Sessão Streaming #4: 'Super Dark Times', adolescência na Netflix

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Super Dark Times (EUA, 2017), direção: Kevin Phillips, disponível no Netflix
(Foto: Divulgação)
O longo acervo da Netflix e sua política de distribuição polêmica podem ser cruéis as vezes. Perdidas lá no meio, longe de qualquer incentivo ou verba de publicidade, algumas obras praticamente passam batidas das listas de 'favoritos' dos usuários. "Super Dark Times" é um exemplo perfeito, filme que hoje só consegue ver a luz do sol graças ao boca a boca de alguns poucos cinéfilos mais exploradores dos extensos menus da plataforma. 
A princípio não há nada que atraia a esta produção independente: bilheteria irrisória, pouco barulho no mercado internacional e quase inexistência de prêmios (uma solitária indicação no Independent Spirits Awards foi o feito de maior relevância que conseguiram). Mas com poucos minutos de filme, já dá pra perceber a tremenda injustiça que é o seu anonimato. "Super Dark Times" tem uma história dura e soturna, com intensidade dramática e pé na realidade. A narrativa viaja da leveza de adolescentes fazendo bobagens para uma tragédia de erros e arrependimentos, até chegar na beira do thriller psicológico. Tudo muito bem filmado pelo diretor Kevin Phillips, que sabe criar momentos marcantes através de belas tomadas, assim como conduzir seu elenco para caminhos que nem sempre atores tão jovens conseguem trilhar. Quando a trama chega ao clímax, o cineasta opta por mais uma mudança de gênero, que soa inesperada porém perfeita para a situação. Não deixem de assistir, de preferência sabendo o mínimo possível. As surpresas serão boas! Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Oito Mulheres e um Segredo': diversão com soluções fáceis

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Oito Mulheres e um Segredo", Direção: Gary Ross (Foto: Barry Wetcher/Divulgação - Warner Bros)
Difícil imaginar uma fórmula tão infalível quanto a da franquia "Ocean's". Diversos atores de primeira, trama ágil, montagem dinâmica e algumas reviravoltas. A trilogia de Steven Soderbergh e George Clooney se baseava nestes elementos para entregar um entretenimento leve, porém eficiente. Portanto não é de se espantar que o novo filme, agora com elenco feminino, faça... exatamente a mesma coisa.

Sai Soderbergh, Clooney, Brad Pitt, Matt Damon e companhia, entra Gary Ross, Sandra Bullock, Cate Blanchett, Sarah Paulson e companhia, mas a rigor o formato permanece o mesmo: uma história de assalto feita para divertir, sem maiores pretensões. Não que isso seja necessariamente ruim, pelo contrário, funciona muito bem. 

(Foto: Divulgação - Warner Bros)
Apesar do roteiro simplório, o maravilhoso elenco compensa em carisma e bom humor. É inevitável perceber os talentos das atrizes, que conseguem encantar e convencer através de poucos gestos ou falas, as vezes até preenchendo lacunas causadas pelo fraquíssimo desenvolvimento das personagens. Então mesmo quando o texto falha em dar informações de background, breves cenas de interação entre Bullock e Blanchett ou Mindy Kaling e Bonham Carter já são o suficiente para dizer tudo que precisamos saber. 

Portanto é uma pena que a produção tenha sucumbido a Rihanna, quando poderia ter investido em alguma outra atriz mais talentosa, mesmo que desconhecida. Vejam como a novata Awkwafina se saiu bem, praticamente roubando a cena mesmo com o limitado tempo de tela. Rihanna pode ser uma grande cantora, mas tem zero carisma, não rende nada atuando e destoa do restante do grupo. Algo que o próprio diretor, Gary Ross, parece perceber, ao dedicar falas bem curtas para sua pop star. 

Felizmente a atenção do cineasta é em Sandra Bullock, protagonista e força motriz da trama. Se não fosse por ela e (a maioria) de suas companheiras, realmente não sobraria muita coisa. A montagem é dinâmica, a trilha contagiante, mas o filme não passa de um amontoado de soluções fáceis que desabariam após qualquer reflexão mais aprofundada. Não que eu queira fazer isso. Estou perfeitamente satisfeito com o show de ilusões de "Oito Mulheres e um Segredo" e prefiro não acordar.

