'Alô, Dolly' volta aos palcos após 46 anos com maestria

(Foto: Reprodução/ Internet)   

Produção impecável, figurinos dignos de produção cinematográfica, e Marília Pêra. Assim se resume o musical “Alô, Dolly!”, dirigido por Miguel Falabella, que estreou no último fim de semana, no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Dar orgulho ver que o teatro brasileiro vem crescendo e se firmando como referência mundial. Sem risco nenhum, posso afirmar que a nova versão de “Alô, Dolly!” é, sem dúvida, superior e melhor do que a original da Broadway. Não, não estou dizendo aqui que o espetáculo não possui imperfeições, mas o que eu vi na noite de segunda-feira (15), durante a estreia VIP, foi uma verdadeira obra de arte, conduzida com maestria.



O ano era 1966. Bibi Ferreira subia no palco do teatro João Caetano, no Rio, para a primeira montagem brasileira de "Alô, Dolly!", musical baseado na peça "The Matchmaker - A Casamenteira" com texto de Michael Stewart e músicas de Jerry Herman. Agora, passados 46 anos, o musical retorna ao país com a missão de atrair não só o olhares críticos, mas também uma nova geração de público, acostumado às telonas e pipocas. Além de dirigir, Falabella também atua. Ele interpreta Horácio Vandergelder, um avarento, grosseiro e caipira comerciante de Yonkers, no Estado de Nova York (EUA), que contrata Dolly (Marília Pêra) para lhe arranjar uma esposa na capital.

Marília Pêra mais uma vez mostrou porque é considerada uma diva e grande nome do teatro brasileiro. Com presença de palco e humor incomparável, ela é, sem dúvida, a estrela do musical. Para incorporar a viúva casamenteira, Marília adotou o visual loira e pegou pesado nos ensaios para aguentar as mais de duas horas de espetáculo cantando e dançando. Sim. A atriz arrisca alguns passos e mostra que, além de atriz, também pode ser uma ótima bailarina.

E para trazer de volta o musical aos palcos brasileiros, não foram economizados elenco e produção. São nada menos do que 29 atores em cena e uma orquestra com 16 integrantes, sob a direção de Carlos Bauzys. A superprodução tem cenários de Renato Theobaldo  e Roberto Rolnik e figurinos criados por Fause Haten.  A ficha técnica traz ainda os renomados Fernanda Chamma (coreografia) e Paulo Cesar Medeiros (iluminação).

O musical 
Na Broadway, “Alô, Dolly!” estreou em 1964 arrebatando nada menos do que 10 Prêmios Tony, entre eles o de Melhor Musical, Melhor atriz (Carol Channing), Melhor Libreto, Melhor Trilha, Melhor Direção e Melhor Coreografia. ‘Alô, Dolly!’ é até hoje um dos musicais de maior êxito da história, já foi remontado três vezes na Broadway, além de ter versões no mundo inteiro. Gerou ainda um filme estrelado por Barbra Streisand, com direção de Gene Kelly, e indicado a sete Oscars.

A ação de ‘Alô, Dolly’ se passa em 1890, no estado de Nova Iorque, e conta a história de Dolly Levi (Marília Pêra), uma célebre viúva casamenteira, que é contratada pelo avarento e mal-humorado comerciante de Yonkers, Horácio Vandergelder (Miguel Falabella), para lhe arranjar uma esposa na cidade grande (na capital Nova Iorque). Dolly o apresenta a Irene Molloy (Alessandra Verney), mas inicia uma série de armações, quando decide que ela mesmo  conquistará o bom partido e ficará rica.

(Foto: Reprodução/ Internet) 

O musical destaca ainda o jovem Cornélio Hackl (Frederico Reuter), funcionário de Horácio que se apaixona por Irene. Ele está sempre metido em confusões com seu fiel escudeiro Barnabé Tucker (Ubiracy Paraná do Brasil). Além de tentar garantir seu próprio casamento, Dolly também resolve ajudar Ambrósio Kemper (Thiago Machado) a namorar Ermengarda (Brenda Nadler), sobrinha de Horácio, que faz forte oposição ao romance, já que o rapaz é pobre. O elenco conta ainda com Ricardo Pêra, Ester Elias e Patrícia Bueno, além de um ensemble formado por 14 atores (sete homens e sete mulheres) e cinco bailarinos.

Um sonho 
A nova versão nacional de “Alô, Dolly!” surgiu de um sonho de Miguel Falabella. Certa vez, ele ouviu de um analista que era preciso unir o menino sonhador da Ilha do Governador com o tipão “louro, alto, solteiro procura” que se tornou sua marca desde que explodiu no teatro e na TV. Seus esforços para mesclar a pureza do “eu” infantil e a experiência do ator consagrado estão em “Alô, Dolly!”. O ator e diretor tinha 8 anos quando ganhou de aniversário um convite para ver Bibi Ferreira brilhar na versão brasileira do musical. A partir daquela tarde, Falabella tinha encontrado a sua função no mundo.

(Foto: Reprodução/ Internet)

Pela primeira vez juntos no palco, Falabella e Marília Pêra dão um verdadeiro show de interpretação. A atriz já declarou que também realiza um sonho parecido ao viver a protagonista do musical. Aos 18 anos, ela havia acabado de fazer uma ponta como bailarina em “My fair lady”, outro musical liderado por Bibi, quando soube das audições para “Alô, Dolly!”. Ela se inscreveu, mas acabou não entrando. Durante as quase duas horas de espetáculo, fica claro que o mote do musical é a relação entre o homem moderno e o dinheiro. Uma reflexão sobre esses imigrantes que faziam de tudo para sobreviver. Dolly está na dureza e quer dar o golpe do baú. O dinheiro é central, e a grande filosofia dela.

Mas como eu falei anteriormente, há ressalvas. A começar pelos bailarinos. Em alguns momentos, deu a impressão de um disputava com outro os holofotes. A clássica cena do restaurante ficou exagerada. No elenco, Brenda Nadler foi infeliz com a sua Ermengarda. Caricata, a atriz não soube dar o tom da personagem e se mostrou despreparada para tal função.  Já Frederico Reuter teve o seu destaque, mas poderia ter dado ao seu Cornélio Hackl um tom mais humano e cômico. Outro ponto negativo, e se me permitem dizer, o mais importante, aconteceu não nos palcos, mas fora deles. Miguel Falabella se recusou a falar com a nossa equipe e praticamente “esnobou” os fãs que o aguardavam do lado de fora do teatro. Entre abraços e beijos, ele se dirigiu a apenas amigos famosos, como Cláudia Raia, Patrícia Travassos e Ary Fontoura. Quando nossa equipe se aproximou, ele se recusou a dar entrevista. Acho que um pouco de simpatia e humildade poderia ajudar a consagrar essa carreira nos palcos.

(Foto: Reprodução/ Internet)

Serviço 

Alô, Dolly! 
Estreia:  12 de outubro (sexta)
Temporada: até 23 de dezembro
Teatro Oi Casa Grande
Rua Afrânio de Melo Franco, 290
Horários
Quinta e sexta: 21h
sábado: 18h e 21h30
Domingo: 19h
Ingressos: www.ingresso.com.br
 
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