“Bibi - Histórias e Canções”: Um espetáculo de vida

(Foto: Divulgação)

Emocionante, comovente, de tirar o fôlego. São muitos os adjetivos que possam descrever “Bibi – Histórias e Canções”, o novo espetáculo que traz a dama do teatro brasileiro, Bibi Ferreira, em sua melhor forma. Confesso que fiquei sem palavras desde os primeiros acordes. Que simplicidade, que simpatia, que dedicação. Bibi Ferreira faz 90 anos e a emoção de assisti-la vem, dentre vários motivos, da graça que é contemplar alguém que dribla o tempo com doçura e com coragem, com talento e com técnica, com amizade e reconhecimento. Em 1h15 de show, a grande atriz e cantora conversa com o público, dialoga com o maestro, interage com a plateia. Uma verdadeira lição de arte, um espetáculo de vida.


Assistam acima ao vídeo com amensagem da atriz Bibi Ferreira para o Contracen@rte

A estreia do musical marca uma enxurrada de comemorações. A começar pelos 90 anos de Bibi Ferreira. Logo depois vem a reabertura do Teatro Tereza Raquel, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, com novos nome e curadoria, agora Theatro Net Rio. Com direção de João Falcão, no palco, Bibi faz um apanhado de seus 70 anos de carreira, acompanhada de uma orquestra de 27 músicos. O repertório é um resumo de alguns dos momentos mais marcantes de sua carreira como “Minha querida lady” (adaptação de 1962 do musical “My fair lady”), “Alô, Dolly” (de 1965, adaptação de “Hello, Dolly”), “Gota d´água”(1975) e “Piaf, a vida de uma estrela da canção" (1983) e “Bibi Ferreira vive Amália Rodrigues” (2001).

(Foto: Divulgação)

Bibi Ferreira é, indiscutivelmente, uma estrela. A presença dela ilumina o palco. É indescritível a verdade que ela transmite com o olhar e até mesmo os poucos gestos que ela faz. É uma “Diva do Teatro”, uma mulher que contagia com sua sabedoria e simplicidade ao mesmo tempo. E para quem duvida do seu fôlego, na noite de sexta-feira (8), durante sua apresentação, chegou um momento em que ela disse: "Vou cantar algumas músicas de espetáculos que AINDA não fiz". É ou não é uma prova viva de paixão pelo palco, pela arte. Bibi é uma arteira de carteirinha. De fato, ainda há muitos palcos pela vida que precisam ser preenchidos pelo seu talento.

Além do que o Brasil já viu, no programa, constam números inéditos: interpretações de canções brasileiras de compositores como Chico Buarque, Noel Rosa, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além de brincadeiras com óperas clássicas e textos nacionais. Vestindo elegantemente um vestido longo, ela olha para o público sem os famosos óculos escuros que marcaram a sua imagem na televisão desde a sua inauguração nos anos 50 até hoje. O público vê os olhos de uma diva e encontra nele o mesmo brilho que tantos públicos ao redor do mundo encontraram ao longo desses noventa anos. O espetáculo é um acontecimento. Consagra uma artista ímpar que elevou seu ofício, em sete décadas de prática, à condição de arte maior.
(Foto: Divulgação)

O novo Terezão
Inaugurado em outubro de 1971 pela atriz que lhe emprestava o nome, o antigo Teatro Tereza Rachel recebeu artistas como Luiz Gonzaga, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulo Gracindo, Marília Pêra e Sérgio Britto durante mais de duas décadas de funcionamento. Entre 2001 e 2008, durante o período em que o teatro esteve desativado, seu espaço foi usado por uma igreja evangélica e, posteriormente, para ensaios dos musicais concebidos pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Tombado desde 2004 pela prefeitura do Rio, o teatro foi arrendado pelo produtor cultural Frederico Reder e reformado. Passou a ter duas salas: a Tereza Rachel, com quase 800 lugares, e a Paulo Pontes, com 200 assentos.

(Foto: Contracen@rte)
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