'Nasce uma Estrela': muito mais do que uma refilmagem

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Nasce uma Estrela", Direção: Bradley Cooper (Foto: Divulgação - Warner Bros)
Difícil de imaginar um remake mais desnecessário que "Nasce uma Estrela", 3º refilmagem do clássico de 1937 produzido pelo lendário David O. Selznick. Afinal o que ainda poderia ser explorado de uma história que já passou pelos rostos de Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand? Esta é a pergunta de ouro que Bradley Cooper tenta responder ao se lançar pela primeira vez como diretor.

O multi-tarefas Cooper, que também co-escreve, atua e produz o projeto, teve a felicidade de não tentar emular os longas anteriores, mas recriá-los e atualizá-los para uma visão pessoal e mais contemporânea. O mesmo vale para sua companheira de tela, que não cai na armadilha impossível de copiar Garland ou Streisand. Lady Gaga, em seu primeiro trabalho que lhe exige dramaticamente, encontra um caminho próprio e bem particular, construindo assim uma protagonista cativante e independente.

(Foto: Divulgação - Warner Bros)
A dinâmica entre o casal dita o filme como um todo, tanto pelo roteiro quanto através da câmera sempre atenta de Cooper. Os dois são frequentemente filmados juntos, mesmo em momentos difíceis, como se o diretor buscasse encontrar ângulos novos em que os personagens ainda não conhecem um ao outro. Embora o texto falhe um pouco ao dar backgrounds individuais adequados para Jackson e Ally, tornando certas passagens levemente vazias, não dá para ignorar como o relacionamento é bem explorado e nos envolve desde o início.

A parte musical é outro ponto forte da produção, que aproveita todo o talento de Lady Gaga e encontra uma força inesperada no próprio Bradley Cooper. O mesmo também surpreende ao elaborar sequências musicais impressionantes, através de uma decupagem cuidadosa e inventiva, que mais parecem filmagens de mega eventos como Rock in Rio ou Woodstock do que meras tomadas de um longa-metragem. As músicas originais não ficam para trás, dando um caráter quase de gênero musical, embora a dramaturgia esteja mais no texto falado do que nas canções. 

Quando sobem os créditos, "Nasce uma Estrela" deixa para trás qualquer suspeita de obra caça-níquel, mostrando frescor e qualidade os suficientes para andar de mãos dadas com os seus antecessores. Em relação à dupla principal, também só cabem elogios. Espero que Cooper continue cantando e Lady Gaga não saia mais de cena. Existe todo um mundo de cinema-musical a ser explorado e eles serão muito bem-vindos.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt1517451
- Distribuidora: Warner Bros

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Sessão Streaming #6: 'Burn Burn Burn', indie britânico na Netflix

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Burn Burn Burn (Reino Unido, 2015), direção: Chanya Button, disponível no Netflix
(Foto: Divulgação - Netflix)
Não tem muita coisa que credencie "Burn Burn Burn", esta pequena produção indie britânica: nenhum prêmio relevante, poucos festivais e bilheteria irrisória. Mas caramba, que surpresa! Eu tenho um fraco por road movies, em especial com relatos de amizade. O filme conta a história de duas mulheres que fazem uma viagem a pedido de um amigo recém falecido. Tinha tudo para ser super pesado, mas o roteirista Charlie Covell teve a felicidade de ir na direção oposta e investir numa trama bem humorada, sensível e dedicada a mostrar a beleza dos laços de amizades verdadeiras. O rapaz do filme, numa atitude de desprendimento enorme (que eu mesmo confesso não saber se seria capaz de ter), opta por proporcionar e dividir uma última jornada com as pessoas que ele ama, ao invés de se lamentar ou desistir da vida. Desta forma, quando o desfecho chega, a gente se emociona quase naturalmente. Não por causa de um close fechado numa lágrima caindo ou por um flashback em sépia e câmera lenta. Mas por termos nos envolvido emocionalmente com o trio, com seus conflitos e sua "missão". Enfim, que delícia de filme! Felizmente existe o Netflix para reviver esses clássicos perdidos do cinema contemporâneo. Ps.: Informamos que o filme em questão pode ferir a honra e a moral da família tradicional brasileira. Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Uma Noite de 12 anos': entre a ditadura e a cicatrização

