"Cabaret": Um show de sensualidade

(Foto: Divulgação)

Se você é daqueles que não aguentam fortes emoções, então é melhor nem continuar lendo esse post. Já que você insistiu, vamos lá. Sabe aqueles musicais, que te deixam boquiaberto do início ao fim, chamam a atenção pelos detalhes e mega produção? “Cabaret” é tudo isso e, se me permitem dizer, mais um pouco. Como ator e jornalista, já tive a oportunidade de assistir a vários tipos de espetáculos, de diferentes gêneros e de uma variedade de diretos, mas Cabaret -  muito bem dirigido pelo diretor e ator Miguel Falabela – fala mais alto pela ousadia, pela qualidade dos atores, pela dança, pelo canto e, principalmente, pela sensualidade. Um show à parte.

Vamos então começar pelo começo. A escolha do teatro para abrigar a versão nacional de “Cabaret” não poderia ter sido melhor: o imponente Oi Casa Grande, no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Como tem sido todos os dias, o teatro estava lotado na noite de domingo (26). O público, em sua maioria de terceira idade, parecia ansioso para ver a grande estrela da noite, a atriz Cláudia Raia, no papel da problemática Sally Bowles, interpretada por Liza Minelli nas telonas. E vamos concordar: “Cabaret” é Cláudia Raia. A atriz multiuso não só interpreta, mas também canta, dança e até arrisca uns saltos. 

(Foto: Divulgação)


Encenado pela primeira vez há exatos 45 anos, com texto de Joe Masteroff, música de John Kander e letras de Fred Ebb, “Cabaret” se tornou um dos musicais de maior sucesso de todos os tempos – não só por sua poderosa equipe de criação, mas também por ter sido uma das mais felizes transposições já realizadas do palco para as telas. Se a montagem de Harold Prince para a Broadway conquistou oito prêmios Tony, no filme de Bob Fosse não ficou atrás: levou o mesmo número de estatuetas no Oscar e, de quebra, consagrou Liza Minnelli no papel principal.

(Foto: Rodrigo Vianna /Contracen@rte)

Dono de larga experiência na viabilização de dezenas de musicais, como os recentes A Gaiola das Loucas e Hairspray, Sandro Chaim é parceiro de Claudia na empreitada e assina a produção geral de Cabaret, cujos créditos incluem ainda direção musical e vocal do maestro Marconi Araújo, coreografia de Alonso Barros (de volta ao Brasil depois de uma temporada de 23 anos na Áustria), cenários de Chris Aizner e Renato Theobaldo, figurinos de Fábio Namatame e iluminação de Paulo César Medeiros. O elenco tem 21 atores e uma orquestra de 14 músicos, regida em cena pela maestrina Beatriz de Luca.

(Foto: Rodrigo Vianna /Contracen@rte)

Algo que chamou a atenção foi justamente o a cenografia. Não só o palco, mas todo o teatro foi caracterizado como um verdadeiro cabaret. Dois lustres davam o clima do espetáculo e no palco, uma brilhante escadaria levava ao “segundo andar”. Não tinha como não se sentir dentro da Kit Kat Club, uma decadente casa noturna em Berlim, em 1931. Em cena, atores sarados, usando apenas espartilho, cuecas e uma micro blusa, exibiam os seus corpos e atiçavam o público, que muitas vezes soltava  palavras como “pesado”, “vulgar”, “vergonha” ou inaceitável”. Bom, como bom apreciador da arte, acho que se esse tipo de público não quisesse se assustar com tais cenas, deveria ter procurado um lugar na primeira fila de “Peter Pan” ou “A Branca de Neve”. 

Como um dos pontos altos do musical estão as letras de Fred Ebb e músicas de John Kander, de inspiração, ironia, humor e lirismo capazes de emocionar o público desde os primeiros acordes da excelente orquestra comandada pela Regente Beatriz de Luca. Claudia Raia criou uma Sally Bowles deliciosa, mais madura e inclinada ao patético. Incrível atriz cômica que é, Raia resolve melhor os momentos de ironia e malícia do personagem. Com todo o seu romantismo e ousadia, “Cabaret” é, de longe, um dos melhores musicais brasileiros dos últimos anos. 

(Foto: Contracen@rte)


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