“Milton Nascimento”: sinfonia para os ouvidos

(Foto: Divulgação)

Poesia e música se misturam numa bela homenagem ao cantor Milton Nascimento no espetáculo “Milton Nascimento: Nada será como antes – O musical”, que está em cartaz no Theatro Net Rio, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Mais uma vez, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho nos presenteia com uma obra mágica, de qualidade, emocionando até mesmos os corações mais frios. A ideia do musical veio durante uma pesquisa à vasta lista de clássicos que Milton Nascimento produziu ao longo dos últimos 50 anos. Ao longo de 90 minutos, 14 músicos (todos os cantores também tocam algum instrumento) oferecem uma galeria de canções que emocionam a plateia. É impossível não acompanhar, uma verdadeira sinfonia para os ouvidos.

O musical dá início à parceria da Möeller & Botelho com a GEO Eventos, empresa da Globo Comunicação Participações SA. A dupla desenvolveu, ao longo dos últimos anos, uma relação de admiração mútua com Milton, que já esteve presente na plateia em outros espetáculos da dupla. “Talvez o caminho mais fácil fosse fazer uma biografia. Preferimos uma travessia: mostrar a obra, que é o que importa, e não o autor’, contou Botelho, que define o novo espetáculo como uma revista musical sem texto, onde cada canção ou pout-pourri ressurgem em cenas, diálogos e situações dramáticas.

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Tudo no musical parece ter sido pensado nos últimos detalhes. Desde a escolha do repertório até a criação do cenário. Com temas pastoris pintados no interior do ambiente na cenografia de Rogério Falcão, auxiliado pelo tom multicor dos figurinos de Möeller, a estrutura neoclássica do cenário traduz uma fazenda, o interior, a roça. No palco o tempo todo, o grupo de atores e músicos dá voz a temas fundamentais da música de homenageado, como amor, amizade, criação artística, negritude, brasilidade e solidão. Todos os atores tocam e se revezam em vários instrumentos e os músicos também cantam. ‘Não há uma divisão entre orquestra e atores: todos são uma única voz a serviço de brilhante obra musical de Milton Nascimento’, explicou Claudio.

Modelo de sucesso
“Nada será como antes” segue o mesmo modelo do bem sucedido “Beatles num Céu de Diamantes, que a dupla Claudio Botelho e Charles Möeller estreou há seis anos, inaugurando estilo de encenar repertório musical. Dividida nas quatro estações do ano, a montagem reúne na primavera canções de uma certa evasão poética. Cada um na plateia, assim, elege as canções que lhe são mais importantes e define o ápice da produção e o tamanho do seu desfecho. Essas categorias climáticas servem, à perfeição, para abranger os momentos da música de Milton Nascimento e da poética de seus parceiros – Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Lô Borges, Márcio Borges.

“Bola de Meia, Bola de Gude”, “Aqui é o País do Futebol” compõem o Verão, “A Cigarra”, “Um Girassol da Cor do seu Cabelo” e “Nuvem Cigana” dão colorido à Primavera. Clássicos que atravessaram gerações, como “Cais”, “Caçador de Mim”, “Encontros e Despedidas” e “Faca Amolada”, moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com “Nada Será como Antes” e “O que foi Feito Deverá”. Não faltam, claro, “Coração de Estudante”, “Nos bailes da vida”, “Capoeira Camara” e “Maria, Maria”.

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Mas o maior destaque de “Nada será como antes” está na força musical, seja na direção de Claudio Botelho, nos excelentes arranjos e orquestração de Délia Fischer, nos ótimos arranjos vocais de Jules Vandystad e nos atores-músicos. Estrela Blanco, Jonas Hammar, Jules Vandystadt, Pedro Aune, Pedro Sol, Sergio Dalcin, Tatih Kohler e Whatson Cardozo, em conjunto e individualmente, apresentam bons números musicais, mas Claudio Lins, Cassia Raquel, Délia Fischer, Lui Coimbra, Marya Bravo e Wladimir Pinheiro lideram o grupo porque, além de técnica, dão lugar para a emoção que as canções pedem.

Canções com marcante interpretação e arranjos originais e com os quais Milton consolidou sua carreira, ganham ar renovado, mas sem retirar-lhes o sopro poético e a riqueza melódica. O elenco, de vozes emocionantes e presença de palco, deve ser destacado como um todo. Dos temas bucólicos às relações, a obra de Milton Nascimento atravessa vários setores da alma humana, abrindo docilmente algumas fendas definitivas. “Nada será como antes” é uma merecida homenagem à altura de Milton Nascimento.

As muitas estações de Milton 
A vastidão da obra foi um desafio encontrado pela dupla na hora de selecionar o repertório final e formatar o roteiro do espetáculo. 'Chegamos a pensar em fazer somente o 'Clube da Esquina', para ter um recorte mais focado, mas seria injusto deixar dezenas de clássicos de fora', explica o diretor, que optou por uma divisão do musical em quatro atos correspondentes às estações do ano.

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Serviço:
“Milton: Nada será como antes – O musical”

De 9 de agosto a 25 de novembro
De quinta a sábado, às 21h. Domingos, às 20h.
Theatro Net Rio - Rua Siqueira Campos, 143 - 2o piso,  Copacabana / Tel: 2147 8060.
Ingressos a R$ 110 (plateia e frisas) e R$ 80 (balcão)
Estudantes, idosos, assinantes Net e O Globo pagam meia.
Classificação: Livre
Duração: 90 minutos
Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br / 4003-1212
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