Christiane Torloni mistura dança e teatro em cena

(Foto: Divulgação)

Depois de viver a vilã Tereza Cristina, em Fina Estampa, pela TV Globo, a atriz Christiane Torloni voltou aos palcos, mas não para atuar, mas sim para dançar. Isso mesmo. Quem conferiu a atriz no quadro Dança dos Famosos, do programa Domingão do Faustão, em 2008, pôde ter uma ideia do que ela é capaz de fazer. E não é para menos. Christiane Torloni vive um deusa hindu no espetáculo "Teu Corpo é Meu Texto", que teve duas apresentações no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio de Janeiro. Na montagem, que tem a participação de bailarinos da Stúdio 3 Companhia de Dança e da Companhia Sociedade Masculina de Dança, ela ensaia passos de bolero e de balé clássico.

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Ao longo da carreira, Torloni já mostrou talento para a dança em trabalhos como a novela "Kananga do Japão" (1989), a minissérie "Amazônia – De Galvez a Chico Mendes" (2007) e na "Dança dos Famosos”, que ela venceu. A atriz entrou na dança para mostrar o poder feminino num espetáculo que traz mulheres sensuais. “Essa é a deusa do conhecimento, das artes, da escrita e da música. Ela convoca os seres humanos para saírem do chão. Ela convoca para que eles fiquem de pé até voarem”, disse a atriz na época.



O Contracen@rte foi conferir uma das apresentações no Reio de Janeiro e, apesar da temática um pouco confusa e do ritmo lento, o espetáculo apresentou uma excelência em cenário, técnica e figurino. Num primeiro momento, Torloni surge na narrativa. Ela dá o tom e aparece soberana num longo vestido vermelho e maquiagem pesada. Sim, a deusa hindu estava em cena. Em alguns momentos, a dublagem lembrou os espetáculos de Páscoa da Lapa, afinal, dançar e falar ao mesmo tempo poderia se tornar um desafiopara qualquer ator. A música e o texto do dramaturgo Edurado Ruiz embalam Torloni e os 18 bailarinos da Stúdio 3 Companhia de Dança e da Companhia Sociedade Masculina de Dança. Para a atriz, o texto fala muito do resgate da delicadeza, da gentileza, da calma, da humanidade.


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O espetáculo "Teu Corpo é Meu Texto" marca a parceria de 25 anos da atriz com o diretor José Possi Neto. A relação de Christiane Torlone com a dança é antiga. Mas pela primeira vez a atriz atua ao lado de bailarinos profissionais. A plateia estava recheada de convidados ilustres, como Monah Delacy, mãe de Torloni, e os atores Adriana Birolli, Sthefany Brito e Kaike Brito.

Ao lado da Studio 3 Cia. de Dança e da Cia. Sociedade Masculina — fundadas por Anselmo Zolla e Vera Lafer —, com cenografia inspirada nas obras do holandês Hieronymus Bosch e trilha sonora de Felipe Venâncio, a atriz ecoa palavras que foram escritas pelo dramaturgo Eduardo Ruiz: “Eu vou lavar tuas roupas/ Eu vou parir teus filhos (...)/ E se preciso for vou colocar veneno/ No seu chá de camomila./ Porque eu sou raiva e flor de maracujá”, diz a deusa aos bailarinos.

Eu vou lavar tuas roupas/ Eu vou parir teus filhos (...)/ E se preciso for vou colocar veneno/ No seu chá de camomila./ Porque eu sou raiva e flor de maracujá”

A longa parceria entre a atriz e José Possi Neto explicita esse cuidado com a movimentação: “O lobo de Ray-Ban”, “A loba de Ray-Ban”, “Joana D’Arc”, “Salomé”. A evolução, a convite de Zolla, para um espetáculo de balé moderno foi encarada como natural. Anselmo Zolla contou que a ideia de “Teu corpo é meu texto” surgiu de uma vontade antiga de misturar dança com teatro, “de uma maneira diferente dos musicais tradicionais que proliferam por aí”: “Sempre disse que não tenho dois corpos de baile e sim dois grupos de bailarinos-intérpretes. O Possi e a Christiane já misturavam teatro e dança, acho que esse projeto pode dar início a outras belas parcerias”, opinou o coréografo.

A cenografia, inspirada nas obras de Hieronymus Bosch, apresenta um cenário predominantemente noturno. A trilha sonora é uma atração à parte. Felipe Venâncio editou obras clássicas, remixou músicas já existentes, refez arranjos. Há Stravinsky, Tchaikovsky, Glenn Gold tocando Bach. “Stabat Mater”, de Pergolesi, aparece ao lado de “Bésame mucho”. De contemporâneo, o islandês Jóhann Jóhannsson, que mistura o clássico ao eletrônico, e o projeto Pink Martini — mix de música latina, lounge e jazz —, com “No Hay Problem” e “Amado Mio”.

Com essa mistura toda, “Teu corpo é meu texto” repetiu o sucesso que fez nas três apresentações paulistanas. Agora, é esperar pela príxima proeza da atriz, que promete não parar por aí, e garante, “Teu corpo” foi apenas o começo.

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