"A Primeira Vista": o retorno triunfal de Drica Moraes


(Foto: Divulgação)

Quem acompanhou a atriz Drica Moraes na sua incansável luta contra o câncer há cerca de dois anos esperava ansiosamente para vê-la de volta aos palcos e à TV com seu humor característico, seu talento inigualável e sua paixão pela arte. Drica é daquelas que não se deixa abalar e, após vencer a leucemia e ser submetida a um transplante de medula, ela se mostra mais forte do que nunca. A prova disso está no espetáculo “A primeira vista”, o qual ela contracena com a atriz e amiga Mariana Lima (que aliás está brilhante no palco, dando o tom certo em cada cena).

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Drica Moraes fala ao Contracenarte sobre sua volta aos palcos. Assitam ao vídeo acima.

Eu já era fã das duas. Impossível não lembrar da Drica Moraes e sua Márcia em Chocolate com Pimenta e de Mariana vivendo a irmã de Luis Carlos Prestes em “Olga”. Junte o talento da dupla a um texto impecável, cenário simples, mas revelador, e direção aguçada, e pronto: tá explicado o por quê do espetáculo estar com todas as sessões lotadas. 

(Foto: Divulgação)

Ao chegar ao Teatro Poeira, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, na última quinta-feira (17), a expectativa era de ver a atriz em ação novamente. E que ação. Durante quase duas horas de espetáculo, o que vimos foi uma Drica Moraes triunfal, vencedora e de talento único. É, ela está de volta.

“A Primeira Vista" é do mesmo autor (o canadense Daniel MacIvor) e do mesmo diretor (Enrique Diaz) da premiada peça “In On It”, de 2009. O espetáculo narra a história de duas amigas no decorrer de quinze anos. Nas lembranças da dupla, estão encontros no camping, o sonho de uma banda de rock que faz covers do “The Cure”, mentiras e sessões de análise.  A montagem é repleta de encontros, desencontros e, fundamentalmente, reencontros. No palco, um quebra-cabeça divertido e comovente da amizade entre duas mulheres absolutamente normais, interpretadas por Drica Moraes e Mariana Lima. A pólvora está nos pontos de vista da dupla, que são compartilhados com a plateia, de modo a que as cenas ganhem leituras diferentes e o espectador monte seu próprio quebra-cabeça a partir dessa relação caótica e hilariante.

(Foto: Contracenarte)

A cenografia, de Marcos Chaves, consta de piso do palco e a parede do fundo cobertos por desenhos e rabiscos em preto, completados por duas cadeiras, um aparelho de som portátil, uma barraca de acampamento e uma árvore plástica; a ótima luz de Maneco Quinderé acompanha as mudanças de tempo e tom. Os figurinos, muito simples e satisfatórios, são de Antonio Medeiros, e a música, marcante da época, de Fabiano Krieger e Lucas Mercier. A direção é de Enrique Diaz, que procura fazer viver as intenções do autor, com as atrizes manipulando os elementos que fazem variar a cena.

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A atriz Mariana Lima também falou com o Contracen@rte. Assistam ao  vídeo acima

Drica Moraes e Mariana Lima conseguem compor com considerável categoria suas personagens tão medíocres em suas vidas, principalmente quando pretendem ser musicistas e ter uma banda. Sem nenhum talento ou vocação para nada, elas buscam seu caminho pelo que está em moda, e por isso mesmo nunca atingem sucesso. Conseguir criar personagens plausíveis a partir desse texto e dessa situação é um teste para os talentos de Drica Moraes e Mariana Lima, pelo qual as duas passam com louvor.

(Foto: Contracenarte)

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