Flip 2012 chega ao fim com a sagração da literatura

(Foto: Divulgação)

O encerramento da 10ª. Festa Literária Internacional de Paraty foi uma celebração da poesia, do conto, da crônica e do romance, presentes nos trechos de obras que os autores convidados leram para a plateia. Como disse Liz Calder, a criadora da Flip, ouvir dos escritores alguma coisa daquilo que eles mais apreciam em literatura era a melhor maneira de fechar o último dia antes de mais um ano de espera por nova festa.

Amin Maalouf foi o primeiro, e escolheu um trecho do livro de memórias O mundo que eu vi, do austríaco Stephen Zweig. O capítulo, intitulado O mundo da segurança, fala do estado de bem-estar em que se vivia na Áustria antes do nazismo e sua escolha, ainda que não explícita, soou como uma homenagem ao Brasil, país que Zweig escolheu para viver seus últimos dias.

A escolha de Dany Laferrièrre foi ler o conto Funes, o Memorioso, de Jorge Luís Borges, que narra o reencontro com o personagem Irineo Funes, uma das figuras míticas do escritor argentino. Já Dulce Maria Cardoso preferiu o primeiro texto em prosa publicado pelo português Herberto Helder, intitulado Os passos sem volta, considerado por alguns críticos como o maior poeta português depois de Fernando Pessoa.

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Enrique Vila-Matas repetiu o mesmo poema que havia lido seis anos atrás, na Flip. E leu mais uma vez Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, de Fernando Pessoa por seu heterônimo Álvaro de Campos. Depois dele, Zoé Valdez escolheu Lygia Fagundes Telles, e leu o trecho final do conto O moço do saxofone, publicado no livro Antes do baile verde.

Ian McEwan selecionou o denso conto intitulado Os mortos, parte de Os Dublinenses, de James Joyce, no qual um homem redescobre o amor por sua mulher ao ouvir dela, de passagem, um comentário sobre o jovem que se havia deixado morrer por ela.

Javier Cercas preferiu o final de Dom Quixote, de Cervantes, capítulo intitulado Feliz mal entendido, quando o cavaleiro da triste figura retorna para casa, curado de sua loucura mas agonizante dos sofrimentos de sua aventura. No leito de morte, Quixote manda buscar o tabelião, Sancho Pança e sua sobrinha e herdeira, para ditar seu testamento. Em meio às lamentações do escudeiro, ele encerra sua história: “Já fui louco e sou são”.

Para marcar os 50 anos, dois dias e 17 horas que, segundo ele, se completavam naquele momento em relação à morte de William Faulkner, Juan Gabriel Vasquez escolheu aquele que considera “o mais faulkneriano dos escritores latino-americanos”, o uruguaio Juan Carlos Onetti, de quem passou a ler um trecho de O estaleiro.

Luiz Fernando Veríssimo, o último a apresentar suas preferências literárias, decidiu que somente revelaria o nome do autor no final. Leu, então, a crônica intitulada Imaginação, que termina como uma ode à literatura: “Estou só, com minha imaginação e um livro”. Depois, revelou que se tratava de Millôr Fernandes, um dos mais profícuos autores brasileiros de todos os tempos, falecido em março deste ano.
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