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Uma Noite de 12 Anos", Direção: Álvaro Brechner (Foto: Divulgação - Vitrine Filmes)
A década de 70 foi um período das trevas na América Latina, quando diversos países passaram por ditaduras militares terríveis, responsáveis por inúmeras mortes e violações dos direitos humanos. É natural, portanto, que as filmografias locais espelhem até hoje casos e histórias desta época tão aterrorizante, até como processo de contínua (e talvez interminável) cicatrização.

"Uma Noite de 12 anos" estreia como parte deste movimento, apostando numa investigação profunda e angustiante do que foram os calabouços do regime civil-militar do Uruguai. A trama segue três prisioneiros políticos e os motivos que os levaram a ter seus direitos cassados, assim como tudo o que perderam enquanto cidadãos e seres humanos. O diretor Álvaro Brechner opta por uma abordagem íntima, ao mostrar seus empenhos em se manterem lúcidos e agarrados à vida mesmo numa situação de extremo terror. 

(Foto: Divulgação)
Entretanto a parte mais fascinante no trabalho do diretor, que também assina o roteiro, é conseguir trazer a humanidade inclusive nos militares. Os momentos de "interação" entre os três protagonistas são sim impactantes, mas as breves passagens dos mesmos com seus torturadores merecem um destaque especial. Louvar seus iguais é importante, mas achar as conexões pessoais com o inimigo é um exercício de empatia admirável e um esforço ainda mais difícil. 

Neste ponto que "Uma Noite de 12 Anos" encontra sua maior virtude, é um filme de profunda humanidade, que também consegue ser didático e informativo ao mesmo tempo. Se junta de imediato a outras obras latino-americanas sobre o assunto, como "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" ou "Dossiê Jango", que deveriam fazer parte dos currículos escolares e dos sistemas de educação de seus respectivos países. Ao subir os créditos finais, com os vislumbres da retomada da democracia, passamos a entender a importância de um processo sério de cicatrização para brutalidades como essas jamais voltem a acontecer. E a necessidade assustadora de ter que se martelar isso nos dias de hoje, só torna a mensagem ainda mais relevante.

Nota: 5/5 (Excelente)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt6792282
- Distribuidora: Vitrine Filmes

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Sessão Streaming #5: 'Brinquedos que Marcam Época' - Netflix

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

Brinquedos que Marcam Época (EUA, 2017), criado por: Brian Volk-Weiss, disponível no Netflix
(Foto: Divulgação - Netflix)
Você já imaginou de onde veio aquele bonequinho inofensivo e vagabundo da sua infância? O que pode parecer uma informação inútil para muitos, esta série documental da Netflix transforma em objeto de estudo. Dividida em oito episódios (com mais quatro por vir), "Brinquedos que Marcam Época" vai atrás da história de algumas das principais franquias de brinquedos e como as mesmas se tornaram marcas multimilionárias. 
Os episódios são curtos (aprox. 45 minutos), com montagem bem dinâmica e narrativa super acessível, palatável até mesmo pra quem não tem o hábito de assistir documentários. Mas o grande trunfo da série são mesmo seus personagens, responsáveis por histórias de bastidores engraçadas e inspiradoras, sobre como inventaram alguns dos brinquedos mais amados do mundo. 
Apesar do formato enxuto sacrificar certas explicações que mereciam ter mais detalhes, é impossível não se encantar com "Brinquedos que Marcam Época" e toda a nostalgia que evoca. No final de cada temporada, a vontade é abrir o armário e encontrar nossos velhos amigos para uma boa sessão de brincadeira. E acreditem, não tem sensação mais gostosa no mundo! Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Os Incríveis 2': uma aula de super-heróis e animação

