"Obsessão": uma deliciosa história de amor e traição

(Foto: Divulgação)

Obsessão: ação de obsedar, de importunar. Sentimento, ideia, conduta que se impõe a uma pessoa atingida por uma neurose obsessiva. Ideia fixa, preocupação constante. Todos os significados desta palavra se reúnem em um só espetáculo. Estou falando de “Obsessão”, de Carla Faour, espetáculo que, após uma temporada no Teatro Gláucio Gil, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, se prepara para estrear neste mês no Teatro Fashion Mall, em São Conrado. Carla Four, além de autora, também é atriz e participa da peça. Ao lado dela estão Ana Baird, Antônio Fragoso, Celso Taddei e Daniel Belmonte. A direção é de Henrique Tavares. O espetáculo mistura comédia e drama, e consegue prender a atenção do expectador do início ao fim. Os destaques do elenco ficam por conta do time feminino.

A trama mostra do que uma ex-amiga é capaz ao tentar de todas as formas, e ainda contar com algumas armadilhas do destino, para se vingar de uma traição. A peça é um texto original e inédito, que nasceu e foi, totalmente, escrito nas páginas do site "Drama Diário", um site pioneiro, formado por sete dramaturgos, com forte atuação na cena contemporânea carioca. Lançado em maio de 2008, o site, hoje, conta com mais de 500 textos publicados, tornando-se o maior acervo dramatúrgico inédito da web. Em 2011, o site foi reformulado com uma nova proposta: Produzir dramaturgia em série. Ao invés de cenas curtas, com temas pré-definidos, os autores se lançaram ao desafio da continuidade. Desenvolveram sete histórias diferentes, publicando um capítulo por semana. O formato teve grande êxito. As visitas ao site triplicaram e a participação dos internautas aumentou sensivelmente. Assim nasceu “Obsessão”.

Lívia e Marina são amigas inseparáveis, confidentes, inúmeras afinidades, com um belo futuro pela frente. A amizade começa a desandar quando Livia se apaixona por Marcelo e engatam o namoro. Marina torna-se testemunha ocular da felicidade da amiga. E, de tanto ouvir Lívia enaltecer as qualidades do rapaz, descobre-se também apaixonada por ele. A peça tem uma narrativa elíptica e não linear. A ordem cronológica das cenas é subvertida a todo o instante. A vida das duas mulheres é repassada em ritmo vertiginoso. Passado e presente alternam-se na estrutura dramatúrgica, através de flash backs e  avanços no tempo.

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A história de duas amigas é apenas o ponto de partida para investigar o universo feminino e suas sutilezas. A rivalidade entre elas torna-se a mola propulsora para falar de questões fundamentais que afligem a todos nós: a natureza das relações amorosas, anseios, frustrações, realização profissional, maternidade, padrões de beleza, auto-estima, casamento, solidão… E, como os anos transformam nossas expectativas e sonhos. O texto faz uso do narrador em terceira pessoa, um recurso muito usado nos folhetins. Com um olhar crítico e  poético, aliado a um humor ácido, o narrador é o mestre de cerimônias que conduzirá o publico através da saga dessas duas mulheres.

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Grande parte da ação se passa em Lisboa. A cidade é evocada durante todo o espetáculo como um arquétipo. O passado, a terra Natal, as raízes de todos nós. O início. Lisboa simboliza a ligação mais forte com nossos antepassados, laços afetivos e co-sanguíneos. Embora, Lívia e Marina não tenham nenhuma relação de parentesco, são tão próximas como duas  irmãs, rivais como inimigas de guerra, estão conectadas desde todo o sempre. Inexplicavelmente, pelo destino.

(Foto: Contracen@rte)

A trilha sonora toca fundo na alma e serve ao enredo, iminentemente trágico e tragicamente cômico, como uma luva. “Obsessão” é um daqueles espetáculos difíceis de classificar, quando o riso e a emoção embaralham os sentimentos. “Obsessão” é o desdobramento de um trabalhado iniciado em 2006, com a montagem de “A Força do Destino”, adaptação de Carla Faour, do romance homônimo de Nélida Piñon. Dois anos depois, em 2008, Carla também adaptou para o teatro outro folhetim, “Nenê Bonet”, único romance de Janete Clair. Ambos os espetáculos com direção de Henrique Tavares. A montagem de “Obsessão” pretende aprofundar a pesquisa sobre o folhetim e o melodrama.

Com trabalho voltado para a dramaturgia original contemporânea, Carla Faour e Henrique Tavares são dois artistas dos mais atuantes no teatro carioca.  São 17 espetáculos no currículo, a maioria textos inéditos de autores brasileiros. Ao longo dos anos, a dupla produziu espetáculos de destaque na cena teatral da cidade, sempre com grande acolhida do público e da crítica especializada.

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