“20.000 Léguas”: a imaginação a flor da pele

(Foto: Divulgação)

Quando você pensa que já viu de tudo em questão de teatro infanto-juvenil, eis que surge “Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas”. Apesar do ritmo lento – que neste caso não é um ponto negativo, já que está é uma das características da narrativa do seu autor, o francês Júlio Verne (1828-1905) – o espetáculo, que está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, é uma grande convite a uma viagem pela imaginação, onde monstros marinhos e seres subaquáticos são apenas alguns dos atrativos. Com a adaptação e direção de Antonio Carlos Bernardes e texto de Fátima Valença, o espetáculo conta ainda com Erom Cordeiro, Augusto Madeira e Alexandre Dantas. Uma super produção para toda a família, com cenários de grande porte, bonecos gigantes, tudo com muito humor, suspense e diversão.

O uso do efeito 3D, das projeções e de bonecos ajudam a entender essa maravilhosa e complicada obra que fala das viagens do Capitão Nemo, aqui interpretado pelo ator Mouhamed Harfouch, em seu submarino Náutilus. Resumindo: dá prazer assistir a uma produção como “Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas”. A peça apresenta uma altíssima qualidade estética nos cenários, figurinos, trilha sonora e na iluminação, mas sobretudo nas excelentes interpretações e numa dramaturgia cujo ritmo é o seu melhor elemento. Não se trata de um musical, mas sim de uma deliciosa história de aventura. O romancista francês parte do realismo, uma base sólida, para construir uma verossímil história de ficção.



Com cenários de grande porte e bonecos gigantes, o diretor Antônio Carlos Bernardes convida o público a embarcar no submarino Náutilus para uma viagem repleta de mistério e aventura: "Ao reler o livro, vi que era humanamente impossível levar toda a história para o palco, por isso pensei em contar apenas algumas partes. A novidade desta versão é o humor", explicou o diretor, que completou: "Júlio Verne escrevia para crianças maiores, mas consegui traduzir sua ideia com cenas que deixarão as menores fascinadas".

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Uma caravana de homens corajosos e inteligentes parte em busca do gigante do mar, responsável pelo desaparecimento misterioso de diversas grandes embarcações. O cientista francês professor Aronax, seu assistente Conselheiro e o Mestre arpoador Ned Land são jogados ao oceano e acabam resgatados pelo fenomenal submarino Náutilus, comandado pelo enigmático capitão Nemo. Os mistérios do fundo do mar se abrem para a tripulação: livres nas águas obscuras, mas prisioneiros na pesada estrutura de aço. Assim começam “Algumas aventuras das 20.000 léguas submarinas”.

Logo no início do espetáculo, o público pode chegar a pensar que está numa sala de cinema. Uma grande tela exibe notícias de jornais que falam de uma estranha criatura do mar que surge e se torna o terror dos sete mares. As notícias que percorrem o mundo em 1866 e é a partir daí que o professor Aronax (Alexandre Dantas), seu assistente Conselho (Augusto Madeira) e o Mestre arpoador Ned Land (Erom Cordeiro) partem em busca do monstro. A inteligência (Aronax), a emoção (Conselheiro) e a coragem (Land) são, simbolicamente, os instrumentos capazes de derrotar o rancor (Nemo). A humanidade emersa tem, afinal, tantos problemas quanto belezas assim como o mundo submerso.


Assistam acima ao vídeo com a mensagem do ator Mouhamed Harfouch para o Contracen@rte

Ao fim do espetáculo, o ator Mouhamed Harfouch falou com a equipe do Contracen@rte e mandou o seu recado. Sempre simpático, ele contou um pouco sobre o seu personagem e fez um convite aos arteiros de plantão (assista acima o vídeo com a mensagem do ator Mouhamed Harfouch). Pai de primeira viagem, ele diz que o personagem não poderia ter vindo em momento melhor. Para dar vida ao comandante do submarino Náutilus, o ator conta que encara uma maratona que inclui mais de 12 horas de ensaio por dia e cerca de duas horas de academia, pelo menos três vezes por semana. Se acha que é muito, o ator acrescenta que que ainda consegue dividir com a esposa, a cerimonialista Clarissa Eyer, os cuidados da filha. Fã assumido do escritor francês, Mouhamed diz que pesquisou a fundo a história e promete muitas cenas de ação e aventura.

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O grupo de atores apresentam um grande trabalho de interpretação, com destaque para Augusto Madeira, que rendeu as melhores cenas de humor. É facilmente identificável um excelente uso da dicção, pausas eficazes, além de trabalho corporal que mantém o ritmo interessante para quem assiste e quer ver mais. Marcio Malvarez é o capitão Farragut, comandante da fragata Abraham Lincoln. Ele desaparece, junto com o seu navio. Temos ainda, neste elenco de 8 atores, os soldados, interpretados por Dio Jaime, Marcos Pereira e Gabriel Bezerra, e ajudantes de cena, a caráter.

São narrados apenas alguns trechos desta obra de Jules Verne (sua viagem tomaria, com certeza, mais do que a 1 hora de duração do espetáculo). Esta é a medida necessária para manter a atenção das crianças, que permanecem absortas nos acontecimentos. Para quem está acostumado com o teatro infantil, mais preocupado em divertir do que desenvolver senso estético e gosto pela palavra (aliás, pela atenção com que o público jovem acompanha o espetáculo, percebemos que está mais do que em tempo de equiparar essa linguagem com a do cinema de aventura). Tal fato, o diretor Bernardes percebeu, com este Jules Verne cheio de emoções e imagens inesperadas. Um bom espetáculo, para agradar a todas as famílias, cujo maior mérito fica para a dramaturgia. Sai-se da peça com vontade de ver mais.
 


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A arte de surpreender
“O teatro é arte que, antes de mais nada, deve surpreender, divertir e emocionar. E qual a melhor tradução disso tudo, do que senão uma surpreendente aventura”, afirma o diretor que conclui: “Escolhi algumas das melhores aventuras, e incluímos um elemento que não existe no romance, o humor. Para levar essa história à cena, foram precisos muitos meses de trabalho e uma equipe competente e de profissionais de talento inigualável: Fátima Valença, que desenvolveu o texto a partir de minhas ideias, Carlos Alberto Nunes criando cenários impressionantes, lindos figurinos de Kika Lopes, luz maravilhosa de Paulo César Medeiros, movimentos de Duda Maia e a parceria essencial de Andrea Alves, que acreditou desde o primeiro encontro, que seria possível concretizar e levar adiante essa aventura”. 

Serviço
Local: Teatro OI Casa Grande (Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 - Leblon)
Informações: 2511-0800
Bilheteria: 3ª e 4ª. das 15h às 20h, 5ª e 6ª. das 15h às 21h30, sábados das 12h às 22h e domingo das 12h às 19h30
Horários: Sábados e Domingos, às 16h
Ingressos: Setor da Plateia - R$ 70,00 / Setor do Balcão e Camarote - R$ 60,00
Classificação: Livre – recomendado para crianças a partir de 5 anos
Duração: 60 minutos
Capacidade: 950 lugares
Temporada: 11 de agosto a 30 de setembro
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