Teatro: Espetáculo 'Ponte Golden Gate' reestreia no Rio após sucesso em 2017

Por João Guerra

Cena do espetáculo "Ponte Golden Gate" - Thaís Belchior, Léo Bahia e Mariana Cerrone
(Foto: Divulgação/ Flávio Dantas)

 Depois da temporada no Teatro Ipanema em 2017, a peça "PONTE GOLDEN GATE" volta à cena carioca, agora no Teatro dos 4, onde fica durante o mês de janeiro. O texto é do ator Igor Cosso, e a direção de Wendell Bendelack (“Surto”). O conta com atores e atrizes em alta cena teatral e tem também a presenção do ator Leo Bahia que atualmente está no ar na novela “O Tempo Não Para” sucesso de audiência da TV Globo. Dentre eles temos: Thais Belchior, João Vitor Silva (“Verdades Secretas” e Rock Story”), Mariana Cerrone, Hamilton Dias e o próprio autor Igor Cosso integra o elenco.

O mote para a criação da peça veio do filme A PONTE (The Bridge), do americano Eric Steel,que deixou câmeras em vários ângulos, por um período de quase um ano, voltadas para a ponte Golden Gate, em São Francisco, USA - lugar conhecido como a Meca dos suicídios, pelo alto índice de suicídios. Entre os relatos dos parentes das vítimas e até de sobreviventes, apresentados no filme, Igor Cosso enxergou um viés de absurdoe um potencial cômicoque o inspiraram a escrever o texto – uma tragicomédia que fala da falta de respostas para os enigmas da nossa existência.

"Eu vou morrer. Você também. E seus pais. Seus amores. Todo mundo vai morrer um dia. Tem gente que é de repente. Tem gente que a saúde prepara. E tem gente que escolhe. Sempre que temos que lidar com a morte, inevitavelmente refletimos sobre a vida. Tem perguntas que não tem respostas. Mas o que nos resta se não buscá-las? A gente tá ferrado. Só nos resta rir de nós mesmos. A vida é um absurdo! Tanto quanto a Golden Gate Bridge em São Francisco ter se tornado o maior point de suicidas do mundo. Inspirado pelo documentário "The Bridge" do diretor Eric Steel, minha curiosidade extrema pelo desconhecido e minha paixão pelo humor "no sense", surgiu o texto PONTE GOLDEN GATE.",revela Igor Cosso.

Inicialmente criada como um esquete para festivais, PONTE GOLDEN GATE é agora uma peça pronta, com novos personagens e aprofundamento das reflexões. O então esquete foi consagrado nos festivais FESTU RIO e FESQ CABO FRIO, ganhando os prêmios de MELHOR TEXTO (entre mais de 120 textos no Festu), MELHOR ATRIZ (Mariana Cerrone) e MELHOR CENÁRIO, e estimulando Igor Cosso a desenvolver a história.

SINOPSE
Seis brasileiros em excursão a São Francisco são atraídos por diferentes razões para a famosa ponte Golden Gate. Alguns deles estão vivendo situações limite, outros descobrirão acontecimentos que mudarão suas vidas. Leo (João Vitor Silva) não dorme há dias com um zumbido em sua cabeça. A baiana Janete (Mariana Cerrone) não suporta a ideia de que um dia as pessoas que ama vão morrer. Suzana (Thais Belchior) e Geraldo (Hamilton Dias) estão na lua de mel dos sonhos, até que uma revelação muda os rumos da viagem. Rael (Igor Cosso) revela um segredo terrível para seu namorado Beto (Leo Bahia).

Todos buscam respostas para a mesma pergunta: qual o sentido da vida? Sem saber para onde ir ou o que fazer, a ponte passa a representar uma possibilidade real de saída.

A MONTAGEM
O cenário de Marcella Rica utiliza-se de cinco escadas dobráveis em tamanhos diferentes, que fazem as vezes da ponte. Nelas se equilibram os atores, explorando instabilidade e altura num jogo com seus corpos.

