Beth Goulart fala de Nelson Rodrigues no CCBB

(Foto: Reprodução/Facebook)

Como parte das comemorações dos 100 anos de Nelson Rodrigues, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Centro do Rio, promove às terças-feiras, um encontro entre autores, atores e pesquisadores. A série “Ciclo Nelson 100 anos” lança um olhar sobre o homem que foi Nelson Rodrigues. Nesta terça-feira (11), o evento vai contar com presença de Nelson Rodrigues Filho, do biógrafo Ruy Castro e da atriz Beth Goulart, representando as musas do autor. Beth estará substituindo a mãe, a atriz Nicette Bruno. O CCBB não informou o motivo da troca.

O “Ciclo Nelson 100 anos” começa às 18h30, e a entrada é franca. As senhas serão distribuídas uma hora antes do evento. A partir dos depoimentos dos convidados, o público irá conhecer um pouco mais sobre o polêmico dramaturgo, sua vida como jornalista, sua família, suas posições políticas e sua paixão pelo futebol e pelo Fluminense. Leituras e material audiovisual também vão ilustrar e enriquecer ainda mais o debate.


Buscando promover uma maior aproximação entre o público e a contundente obra de Nelson, esses encontros trazem personalidades com profundo conhecimento de seu trabalho e que até mesmo tiveram oportunidade de conviver com o gênio.

Nelson Rodrigues nasceu no dia 23 de agosto, no Recife, em 1912 e mudou-se em 1916 para o Rio de Janeiro, adotando a cidadania: “Sou essencialmente carioca.”

Sua vida pessoal e familiar foi marcada por acontecimentos trágicos que viriam influenciar e ressurgir como temas em sua obra. Durante longos anos trabalhou como repórter policial, onde lapidou o estilo que iria consagrá-lo como jornalista, escritor e dramaturgo. Seu primeiro sucesso artístico foi Vestido de Noiva, peça na qual o autor criou as condições de uma poderosa renovação do teatro brasileiro.

Deixou para a dramaturgia o legado de uma obra genial formada por dezessete peças de vital importância para a compreensão da cultura brasileira e, em certa medida, das contradições humanas. O amor, o adultério, a traição, o incesto e a morte são temas frequentes em seu trabalho. Foi comentarista e cronista esportivo, torcedor fanático do Fluminense. Faleceu no dia 21 de dezembro de 1980. 

Vestido de noiva 
Também como parte das comemorações, o CCBB apresentou, em maio, uma montagem contemporânea de Vestido de Noiva, a peça mais emblemático de Nelson Rodrigues, no ano em que se comemora o centenário de nascimento de um dos principais dramaturgos brasileiros. A ideia da companhia Circo de Estudos Dramáticos, responsável pela montagem, foi transformar a rotunda (construção em forma circular) do CCBB no cabaré de Madame Clessi, ambiente principal da trama, que transcorre em três planos interligados – alucinação, memória e realidade.

(Foto: Divulgação)

Encenada pela primeira vez em 1943 pela companhia Os Comediantes e sob a direção de Ziembinski, Vestido de Noiva revolucionou a linguagem teatral no país e marcou o surgimento de uma dramaturgia cheia de brasilidade e urbana. A peça narra o trágico amor de duas irmãs, Alaíde e Lúcia, pelo mesmo homem, Pedro. A história começa com o atropelamento de Alaíde e se passa durante o tempo em que ela está sendo operada. Em suas alucinações, ela conversa com a prostituta Madame Clessi, de quem leu o diário ao se mudar para a casa que durante 37 anos abrigou um bordel. A trama é centrada na dualidade entre as irmãs: uma deseja viver com o marido as aventuras contadas pela prostituta e a outra espera o momento de revelar o caso que mantém com o cunhado.

Na encenação do Circo de Estudos Dramáticos, o público foi convidado a ingressar na estrutura, ao som de samba, diretamente no plano da alucinação, que ocorre no mesmo nível da plateia. Já o plano da memória foi dramatizado em três platôs suspensos ao longo de uma escada que vai do palco até a abóboda da rotunda. Na parte de cima da arena, a uma altura de 6 metros, uma estrutura que contorna o palco principal serve de base para o plano da realidade.
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