Roupa Nova canta Kiss e Rolling Stones em show no Rio

Por Rodrigo Vianna 

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação T4F)

Quando você pensa que já viu de tudo do Roupa Nova, aí que eles surgem com “algo mais” em seu repertório. No auge dos seus 32 anos, a banda se renova, e como o nome diz, dá uma nova “roupagem” a antigos e famosos sucessos. Não foi diferente na última sexta-feira (21), quando o grupo subiu ao palco do Citibank Hall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, para o show de lançamento do seu mais recente DVD, “Cruzeiro Roupa Nova”. Teve de um tudo um pouco, até conver especial de bandas como Kiss, Guns 'n Roses, Rolling Stones e Queen.

“Cruzeiro Roupa Nova” traz canções do DVD gravado em alto mar, entre material inédito e clássicos de mais de 30 anos de estrada. No repertório, sucessos como “A Viagem”, “Clarear”, “Não Dá”, “Terra do Amor”, “Frisson”, “Tudo Desarrumado” e “Luz do Teu Caminho”.  Mesmo já sendo conhecidas de CDs anteriores, essas canções foram tocadas pelo Roupa Nova de uma forma bastante minimalista, com violões, baixolão, djembe, percussão, piano Fender e órgão Hammond, como se estivessem em pleno luau em alto mar.

Mantendo até hoje sua formação original – Cleberson (teclados e vocal), Feghali (teclado, violão, guitarra, voz e vocal), Kiko (violão, guitarra, voz e vocal), Nando (baixolão, violão baixo acústico, violão, voz e vocal), Paulinho (voz e percussão) e Serginho (bateria, djembe, voz e vocal) –, o Roupa Nova é um fenômeno da música brasileira. São mais de 50 sucessos e quase 10 milhões de cópias vendidas de seus 22 álbuns.

O grupo carioca inaugurou sua lista de hits com a música “Canção de Verão”, na década de 80, e desde então emplaca seus trabalhos com frequência nas rádios e telenovelas brasileiras, com um público fiel e que se renova a cada ano. No repertório do show, além das músicas que fazem parte do novo DVD, como “Frisson” e ”Tenha fé na música” (versão de “God gave rock and roll to you”, clássico da banda norte-americana Kiss), grandes sucessos como “Dona”, “Sapato Velho” e “Whisky A Go Go”.

Show começou com atraso
Com pouco mais de meia hora de atraso, o Roupa Nova subiu ao palco por volta das 22h45, levando os 3.2 mil fãs, segundo a direção da casa de espetáculo, ao delírio. O cenário do show impressiona pela beleza, traduzindo o clima de convés. Com palmas, o grupo abriu a noite com “Eu quero só você”: “Aqui não tem lugar para a tristeza. O mundo não acabou e eu quero ver so felicidade estampada em cada rosto. Aqui tristeza e más notícias não têm espaço”, disse Nando, fazendo uma brincadeira com os rumores de que o mundo acabaria no dia 21 de dezembro deste ano.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação T4F)

Diferente de shows anteriores, eles já chegaram dando seu recado: aproximação com o público era prioridade. Cada um sentou em um banquinho bem em frente aos fãs, parecido com os utilizados na gravação do DVD. Enquanto a banda canta seus mais recentes sucessos, imagens do Cruzeiro eram projetadas num super telão de LED. Não faltaram participações especiais. Milton Nascimento e Padre Fábio de Melo surgiram no telão e cantaram “Nos Bailes da Vida” e “A Paz”, respectivamente.

Sucessos mundiais
No espetáculo, o Roupa Nova apresenta, ainda, três versões que são sucessos mundiais: “Só Olhei Você” (My Eyes Adored You), “Nossa Canção” (My Sentimental Friend) e “Tenha Fé Na Música”  (God Gave Rock and Roll To You). As faixas também estarão no próximo projeto, um musical escrito por Nando, que será mais uma megaprodução Roupa Nova Music. Sim, está mais do que provado, o Roupa Nova é um fenômeno da música brasileira.  Brega sim, mas carismático e tocante. Assim, foi difícil manter o público sentado nas cadeiras.

O Roupa Nova sem dúvida teve a seu favor uma das melhores escolas de música que existe, a escola do baile. Durante o show, a sintonia é tão grande que parece por um momento que o sexteto se comunica por “telepatia” e, resolvem num instante um arranjo que parecia complicadissímo, além de serem muito criativos. Prova disso foi o bis, recheado de cover de bandas internacionais famosas. Teve espaço até para os Beatles.

Desde que gravou o primeiro álbum, há 32 anos, o Roupa Nova passou a ser uma espécie de "midas" no mercado fonográfico: tudo o que tocava virava ouro, ou melhor, platina, pois sempre foi um dos grupos de pop-rock que mais vendeu discos. Músicos de estúdio e de palco, seus integrantes provaram mais uma vez que têm formações variadas, mas com um gosto em comum: amaram os Beatles na adolescência e todos apontam a banda inglesa como influência e ponto de partida.

Baladas e selo independente
No repertório do show, baladas ouvidas e repetidas há duas gerações. O público gostou. Pais, filhos e vovôs tomaram a plateia como verdadeiros seguidores do Roupa Nova em cada nova empreitada de trabalho. Com a chegada do novo século e a quebra das grandes gravadoras, o Roupa Nova investiu no próprio selo e garantiu a porcentagem de venda que contabiliza o histórico de 22 CDs e cinco DVDs, produtos que alcançaram a marca de mais de cinco milhões de compradores.

(Foto: Néstor J. Beremblum / Divulgação T4F)

Qual é o segredo do sucesso? Bom, o sexteto costuma usar palavras habituais como respeito, fidelidade, amor ao público e paixão pelo que fazem. É um lugar comum, mas o público não cobra muito. Embarca até em mudanças radicais como o projeto “Cruzeiro Roupa Nova”, em que decidiram se lançar às águas do Atlântico, seguindo a receita de Roberto Carlos. Mais uma vez o "toque de midas" funcionou e o Roupa Nova comemora a contabilidade dourada, com vinte e cinco mil cópias vendidas. E pelo que vi na última sexta-feira, ainda há muitas águas para navegar.
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