz grave e, as mulheres, em um tom mais alto.

O maestro Stevie Wonder

Reger o público é uma obsessão para Stevie Wonder. A outra é se divertir com a banda no meio das músicas, comandando variações, pedindo para seu competentíssimo time “segurar” estender ou mudar a levada das canções. Dois braços para o alto, duas cotoveladas no ar. E a banda sabe que ele quer ouvir só o público: só bateria e percussão continuam, até que Stevie volte a cantar. Perfeito, sempre. A intenção de Stevie e da banda parecia ser criar uma grande noite de inspiração natalina.

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Sempre simpático, Stevie Wonder também tocou "Garota de Ipanema" para fazer uma média com os cariocas. Bem em momento que o show dava uma caída por causa de músicas mais lentas, foi a forma de resgatar a empolgação. Principalmente quando o músico tocou a música de forma magistral numa harmônica: "Eu sei que vocês querem ir embora, mas nós vamos fazer festa até 2069, está bem?", brincou Wonder quando já passava de meia-noite. Ainda deu tempo de tocar "Superstition" com seus dois filhos na bateria. Stevie Wonder se despediu dizendo que pretende voltar ao Rio em 2013.
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