FICHA TÉCNICA
Texto: Igor Cosso
Direção: Wendell Bendelack

Elenco / Personagem:
Igor Cosso / Rael
Leo Bahia / Beto
Thais Belchior / Suzana
Mariana Cerrone / Janete
João Vitor Silva / Leo
Hamilton Dias / Geraldo

Cenário: Marcella Rica
Figurino: Maria Thereza Macedo
Iluminação: Frederico Eça
Trilha Sonora: Flávia Belchior
Foto Cartaz: Vinicius Mochizuki
Foto Divulgação: Flávio Dantas
Design Gráfico: Andrea Barcelos e Thais Muller
Produção: Inverso Produções Artísticas e Igor Cosso
Assistente de Produção: Thais Belchior e Gabriel Ferri
Assessoria De Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

SERVIÇO:
Teatro dos 4
Shopping da Gávea R. Marquês de São Vicente, 52/2º piso – Gávea/RJ - 
Telefone: (21) 2239-1095
Horário: sempre às 5ªs, às 21h / Duração: 55 minutos
Lotação da Casa: 402 lugares
Gênero: Tragicomédia
Ingressos: R$50 (inteira) e R$25 (meia)
Funcionamento Bilheteria: 2ª e 3ª das 14h às 20h, 4ª a domingo das 14h
Compra Online: www.ingressorapido.com.br/
Classificação: 16 anos / Em cartaz: até 31 de Janeiro

Cinema: 'Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald': chegou!

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald", Direção: David Yates (Foto: Divulgação - Warner Bros)
"Animais Fantásticos e Onde Habitam" deu certo. O filme que tinha a missão de manter vivo o legado de Harry Potter funcionou, encantou o público, agradou a crítica, ganhou Oscar e fez sucesso o suficiente para se manter vivo pelos próximos 10 anos. A grande dúvida em torno da continuação era justamente saber se ela teria condições de estabelecer uma franquia própria, ou viria a ser lembrada como uma mera sombra da saga literária original. 

A beleza do longa anterior era dosar bem essas necessidades artísticas e comerciais: ao mesmo tempo que reconhecíamos aquele universo, também estávamos sendo apresentados a diversos novos personagens e conceitos. Por maior que fosse seu caráter introdutório, coisa que desagradou muita gente, o roteiro tinha elementos o bastante para criar uma identidade particular, longe do menino que sobreviveu.

Agora, em "Os Crimes de Grindelwald", a situação começa a se inverter. A autora, roteirista e chefona J.K. Rowling parece cada vez mais interessada em construir sua mega franquia, conectando pontos e preenchendo lacunas que talvez não precisassem ser preenchidas. Seu roteiro soa como uma tentativa de abandonar a ideia dos 'animais fantásticos', em prol de uma prequel oficial de "A Pedra Filosofal". O que faz comprovar que o primeiro filme é praticamente dispensável e o segundo enrola demais, a ponto de nem ter conseguido colocar a nova trama nos eixos.

(Foto: Divulgação - Warner Bros)
Importante dizer que isso não faz "Os Crimes de Grindelwald" necessariamente ruim. Pelo contrário, ainda é um produto gostoso de consumir, com uma montagem dinâmica e texto bem amarrado. O design de produção e os figurinos continuam a deslumbrar com a imaginação do mundo bruxo do início do século, desta vez focando em Paris e Londres. Os efeitos visuais deram um belo salto, valorizando por completo as capacidades do cinema IMAX, o que gerou um resultado magnífico nas telas grandes, muito melhor que qualquer outro Harry Potter.

Em paralelo, os personagens ganham novos instantes para se desenvolverem, em especial o protagonista. Eddie Redmayne reforça o acerto que foi sua escalação como Newt, um sujeito de poucas palavras e sorrisos envergonhados que ganha naturalidade com o jeito abobalhado e etéreo do ator. O mesmo pode ser dito de Katherine Waterston e Dan Fogler, que retornam para Tina e Jacob, aproveitando as oportunidades para mostrar lados desconhecidos dos dois: ela com um novo ar de autoridade e ele através de suas falas de lucidez no meio dos alívios cômicos. Por fim, não tem como não mencionar Jude Law, que transmite uma jovialidade meio anárquica à Dumbledore, mas também nos remete ao professor sábio e idoso que tanto amamos através do rosto sempre gentil e voz quase cedendo à rouquidão. 