Nota: 3/5 (Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt5164214
- Distribuidora: Warner Bros

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Premiado musical 'Dançando no Escuro' reestreia no Rio

Por Redação

Cena do espetáculo "Dançando no Escuro" (Fonte: MSenna Circuito Geral)

  Estreou na última sexta-feira (01/06) no Teatro Oi Casa Grande pela primeira vez na Zona Sul, o premiado musical “Dançando no Escuro”, indicado aos prêmios Shell e CESGRANRIO (Atriz e Música), APTR (Música) e Botequim Cultural (melhor espetáculo, direção, direção musical, melhor atriz em musical, ator coadjuvante e atriz coadjuvante), onde o espetáculo foi vencedor na categoria Melhor Atriz para Juliane Bodini através do voto popular.

  A peça, dirigida por Dani Barros, que já brilhou em sucessos como “Estamira” mantém-se fiel à carga emocional e às reviravoltas da obra original. É daqueles espetáculos que você sai com a sensação de ter visto um filme. Mas é puro teatro. E dos bons. Ótima em cena, a atriz e protagonista Juliane Bodini está brilhante como Selma, dando vida à imigrante checa que começa a perder a visão devido a uma doença degenerativa.

  O drama musical é a única adaptação teatral autorizada do filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano 2000, onde a protagonista Björk também levou o troféu de melhor atriz. Com belas canções o espetáculo conta com a direção musical e arranjos de Marcelo Alonso Neves.

  Dançando no Escuro conta a história de Selma, imigrante Tcheca, operária de uma fábrica, que começa a perder a visão devido a uma doença degenerativa e que luta para que o seu filho de 12 anos não tenha o mesmo destino. Em sintonia com o tema, o espetáculo tem dois deficientes visuais na banda. É o único em cartaz no Rio de Janeiro com sessões exclusivas com libras, áudio-descrição, programas em braile e visitas guiadas para cegos conhecerem o cenário e elenco.

Transpor para o teatro essa obra cinematográfica tão marcante veio da vontade de abrir os olhos para o mundo, abordando assuntos tão pertinentes como preconceito, exclusão social e injustiça. E assim, tentar mudar os padrões e os vícios de uma sociedade onde a intolerância prevalece e o descaso nos envenena. É preciso enxergar o outro. Assim, escolhemos fazer um trabalho, um movimento, que permita que todo o público tenha acessibilidade dentro e fora do palco. Estar no OI Casa Grande é uma realização de um sonho e certeza que estamos fazendo um belo trabalho” 
Juliane Bodini e Luis Antônio Fortes, idealizadores do projeto.

  A adaptação de Patrick Ellsworth e a tradução de Elidia Novaes não deixam que o espectador que já viu o filme estranhe ou sinta falta de nada do que foi visto no cinema. É extremamente difícil e delicado adaptar para o Teatro uma obra tão densa como “Dançando no Escuro”, especialmente porque a linguagem cinematográfica de Lars Von Trier tem uma assinatura muito marcante. O que se vê no Teatro é a história à frente, sobrepondo-se a estilos ou vaidades. É a humanidade (ou desumanidade) das personagens que aparecem em primeiro plano.

  O excelente elenco e dramaturgia tiram o fôlego da plateia e os concentram de tal forma que ninguém se distrai ou vê passar os 120 minutos de espetáculo. Não há como não ter empatia com Selma e sua luta em conseguir dinheiro para realizar a cirurgia que vai livrar o filho da cegueira. “A montagem brasileira de “Dançando no Escuro”, única no mundo, é uma história que precisa ser contada. As pessoas precisam ouvi-la e vê-la. – diz o ator e produtor Luis Antonio Fortes (de “Os Inadequados”), idealizador da montagem junto com a protagonista Juliane Bodini (de “O Beijo no Asfalto – O Musical”) – É um musical grande, com nove atores, criança no elenco, músicos, muitos técnicos, com tudo que um grande musical tem. Você entra no teatro não só para se divertir ou se emocionar. É um musical que vai além disso”.

  Além do espetáculo teatral, o trabalho dos artistas envolvidos estará focado em movimentar, semear, articular e desenvolver um trabalho sério de acessibilidade dentro e fora do palco com equipe capacitada para atender o público com diversos tipos de deficiência, buscando não só o entretenimento cultural e sim um movimento de inclusão social.

