“Quase normal” emociona e faz refletir

 
(Foto: Divulgação)

Sabe aquela ideia de musical, com canções alegres, letras leves e coreografias? Pois bem, “Quase Normal” foge de tudo isso. E não pense que isso é ruim. O musical, com versão e direção de Tadeu Aguiar e direção musical e regência de Liliane Secco, chega ao Teatro Clara Nunes, como uma novidade nos palcos brasileiros: trata-se de um musical denso, psicológico, distante do universo de noviças, munchkins e cabarés ao qual viemos nos acostumando desde que o desembarque de sucessos da Broadway se tornou mais frequente por aqui. O resultado é um texto pesado, porém capaz de mexer com a emoção do público. Se essa era a intenção do diretor Tadeu Aguiar, ele conseguiu. Em quase três horas de espetáculo, é impossível não se prender ao texto e a história. Pesado? Não. Eu diria “envolvente”.

Quando estreou em Nova York, em 2008, "Next To Normal" maravilhou público e crítica pela originalidade de sua história e a potência de seu texto (de Brian Yorkey) e música (Tom Kitt, de "Alta Fidelidade"). A dupla ganharia o Pulitzer de teatro e três Tony. De lá para cá, viu o espetáculo, mais rock’n roll do que o título sugere, viajar mais de dez países.

Vanessa Gerbelli faz o riquíssimo papel central - Diana Goodman é uma dona de casa bipolar cujos altos e baixos são domesticados por toneladas diárias de pílulas. O calendário da cozinha ainda está no ano passado, a comunicação com o marido e a filha de 18 anos está comprometida. O fantasma do filho perdido é o único consolo, um antídoto contra a depressão. Diana chega a um ponto em que já não sente nada. Até que ela decide libertar-se dos remédios e ter uma "vida menos cinza". Estamos falando de loucura, morte, rejeição, apego. As músicas são comoventes, são um gatilho muito eficiente para chegarmos à emoção.

(Foto: Divulgação)

Quando a Diana de Vanessa Gerbelli diz a sua primeira fala cantando, o público já sabe que “Quase Normal” é um musical moderno. Aliás, a peça inteira é cantada, do início ao fim, sem pausas. O cenário é uma sofisticada casa de um arquiteto, onde os móveis brilham e há requinte e bom gosto. Porém, apesar de tantos elogios, “Quase Normais” carece de feiúras, de sujeiras, de imperfeições, de símbolos estéticos que presentifiquem as dores pelas quais passam essa família, que ofereçam ao público marcas de verdade para que ele possa realmente acreditar na história que está assistindo ser contada.

Com direção musical e regência de Liliana Secco, todos os atores cantam bem as belas músicas. Cristiano Gualda (Dan, o pai) e Carol Futuro (a filha) são os pontos altos do elenco, de um modo geral. Carol interpreta a difícil Natalie, sem cor, sem vida, sem graça com muita generosidade, o que é bastante positivo. Gualda dá vida ao marido apaixonado pela esposa e pela família e que, como ela, precisa aprender a ter coragem para solucionar os problemas ao invés de simplesmente esquece-los. Victor Maia dá vida a Henry, o namorado de Natalie.

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De fato “Quase Normal” tem tudo para repetir no Brasil o mesmo sucesso americano. 

A história 
Quase Normal é a historia de uma família que pretende levar uma vida normal, e enfrenta a adversidade, passando por uma numerosa gama de emoções que sacodem o público com intensidade, diverte com seu humor e o deixa, renovado e comovido pelas semelhanças que encontra entre o que ocorre em cena e o que passa no interior de suas próprias vidas.

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A historia apresenta uma família “quase normal”: Diana, uma Dona de casa convencional que luta contra uma profunda desordem bipolar; Dan, seu abnegado marido, que luta para deixar a família unida; Natalie, a filha problemática, que tem péssima relação com a mãe e sonha em fugir de casa; e Gabriel, o filho praticamente perfeito, que deseja se manter presente para sempre.

(Foto: Contracen@rte)



Este espetáculo tem o incentivo do Ministério da Cultura

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