Portanto, não é exatamente no que foi apresentado que residem os problemas. As grandes questões da franquia no momento giram em torno da demora da mesma engatar e do cheiro preocupante de retcon. Mesmo após dois longas, a impressão é que só agora a história vai começar. E pior, escolheu trilhar um perigoso caminho, onde flerta com a ideia de que tudo está conectado. Daí para cair na correção de continuidade e fazer bobagem no cânone tão certinho dos livros originais é um pulo. Tento ter a esperança de que J.K. não fará isso com a própria obra, mas os indícios de "Os Crimes de Grindelwald" não são os melhores. Claro que, enquanto os próximos capítulos não chegam, cabe a nós curtir a volta deste universo tão delicioso. Não vou negar que ver Hogwarts, mesmo depois de todo esse tempo, ainda é uma enorme alegria.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4123430
- Distribuidora: Warner Bros

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Teatro: 'Apenas 5 Minutos' faz refletir os acasos e encontros do dia a dia

Eudes Veloso, Tainá Bevilacqua e Thiago Fontolan no ensaio de "Apenas 5 Minutos"

O espetáculo "Apenas 5 Minutos" reestreia nesta quarta-feira (14), em apresentação única no palco do Bar Caiçara, na Ilha da Gigoia, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Escrita pelo jornalista, ator e produtor Eudes Veloso, a peça conta a história de duas pessoas que se esbarram na rodoviária e perdem o embarque dos últimos ônibus que estão partindo. O que poderia ser um simples acidente se transforma em uma noite que dificilmente será esquecida por Arthur (Thiago Fontolan) e Nina (Tainá Bevilacqua).

Com direção de Thiago Bomilcar Braga, "Apenas 5 Minutos" faz uma reflexão sobre escolhas que fazemos diante de um imprevisto.

No espetáculo, enquanto Arthur acredita que o destino reservou a noite especialmente para os dois, Nina não para de pensar nas consequências que o encontro terá em suas vidas. Aos poucos, Arthur e Nina são surpreendidos pela aparição de um taxista que tenta seduzir a moça, um travesti que faz ponto na rodoviária e um baleiro (todos interpretados por Eudes Veloso), que interferem na construção de uma possível relação entre o casal.



O Contracenarte acompanhou um ensaio do espetáculo. O que se viu foi um elenco entrosado, leve e seguro no palco. Se apresentar no palco de um bar, sem acústica, com som de barcos e música, é um desafio para o elenco, que tira de letra, aumenta a voz e transformar o Caiçara num palco de rua. O que se vê é uma espetáculo leve, divertido e atual. Uma divertida opção para começar bem o feriadão!

Serviço:

"Apenas 5 Minutos"

Data: 14/11/2018 (véspera de feriado)
Horário: 20h30
Local: Bar Caiçara - Ilha da Gigoia, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Ingressos: R$ 10 (R$ 5 para moradores da Ilha da Gigoia)

Cinema: Festival do Rio 2018 #10: 'Vox Lux', 'A Rota Selvagem', 'Wildlife'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

19) Vox Lux (EUA, 2018), direção: Brady Corbet
(Foto: Divulgação)
Adoraria entender o que Natalie Portman e Jude Law estão fazendo num projeto medíocre como este. "Vox Lux" é estranho, com tom equivocado e sem muito o que dizer. O diretor Brady Corbet escolhe uma abordagem meio solene, meio excêntrica, que parece não dar liga com a temática e muito menos com a trama contada. Nada combina, da disposição dos créditos às canções nem um pouco pop compostas por Sia. Mas talvez a parte mais esquisita seja a escolha do elenco: das duas personagens principais, uma troca a atriz quando tem um longo salto temporal, a outra não. Enfim, só uma das várias coisas sem sentido neste filme tão desarmônico. Nota: 2/5 (Regular)