Sinopse

Selma Jezková é uma imigrante Tcheca que se muda para os EUA em 1964 com Gene, seu filho, um garoto de doze anos. Ela tem uma doença hereditária degenerativa que a faz perder a visão, algo que também vai acontecer com seu filho. Ao saber que nos EUA existem médicos que podem operar Gene, foi o suficiente para fazê-la imigrar para o país. Selma aluga um trailer na propriedade de Bill e sua esposa Linda, seus vizinhos, onde vive humildemente. Trabalha exaustivamente em uma fábrica com sua melhor amiga Carmen e guarda tudo o que ganha para a cirurgia que evite que seu filho sofra do mesmo destino. Trágicos acontecimentos cruzam seus caminhos enquanto Selma sonha com o mundo dos musicais.

Musical baseado no longa-metragem de Lars von Trier.

Serviço

Local: Teatro Oi Casa Grande - Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 - Leblon
Valores: De R$25 (meia entrada balcão) a R$100 (inteira plateia VIP)
Quintas e sextas às 20h
Sábados às 21h
Domingos às 19h
Telefone: 2511-0800

CURTA TEMPORADA!

SESSÕES COM ACESSIBILIDADE:

Audiodescrição: 22 e 29 de Junho,
Libras: 23 e 30 de Junho.
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos
Drama Musical

Link venda online: www.tudus.com.br

FICHA TÉCNICA

Adaptação Teatral: Patrick Ellsworth
Tradução: Elidia Novaes
Direção: Dani Barros
Músicas livremente inspiradas no universo de Björk
Direção Musical e Arranjos: Marcelo Alonso Neves
Idealização: Juliane Bodini e Luis Antonio Fortes
Direção de Produção: Jéssica Santiago
Elenco: Juliane Bodini, Luis Antonio Fortes, Andrêas Gatto, Carolina Pismel, Daniel Brasil, Julia Gorman, Lucas Gouvêa, Marino Rocha e Suzana Nascimento
Músicos: Johnny Capler, Julio Florindo, Nelson Freitas e Roberto Bahal
Desenho de som: Áudio Cênico - Andrea Zeni e Joyce Santiago
Cenário: Mina Quental
Figurino: Carol Lobato
Iluminação: Felicio Mafra
Diretor Musical Assistente: Mauricio Chiari
Direção de Movimento e Coreografias: Denise Stutz
Aulas e Coreografia do Sapateado: Clara Equi
Preparação Corporal e Coreografias: Camila Caputti
Preparação Vocal: Mirna Rubim
Supervisão Fonoaudiológica: Luciana Oliveira
Visagista: Marcio Mello
Assistentes de Direção: Rubia Rodrigues e Camila Caputti
Assistente de Visagismo: Roberto Santiago
Coordenação de produção: Gabriel Salabert
Programação Visual: Daniel de Jesus
Fotos do Material Gráfico: Nana Moraes
Fotos de making off e registros: Los Padrinos Fotografia - Roberto Carneiro
Assessoria Jurídica: Heloisa Mourão
Assessoria Contábil: FORTES Assessoria Contábil
Confecção de Boneco: Bruno Dante
Assistente de confecção de boneco: Cleyton Diirr
Instrutor de manipulação de bonecos: Marcio Nascimento
Diretor de palco: Felipe Ávila
Operadora de luz: Juju Moreira
Operador de som: Leonardo Rocha

The Kooks leva som indie rock ao Dia das Mães dos cariocas

Por João guerra


The Kooks no Rio (Foto: Divulgação)

O Dia das Mães teve um gosto especial para os fãs da banda inglesa The Kooks. O quarteto se apresentou na noite de domingo (13), no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. The Kooks trouxe a turnê mundial de seu quinto álbum de estúdio, The Best of… So far, lançado no ano passado. Com pouco mais de uma hora, a banda empolgou os fãs com o melhor do seu repertório indie rock.  Antes do Rio, o quarteto se apresentou em São Paulo, no dia 12 de maio.

