“Os Suburbanos”: Humor a la “nem”

(Foto: Google Imagens)
 
A receita é simples: pegue as melhores e mais inusitadas situações do dia a dia de um bairro pobre, junte com bom pagode e uma pitada de humor seco e pronto. Tá feito um espetáculo promissor capaz de atrair público por mais de dois anos seguidos. “Os Suburbanos” é assim. Com texto e direção assinados por Rodrigo Sant’anna, que também atua ao lado de Thalita Carauta e Isabelle Marques, a peça lotou a casa de espetáculos Vivo Rio, no Rio de Janeiro. Claro, a presença mega esperada das personagens Janete e Valéria, do programa Zorra Total, foi um dos principais fatores para a atenção do público, mas não podemos deixar de lado, de forma alguma, a importância da atriz Isabelle Marques, que nos brindou com as melhores cenas.

Composta por seis esquetes, a montagem retrata histórias de moradores da periferia, que em meio a todas as suas angústias, anseios e desejos, enfrentam situações adversas no dia a dia. As histórias trazem à tona vestígios do carioquíssimo besteirol dos anos 80. Em “Os Suburbanos” há cenas de espera por um coletivo no ponto de van ou pelo trem lotado e outra em que o objetivo é encontrar o lugar mais frequentado na praia pelos artistas. Também tem um momento em que uma esposa arma confusão por conta das “aventuras” do seu marido “galinha”, além de ser mostrada a tentativa de ser higiênico em estadia num motel barato. Por fim, todos os personagens se encontram quando acontece um “apagão” no hospital.

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O texto exibe com maestria os maneirismos, o palavreado, as angustias e anseios deste povo que tanto sofre, mas sorri na mesma proporção. A homenagem segue aos moradores da periferia com muito humor e pagode ao vivo. Montada um ano depois de Rodrigo Sant’Anna ter se formado, a inspiração para a peça nasceu da falta de recursos, e contou com o apoio da mãe do artista, que fez um empréstimo para ‘patrocinar’ a realização do espetáculo. Durante a apresentação no Vivo Rio, ficou clara, mais uma vez, o talento e a química da dupla Rodrigo Sant’anna e Thalita Carauto. No entanto, nem tudo foram flores, o sistema de som da casa de espetáculos parecia apresentar algum tipo de sintonia, deixando as vozes dos atores tão alta, que em alguns momentos parecia que os tímpanos iriam explodir a cada grito ou cena de histeria.

O espetáculo começou em 2005, no Teatro Maria Clara Machado, situado na Gávea, onde permaneceu em cartaz durante dois meses. Devido ao sucesso, foram convidados para se apresentar no Teatro do Leblon, na sala Fernanda Montenegro, onde permaneceram por um ano com sessões extras. Após o crescimento, com sucesso de público e crítica, “Os Suburbanos” não parou mais, passando por diversas cidades brasileiras nesses seis anos de sucesso. A peça continua a mesma desde sua estreia, apenas com as mudanças de algumas piadas e improvisos típicos da comédia.

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O cenário, criação de Rodrigo e Daniel Fonseca, traz uma estrutura formada pela frente de uma Kombi anexada a um quadro de bicicleta, que se move de um lado para o outro e serve de janela para os atores anunciarem os títulos de cada esquete, no estilo dos anúncios dos destinos dos lotações que saem dos subúrbios. A dificuldade foi definir como ambientar seis esquetes com diferentes cenários, sem dinheiro. A solução veio por meio de três telões com colagens fotográficas e um sofá-cama que permanece o tempo todo no palco e é usado inicialmente como palco, parede de ponto de ônibus, trem e depois se transforma em uma cama de motel.

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No palco Thalita Carauta, Isabelle Marques e Rodrigo se revezam entre os quatro personagens que cada um interpreta. E a principal diferença entre eles fica por conta da excelente atuação dos atores, que aplicam o gestual, o corporal e a fala de diferentes formas. No entanto, o espetáculo peca por alguns exageros (poucos), mas que não atrapalham em nada o tempo da comédia. O momento alto fica, claro, por conta da aparição de Janete e Valéria, que abusam dos bordões, mas não conseguem atingir a mesma sintonia apresentada na TV. Talvez seja pelo palco, talvez seja pelo vivo, ou talvez seja simplesmente pelo fato de estarem no palco. Em todo caso, “Os Suburbanos” não deixa de ser uma boa sugestão para quem quer rir das desgraças da vida.
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