20) A Rota Selvagem (Lean on Pete, Reino Unido, 2018), direção: Andrew Haigh
(Foto: Divulgação)
"A Rota Selvagem" é um filme que engana: inicia sugerindo um drama de pai e filho, depois parece flertar com a relação "mestre/aprendiz" e, por fim, chega a cair numa historinha de amizade entre homem e bicho. Mas não é bem essas muletas que o roteiro acaba escolhendo. Andrew Haigh opta por investir na busca pessoal do protagonista, assim como na sua noção de pertencimento e laços familiares. O diretor muda o tom da narrativa com eficiência sempre que necessário, sem deixar o espectador se desprender das telas. O mesmo vale para os momentos mais pesados, todos extremamente delicados e bem filmados. Vale o destaque para o ator Charlie Plummer, que apesar de jovem realiza uma performance forte, minimalista e muito comovente. Nota: 4/5 (Muito Bom)

21) Vida Selvagem (Wildlife, EUA, 2018), direção: Paul Dano
(Foto: Divulgação)
Nunca duvidei do talento de Paul Dano como ator, mas confesso que me surpreendeu sua aptidão para o cargo de diretor. "A Vida Selvagem", sua estreia na profissão, é uma obra madura, adulta e difícil. A mensagem não vem de forma muito clara, obrigando o espectador a buscar subtextos e significados por conta própria. O que dá para encontrar mais acentuado são pequenas quebras de paradigmas numa sociedade tão antiquada do interior dos Estados Unidos dos anos 60: seja o protagonista que prefere câmeras ao másculo futebol, ou mesmo uma mulher de 34 anos que toma a decisão de ter uma vida independente do marido. Dano investiga através do olhar de um adolescente em crescimento, sem jamais julgar nenhuma das partes. Sua câmera é sempre leve, praticamente só se movendo quando precisa enfatizar alguma coisa. Por fim, a condução dos atores merece um destaque especial: o jovem Ed Oxenbould faz um belo trabalho, assim como Jake Gyllenhaal, mas é Carey Mulligan que rouba a cena, num misto de carinho e ao mesmo tempo impulso de mudança. Nota: 4/5 (Muito Bom)

Com este post encerramos a cobertura do Festival do Rio 2018. Agradecemos a companhia, esperamos que continuem conosco! Em breve começamos a acompanhar a temporada do Oscar, contamos com vocês!

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com 

Cinema: Festival do Rio 2018 #9: 'Beale Street', 'Amanda', 'White Boy Rick'

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

15) Se a rua Beale falasse (If Beale Street could talk, EUA, 2018), direção: Barry Jenkins
(Foto: Divulgação)
Depois do fenômeno "Moonlight", Barry Jenkins retoma a investigação sobre a comunidade negra nos Estados Unidos, desta vez através de um caso de prisão injusta e assédio policial. E quando uso a palavra "caso" pode parecer um evento isolado, mas a realidade está muito mais perto do contrário: o que deveria ser exceção se tornou a regra. Jenkins opta por uma narrativa controlada, em dois tempos, que busca nos mostrar o envolvimento do casal principal e seus esforços para desfazer a condenação falsa que os separaram. A montagem de Joi Mcmillon e Nat Sanders, parceiros habituais do diretor, salta bem entre as linhas temporais, contribuindo para nossa percepção cada vez maior do sofrimento e dos dilemas dos personagens. A beleza do filme é conseguir transmitir urgência sem soar melodramático ou bombástico, de forma que quando vemos acontecimentos mais marcantes, eles passam o devido impacto justamente pelo contraste. Sem revelar o momento exato da prisão ou sequer um vislumbre de justiça, "Se a rua Beale falasse" encontra a trágica verdade que espera muitos jovens afro-americanos das periferias do país. A mesma encontrada pelo documentário "A 13º Emenda" e tantos outros filmes sobre o tema. Pelo andar da carruagem, o cinema ainda vai ter que se dedicar a denunciar essas barbáries por muitos anos. Nota: 4/5 (Muito Bom)

