"O Confete da Índia": o corpo em eterno conflito

(Foto: Reprodução/Facebook)

Estreia, no dia 10 de setembro, no Centro Cultural Solar de Botafogo, “O Confete da Índia”, o mais novo espetáculo solo com André Masseno, que assina a concepção e direção do projeto, com colaboração dramatúrgica do renomado coreógrafo Tuca Pinheiro. O espetáculo dialoga com a experiência contracultural do desbunde, que influenciou arte e vida entre os decênios de 1960 e 1970, e que, inspiradas pela leitura do comportamento dos índios antropófagos feita pelos Modernistas da Semana de 22, deglutiam culturas e posturas estrangeiras para criarem um modo tipicamente extasiado de vivenciar e olhar o mundo.

Após o espetáculo, haverá debates mediados por personalidades da contracultura brasileira, tais como o bailarino e coreógrafo Ciro Barcelos, que foi um dos integrantes do lendário Dzi Croquettes (dia 12 de setembro), e o crítico literário Italo Moriconi (dia 19 de setembro): “O espetáculo surgiu pela minha inquietação e urgência em repensar o nosso corpo na atualidade, porém tendo como ponto de partida alguma referência comportamental que tivesse uma ligação com a nossa história”, afirma André Masseno. 


Ainda, de acordo com o coreógrafo, O Confete da Índia buscou referências históricas, artísticas e comportamentais dos períodos entre as décadas de 60 e 70, como na voz agressivamente doce de Gal Costa e na ambiência de seu álbum ‘India’, nas fotos de Artur Omar sobre foliões do Carnaval carioca, no embalo das cantoras da discoteca, nos falsetes de Jorge Mautner, no jogo andrógino dos corpos masculinos como os de Ney Matogrosso e Caetano Veloso, na postura artística de Hélio Oiticica, entre tantos outros artistas deste vasto período. 

“No entanto, nenhuma destas referências está transparente neste espetáculo. Elas foram deglutidas, reprocessadas, e funcionaram, na realidade, como um ‘bisturi’ roubado, que me utilizei para cortar a minha ‘carnalidade’, e conclui: “é este jogo com uma corporeidade desbundada, carnavalizada, que considero um espetáculo sobre a urgência de uma atitude política nossa diante da posição desenvolvimentista que o país passa na atualidade. Porém, uma atitude política que passe não por partidarismos, mas sim por ações efetivamente críticas e, paradoxalmente, extasiadas, em nossa esfera social”.

Ainda, em setembro, nos dias 28, 29 e 30, André faz a estreia carioca do espetáculo “Outdoor Corpo Machine”, com debates e oficina, no Teatro Arena, da Caixa Cultural.

Sobre o espetáculo
O espetáculo busca novas abordagens possíveis do desbunde, aqui considerado como uma experiência corporal do êxtase, quando o corpo se desloca para fora de si (ek-stasis) em direção a um estado de explosão e transbordamento. O Confete da Índia é um jogo de deglutição e reprocessamento do alheio, gerando um acontecimento repleto de gestualidades, imagens e estados de presença que revisitam a experiência física do corpo-em-desbunde, de sabor extático e tropical, e que pode ser entrevisto em algumas obras resultantes do período em questão e com as quais o espetáculo se confronta, entre elas, a performance da cantora Gal Costa no álbum Índia (1973), as fotos de foliões do Carnaval carioca, feitas por Arthur Omar na série Antropologia da Face Gloriosa (1973-1996) e a corporeidade andrógina do grupo Dzi Croquettes.

É um espaço de conflito e de pulverização entre passado e presente, fonte e influência. Uma experiência compartilhada, uma reflexão físico-crítica acerca das posturas e políticas corporais em vigor na esfera pública atual.

O projeto tem a concepção, direção e interpretação de André Masseno, com larga experiência na criação e produção de espetáculos solos, conta com a assistência de direção e colaboração dramatúrgica do renomado coreógrafo Tuca Pinheiro e com a produção de Verônica Prates (Quintal Produções). O desenho de luz é assinado pelo premiado Renato Machado, a direção de arte é executada pelo artista visual Fábio Carvalho, e a programação visual é de Karin Palhano.

O Confete da Índia é contemplado pelos prêmios Funarte de Dança Klauss Vianna 2011 e FADA 2011 – Fundo de Apoio à Dança, da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.


Serviço
Local: Centro Cultural Solar de Botafogo (Rua General Polidoro, 180 - Botafogo)
Informações: (21) 2543-5411
Valor: R$20,00 (inteira)/ R$10,00 (meia)
Horário: de segunda a quinta, às 20h
Capacidade: 20 lugares
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 18 anos
Temporada: 10 a 20 de setembro
Sinopse: Espetáculo sobre as possibilidades de um corpo em estado de êxtase e transbordamento.
Comentários
0 Comentários

0 comentários:

Obrigado pela sua opinião!
Contracene, seja o Artista!