“Música para cortar os pulsos”: uma ciranda amorosa


Música pode lavar a alma, elevar o espírito e fazer sonhar. Mas é de ‘Música para cortar os pulsos’ que trata o espetáculo homônimo que marca a estreia do diretor e autor Rafael Gomes, responsável por um dos grandes sucessos da internet, o curta ‘Tapa na Pantera’.  Após ser eleito o melhor espetáculo jovem de 2010, a montagem volta ao Rio para curta temporada com estreia no dia 13 de abril, no  Glaucio Gill.

Em dez cenas curtas, a encenação apresenta ao espectador os universos particulares de três personagens em torno dos 20 anos: Isabela, Felipe e Ricardo. Os três se intercalam em monólogos nos quais discorrem sobre sentimentos amorosos como paixão, desejo, desilusão, perda, frustrações, tudo ao som das ‘músicas para cortar os pulsos’.

A complexa ciranda de relações entre eles é exposta enquanto as situações que narram (e vivem) levam a um impasse:  Isabela sofre porque foi abandonada,  Felipe quer se apaixonar e Ricardo, seu amigo, está apaixonado por ele. Na maior parte do tempo, os três atores estão juntos em cena e interagem, sem contracenar diretamente, embora as histórias envolvam os três personagens.

As canções são peça-chave no espetáculo. Há trechos de várias delas citados durante o espetáculo como texto. “Costumo dizer, de brincadeira, que se trata de um musical em que ninguém canta. São 18 músicas, com trechos inseridos durante as cenas e nas passagens entre elas”, explica Rafael. A trilha traz desde Gal Costa (‘Três da Madrugada’), passando por The Cure (‘Boy´s don´t cry’), Beach Boys (‘God only Knows’), Debussy (‘Clair de Lune’) e Piazolla (‘Tango apasionado’), além de trechos de óperas e trilhas de filmes.

O espetáculo traça uma geografia de afetos e sentimentos da juventude urbana contemporânea. Através de um recorte sincero e verossímil, fala sobre e para todos, retratando com propriedade o que podem ser e como se dão os amores e as paixões (e o sofrimento que deles advém) de corações que vivem no rápido e mutável mundo atual, em metrópoles amplas e fragmentadoras. 

‘Música Para Cortar Os Pulsos’ ergue um espelho direto da sociedade contemporânea, especificamente de uma determinada juventude urbana cujas vivências, afetos e subjetividades são pautadas por experiências simultaneamente intensas e fragmentadas. Acima de tudo,  transforma em teatro os pequenos e grandes acontecimentos da vida.
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