A banda, formada em 2004 e composta pelo vocalista-guitarrista Luke Pritchard, o guitarrista Hugh Harris, o baterista Alexis Nuñez e o baixista Pete Denton, ganhou destaque mundial em 2006, logo com o lançamento de seu primeiro álbum, Inside In/Inside Out. No ano passado, o grupo lançou seu quinto álbum de estúdio, The Best of… So far. O nome The Kooks é uma homenagem a música “Kooks”, de David Bowie.

O setlist foi praticamente montado pelos fãs, já que a maioria das canções são as mais ouvidas da banda no Spotify. Com uma plateia animada, que não chegou a lotar o Vivo Rio, os britânicos abriram o show com “Eddie’s Gun”, faixa do álbum de estreia do grupo, “Inside in/Inside out”. Logo na sequência eles tocaram os hits “Sofa Song”, “Be Who You Are” e “Ooh La”. Luke Pritchard, vocalista e guitarrista, mostrou empolgação e entrosamento com o público durante todo o show.

(Foto: Divulgação)

Outro ponto alto do show foi durante a apresentação de “See Me Now”, que trata-se de uma homenagem ao pai do vocalista, que faleceu em 1988, quando ele tinha apenas 3 anos de idade. Ele agradeceu o carinho e o show continuou com a mesma energia eletrizante. Eles ainda tocaram sucessos como “Matchbox”, “You Don’t Love Me”, além das faixas “Is It Me” e “Shine On”. Para fechar a noite, o hit escolhido foi “Naive”, que levou os fãs à loucura.

Sobre o The Kooks
Formada em 2004, na cidade de Brighton, na Inglaterra, a banda surgiu a partir de um projeto de escola de Luke Pritchard junto ao baixista Max Rafferty. Hugh Harris e o baterista Paul Garred completaram a formação original. O The Kooks ficou famoso praticamente da noite pro dia com o lançamento de seu álbum de estreia Inside In/Inside Out, em 2006.

Trazendo sucessos como “Eddie’s Gun”, “Ooh La”, “She Moves In Her Own Way” e “Naïve”, o álbum alcançou a marca de platina quíntupla e arrebatou o público de forma instantânea. A partir daí, a banda de adolescentes passou a estampar capas de jornais e revistas e a ser convidada para uma série de festivais ao redor do mundo.

Em 2014, a banda experimentou um novo terreno em Listen, produzido em parceria com o produtor londrino de hip hop Inflo. O quarto álbum de estúdio da banda não só revelou uma conexão musical profunda entre os dois estilos como também ajudou a curar as feridas criadas no disco anterior. As canções dançantes como “Down”, “Bad Habit” e “Around Town” foram a marca do novo trabalho.

Sessão Streaming #3: 'Maravilhosa Sra. Maisel', joia da Amazon

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Maravilhosa Sra. Maisel (EUA, 2017), de Amy Sherman-Palladino, disponível no Amazon Prime
(Foto: Nicole Rivelli - propriedade da Amazon Prime Video)
Pode parecer lugar comum vir recomendar a série vencedora do Globo de Ouro e do PGA nas categorias de comédia, mas curiosamente esta pequena joia do Amazon Prime Video ainda não pegou como deveria no Brasil. "Maravilhosa Sra. Maisel" é uma das maiores surpresas da última temporada: ácida, engraçada e humana, com uma protagonista carismática e envolvente. A beleza da série se encontra no crescimento da personagem título, que vai de dona de casa padrão até se tornar uma comediante forte e independente. 
No centro de tudo, a atriz Rachel Brosnahan (conhecida dos fãs de "House of Cards") entrega uma performance absolutamente hipnótica e deslumbrante. A moça tem timing de comédia, sabe emocionar e domina a cena sempre que aparece. O texto afiado e irônico, em conjunto com a montagem dinâmica e uma direção que sabe valorizar a comicidade do seu elenco, rende diversos momentos engraçadíssimos e, como consequência, uma série irresistível. Nota: 5/5 (Excelente)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Vingadores: Guerra Infinita': 10 anos que mudaram nossas vidas

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Vingadores: Guerra Infinita", Direção: Anthony e Joe Russo (Foto: Divulgação - Disney/Marvel Studios)
Quem poderia imaginar há uma década atrás que Tony Stark, Groot e Thanos estariam tão consolidados na cultura pop quanto os Beatles? Pode parecer absurda a comparação, mas hoje não são apenas crianças ou o nicho dos nerds que conhecem esses personagens. Mas também os pais, avós, advogados, engenheiros, modelos e qualquer um que já tenha ligado a televisão nos últimos 10 anos. Neste sentido, a Marvel merece todos os aplausos do mundo, por ter criado e consagrado em muito pouco tempo um universo ficcional inteiro que agrada diversas idades, nacionalidades e classes sociais.