16) Amanda (idem, França, 2018), direção: Mikhaël Hers
(Foto: Divulgação)
"Amanda" poderia ser apenas uma historinha familiar que já despertaria interesse o suficiente no espectador, tamanha sua doçura e leveza. Mas por trás do rostinho encantador da menininha do título existe uma tragédia horrível, cuja inspiração provavelmente vem de alguns dos recentes atentados ocorridos em Paris e na Europa como um todo. Desta forma, ao perder a mãe, Amanda se vê obrigada a morar com o tio: um rapaz que nunca demonstrou a capacidade ou desejo de cuidar de uma criança. A partir daí que o conflito principal do roteiro se desenvolve, procurando encontrar o ponto de entendimento entre duas pessoas de luto que vão precisar uma da outra mais do que nunca. O diretor e roteirista Mikhaël Hers acerta ao investir em pequenas passagens de cicatrizações, preferindo a melancolia à tristeza. Vemos então uma trama de cura e reconstrução familiar, feita com muita delicadeza e respeito aos sentimentos de cada um. O paralelo entre uma fala da mãe falecida, com uma partida de tênis bem ao final da projeção e o próprio futuro dos personagens é um acerto afetuoso, que só joga mais amor neste filme e nestas pessoas que já queremos abraçar. Nota: 5/5 (Excelente)

17) White Boy Rick (Estados Unidos, 2018), direção: Yann Demange
(Foto: Divulgação)
Confesso que Matthew McConaughey é um ator que hoje em dia me fisga para qualquer produto. Neste "White Boy Rick" ele não ganha tanto o protagonismo que (sempre) merece, mas aparece o suficiente para deixar sua marca. Já o filme em si, não consegue se livrar de algumas falhas incômodas, embora conte a trama com razoável eficiência. Existem muitos pontos positivos, como o excelente elenco, os diálogos naturalistas e a fotografia triste que reflete o mundo dos personagens, entretanto algo no projeto soa errado e, por conta disto, ele não engata. A narrativa fria e cheia de conveniências (como a filha e os pais de McConaughey) é parte do problema, de forma que o drama do protagonista acaba enfraquecido. Em complemento, não consigo deixar de sentir a balança desequilibrada entre alguns personagens. Aqui ou ali o roteiro lança questionamentos apropriados, como as indiretas sobre a realidade criminal americana, mas logo esquece das mesmas para continuar a história principal (que honestamente é a menos relevante). E quando a gente começa a se interessar mais pelas figuras coadjuvantes sem que seja a intenção dos realizadores, normalmente quer dizer que tem alguma coisa errada. Nota: 3/5 (Bom)

18) O Caravaggio Roubado (Una Storia Senza Nome, Itália, 2018), direção: Roberto Andó
(Foto: Divulgação)
"O Caravaggio Roubado" é uma obra bobinha e esvaziada de profundidade emocional, mas tem seu charme como entretenimento despretensioso. Não há muito o que dizer por aqui: personagens unidimensionais, reviravoltas rocambolescas e traminha que parece um sub-Dan Brown. O que salva é o bom humor, quando o filme reconhece seu próprio absurdo. Dá pra divertir por duas horas e depois jogar no limbo da mente, nada mais que isso. Nota: 3/5 (Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Cinema: Festival do Rio 2018 #8: 'Asako I & II', decepção vinda de Cannes

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

14) Asako I & II (Netemo Sametemo, Japão, 2018), direção: Ryûsuke Hamaguchi
(Foto: Divulgação)
Não dá pra entender certas escolhas de Cannes. Fico imaginando como uma obra tão medíocre foi parar na mostra principal do maior festival do mundo. "Asako I & II" pode até ter alguns bons momentos, mas de um modo geral não passa de uma historinha boba, absurda e forçada que simplesmente não sabe quando parar. A trama dá voltas, se alonga além do necessário e parece não se decidir entre o estranhamento e o realismo. A narrativa fica então confusa, sem conseguir se estabelecer com firmeza em nenhum dos tons que apresenta. A própria protagonista soa como uma menina indecisa de ações inexplicáveis, jamais demonstrando dilemas complexos ou sequer reais. Embora a premissa tivesse elementos interessantes, a execução do projeto praticamente naufragou qualquer chance de se atingir um bom filme. Nota: 2/5 (Regular) 

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