“Emilinha e Marlene”: Uma rivalidade que emociona



Riqueza e emoção. Não há outra maneira de classificar o espetáculo “Emilinha e Marlene: as rainhas do rádio”, que fica até o dia 3 de junho no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, na Zona Sul do Rio. As quase três horas de espetáculo (acreditem, a gente nem percebe o tempo passar), fazem de simples imortais como eu, que não viveu a era de ouro do rádio, querer voltar no tempo só para conferir de perto esse amor platônico, movido a tapas e beijos.

Que seja dita a verdade: não é de hoje que o teatro brasileiro por meio de musicais biográficos resgata a vida e carreira de ídolos do passado da MPB. Depois do grande sucesso do brilhante e inesquecível "Somos irmãs", sobre as irmãs Dircinha e Linda Batista; Isaurinha Garcia, Aracy de Almeida, Clara Nunes, Elis Regina, Nara Leão, Cartola e outros, já tiveram suas trajetórias pessoal e profissional contadas no palco em espetáculos bem ou mal sucedidos.


A fórmula é sempre a mesma: conta-se a vida do homenageado por meio de uma narrativa dramática repleta de suas canções que vão emoldurando suas várias fases. No caso de Emilinha e Marlene, o cenário simples engana o público, que num primeiro momento pode achar estar prestes a conferir mais um musical, mas a grandiosidade dos figurinos e a produção impecável logo na primeira cena já causam uma sensação de impacto capaz de prender o ar.

O musical traz para os palcos a eterna rivalidade entre as duas maiores cantoras dos tempos de ouro do rádio, Emilinha e Marlene. Apesar de não se tratar de um retrato biográfico, o espetáculo que resgata o glamour da época conta a história de duas irmãs que, depois da morte da mãe delas, vão à casa e encontram fotos do passado. Uma delas era fã de Emilinha e a outra, de Marlene. Aliás, não poderia haver saída melhor para a narrativa do espetáculo.


Sobre os atores, o talento é óbvio em cada um deles, mas quem puxa o "comboio" sem dúvida é Solange Badin e Vanessa Gerbelli, que interpretam Marlene e Emilinha, respectivamente. A direção foi muito feliz, pois conseguiu colocar em cena um painel satisfatório de dois icones da MPB através de uma linha do tempo que consegue ilustrar para quem não conhece e para quem é fã ardoroso. O elenco de apoio serve como locomotiva, é impressionante.

Além de Ângela Rebello e Rose Doaut completam o elenco de coadjuvantes Stella Maria Rodrigues, Cristiano Gualda, Luiz Nicolau, Ettore Zuim, Cilene Guedes, Mona Vilardo e Cédria Gottesmann, que se desdobram em papéis. Cilene Guedes e Luiz Nicolau destacam-se pela presença e caracterização, como Bibi Ferreira e Cauby Peixoto. Eles estão ótimos.



Mas as protagonistas Vanessa Gerbelli e Solange Badim são as personagens centrais dessa trama. Emilinha e Marlene são os grandes trunfos do musical. As atrizes estão brilhantíssimas. Vanessa arrebata pela delicadeza; enquanto Solange, pela força. Talvez seja esta a receita do espetáculo: atores com talento incontestável, boa produção e, claro, o resgate da brasilidade, que traz à pele, por quase três horas, o glamour da época de ouro do rádio.
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