Pane elétrica atrasa peça de Rosamaria Murtinho

(Foto: Divulgação)

As atrizes Rosamaria Murtinho e Nathália Timberg levaram um susto na última quinta-feira (14) antes da apresentação de encerramento de temporada do espetáculo “Sopro de Vida”, no Theatro Net Rio, em Copacabana, na Zona Sul. Uma pane no gerador do teatro atrasou o espetáculo, que estava previsto para começar às 17h, em uma hora. Com isso, o público, em sua maioria de idosos, teve que literalmente “passear” pelo shopping. Sem ar condicionado, permanecer dentro do teatro foi um desafio. No entanto, a equipe do teatro em todo momento foi atenciosa com o público, fornecendo todas as informações e dando a atenção devida. Enquanto isso, as atrizes aguardavam ansiosos no camarim. Rosamaria Murtinho falou com exclusividade ao Contracen@rte sobre o que aconteceu. Segundo ela, chegou a ocorrer um princípio de incêndio.

“Eu levei um susto. Já pensou? Logo na última apresentação, seria muito azar né? Mas que bom que o público entendeu e deu tudo certo. Pena que o ar condicionado não funcionou, mas acho que isso também não atrapalhou o espetáculo. Mas que foi um susto foi. Estou nervosa até agora, nunca tinha passado nada por isso. Um princípio de incêndio, assim, logo num teatro recém-reformado. Não gosto nem de pensar, mas toda equipe técnica, os bombeiros, todos tiveram muita paciência e souberam contornar a situação”, disse Rosamaria após a apresentação.

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De acordo com o teatro, houve um problema de sobrecarga no gerador, o que causou a pane elétrica. Técnicos foram acionados e conseguiram refazer uma ligação de emergência, mas o sistema de ar condicionado continuou sem funcionar. Os funcionários do teatro negaram, no entanto, que tivesse ocorrido um princípio de incêndio. A programação dos outros dias não foi afetada.

O espetáculo de autoria do inglês David Hare conta a história de duas mulheres que se enfrentam pelo mesmo homem, partilhado por ambas durante mais de 25 anos. A amante (Nathalia Timberg) é mais velha que a esposa (Rosamaria Murtinho) e até mesmo que o próprio marido. A partir desta trama, as personagens de David Hare revelam suas sensações, sentimentos e preconceitos. A personagem de Nathália foi curadora de um grande museu, ativista política profundamente envolvida com suas causas e observadora arguta de sua época.  Já a de Rosamaria, Frances, se casou virgem, foi boa mãe, viveu para o lar e, já madura, se tornou escritora de sucesso produzindo literatura popular.

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Na Inglaterra, Madeleine era Dame Maggie Smith, enquanto Frances era vivida pela igualmente Dame Judi Dench. No entanto, aqui como na terra da rainha Elizabeth, o interesse por “Sopros de vida” parece parar por aí. Não que o texto seja exatamente ruim: não é. Repleto de pequenas ironias espertas, muito bem colocadas, trata-se de um texto ágil e “redondo”. Mas a impressão que fica é de frieza, de que o acerto de contas, afinal, não acontece. As duas mulheres tão diferentes e interessantes de David Hare, afinal, parecem orbitar eternamente a figura de Martin, o marido e amante traidor.

A excelente escolha das atrizes é acompanhada por cuidados raramente vistos por aqui. O cenário de Celina Richers é incrivelmente realista, caracterizando à perfeição a sala de uma mulher tão interessante e vivida como Madeleine. São móveis, luminárias, livros, objetos — enfim, há mil detalhes a traduzir em cena a história de vida daquela senhora. Tudo parece pensado à exaustão, e isso é muito bom. Os figurinos de Beth Filipecki não deixam a peteca cair. Não são apenas bonitos, mas inteligentes. Definitivamente, “Sopro de Vida” deixou muita gente ansiosa para a sua volta. Vamos torcer para que não demore, mas que dessa vez sem sustos.

(Foto: Contracen@rte)
O diretor
Diretor, autor, cenógrafo e figurinista, Naum Alves de Souza é um homem ligado a múltiplas atividades, não apenas no campo do teatro como também da televisão, cinema e ópera. Aos 18 anos de idade, começa a dar aulas em São Paulo de educação artística e iniciação às artes plásticas para crianças e adolescentes. Com alguns alunos da Fundação Armando Álvares Penteado, FAAP, abre o Pod Minoga Studio, um centro de pesquisas de linguagem cênica que, nos anos 70, causa furor e torna-se um fenômeno cult. Sua estreia profissional fora desse grupo se dá como cenógrafo e figurinista em “El Grande de Coca-Cola”, musical americano dirigido por Luís Sérgio Person. Na sequência, executa os bonecos de “Vila Sésamo”, programa infantil da TV Cultura de enorme sucesso. Como autor escreve e dirige a trilogia “No Natal a Gente Vem Te Buscar”, “A Aurora da Minha Vida” e “Um Beijo, um Abraço, um Aperto de Mão”, que arrancou grandes elogios do crítico Yan Michalski.

(Foto: Contracen@rte)

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