"Vingadores: Guerra Infinita" é o início do fim de uma franquia inesquecível, que hoje já pode ser considerada a mais ousada de todos os tempos. Não há Star Wars, Harry Potter ou Senhor dos Anéis, por melhores que sejam, que consiga ultrapassar a ambição, arquitetura e realização do MCU (Marvel Cinematic Universe). Quando vemos a logo vermelha aparecer antes do início de cada filme, já sabemos se tratar de uma obra especial, que vai despertar sensações reconhecidas e deliciosas.

Esta terceira aventura dos Vingadores não poderia ser diferente. Mais do que um longa-metragem, "Guerra Infinita" revela sua vocação para evento midiático, marco de uma geração e ponto de encontro universal entre famílias, amigos e fãs. Os roteiristas (Christopher Markus e Stephen McFeely) confiam tanto no conhecimento prévio do seu público, que sequer perdem tempo explicando a origem de cada personagem, suas relações e o que fizeram nas últimas aparições. Decisão extremamente acertada, afinal estamos falando de mais de 20 heróis e inúmeras referências presentes em seus respectivos filmes solos. 

(Foto: Divulgação - Disney/Marvel Studios)
A única novidade é o vilão, este sim bem desenvolvido e trabalhado pelo roteiro. Num universo que tem como maior pecado uma certa apatia de seus antagonistas, Thanos surge como uma bem-vinda surpresa para a franquia. Mais do que dos Vingadores, este é o seu filme. Descobrimos suas motivações, sua força inigualável e até seus medos. Nisto a dupla de roteiristas e os diretores, novamente Anthony e Joe Russo, encontram a maior virtude do projeto. Thanos é sim um tirano, porém tem seu lado humano, é fácil de se relacionar e vive um arco dramático muito claro no decorrer das duas horas e meia de duração. 

Mas independente da presença marcante do vilão, os Vingadores também tem suas oportunidades de brilhar. Os irmãos Russo fazem um esforço excepcional de reservar pelo menos um instante notável para cada um de seus heróis. Incluindo, é claro, sequências irresistíveis de interações entre eles. Tanto no tom de comédia, quanto puxando para o drama ou até para a tragédia. Isso que é bonito de se ver num trabalho de direção: profissionais que entendem as necessidades narrativas para cada tipo de situação. Enquanto Taika Waititi falhou miseravelmente em trazer qualquer dramaticidade em "Thor: Ragnarok", mesmo quando a história pedia isso, os Russo acertam em cheio em "Guerra Infinita". Basta ver a tocante cena entre o Rocket e o próprio Thor, ou mesmo os enquadramentos cuidadosos em torno do Thanos no momento em que decide sacrificar alguém que ama para conseguir uma das jóias do infinito.

A partir daqui, o texto contém alguns spoilers.

Por fim, não tem como terminar qualquer texto sobre este filme sem mencionar seu encerramento. Embora seja bombástico e eficiente o bastante, não consigo deixar de sentir uma dramaticidade falsa em torno do acontecimento clímax, que gerou até cartinha anti-spoilers dos cineastas. Claro que o impacto é enorme, porém não tem como sequer cogitar que tais incidentes sejam permanentes. Ou será que algum ser humano no planeta realmente acha que a Marvel vai abrir mão das suas duas novas (e principais) sub-franquias que são Homem-Aranha e Pantera Negra? Óbvio que não. A verdade é que "Vingadores 4" será muito mais sobre 'COMO' os heróis vão voltar do que 'SE'. Mas obviamente isso não tira a qualidade do filme ou seu poder como produto de entretenimento. "Guerra Infinita" é uma carta de amor para os fãs e um atestado de que os Vingadores estarão eternamente prontos, sempre que precisarmos deles.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4154756
- Distribuidora: Disney

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com