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Os Incríveis 2", Direção: Brad Bird (Foto: Divulgação - Disney/Pixar)
Tem sempre aquele momento que alguma coisa estala dentro de nós e a gente percebe que vai se apaixonar por um filme. Não sei explicar, nem se quer prever, mas sei reconhecer. É um misto de calor, reconhecimento e sensações, que nos transporta pra uma lugar seguro e especial. "O Incríveis 2" é um desses filmes que traz tudo isso. E ainda vem com um fator a mais: a lembrança calorosa de um mundo que há 14 anos deixava saudades.

Não é sempre que dá para elogiar a Pixar, hoje seus projetos não são mais sinônimos de excelência como já foram. Quando ela decide investir em continuações, a situação fica ainda mais incerta. Se por um lado ganhamos dois ótimos "Toy Storys" e um simpático "Carros 3", por outro fomos importunados pelos bobinhos "Universidade Monstros", "Carros 2" e "Procurando Dory". Felizmente, a nova aventura da família Pêra (amo essas traduções) não só acrescenta imensamente ao filme original, como se estabelece sem dificuldades como uma das grandes produções da Pixar Animation Studios.

(Foto: Divulgação - Disney/Pixar)
Brad Bird, retomando ao posto de diretor e roteirista, acerta em cheio na história, sem cair na enorme armadilha de apenas repetir o que já havia dado certo. A trama segue um rumo diferente, com troca de protagonismo, novas temáticas sociais e oportunidades inusitadas de sequências de ação. Em paralelo, os avanços técnicos indiscutíveis do cinema de animação abre possibilidades inacreditáveis para a visão de Bird: tanto em momentos bombásticos, quanto em outros intimistas, que parecem mais reais e humanos do que nunca.

Mas o fascinante de "Os Incríveis 2", assim como o primeiro, é seu talento de fazer comentários sobre a sociedade e a espécie humana, através do olhar externo de super-heróis. Quase como uma anedota, a família de pessoas excepcionais tem que se adequar à nossa realidade, sofrendo por consequência os mesmos dilemas que nos fazem tão falhos. Então não é de se estranhar que mesmo entre os Incríveis, a gente reconheça alguns dos maiores problemas do nosso dia a dia. A mudança de protagonismo de Beto (Bob, no original) para a Mulher-Elástica traz também toda uma discussão que reflete a desigualdade profissional entre homens e mulheres, assim como a estranheza (errada) de se ver um pai tendo que assumir as tarefas domésticas no lugar da esposa.

Essa riqueza de conteúdo torna "Os Incríveis 2" uma obra madura, humana e especial, que dá orgulho ao legado da Pixar, se destaca dentro do já saturado subgênero de super-heróis e não foge da responsabilidade de trazer temas relevantes. Um filme completo que sabe ser engraçado o tempo todo, emocionante quando necessário e que tem como único defeito o fato que eventualmente chega ao fim.

Nota: 5/5 (Excelente)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt3606756
- Distribuidora: Disney

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Vídeo: Assista ao 1º trailer de ‘Turma da Mônica: Laços’

Gabriel Moreira (Cascão), Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha) 
e Laura Rauseo (Magali) (Foto: Reprodução) 

Prepare-se para se emocionar! “Turma da Mônica – Laços”, primeira adaptação em live action dos personagens de Mauricio de Sousa, ganhou seu primeiro teaser nesta quinta-feira (28). A estreia está prevista para 2019.
ASSISTA AO TRAILER ABAIXO


Na trama, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali partem em uma aventura para buscar o cão Floquinho. O filme é uma adaptação da obra homônima de 2013 escrita pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. As gravações começaram neste mês e são realizadas no sul de Minas Gerais e também no interior de São Paulo.

O elenco é composto por Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali), Gabriel Moreira (Cascão), Monica Iozzi (Dona Lourdinha), Paulo Vilhena (seu Cebola) e Ravel Cabral  (Homem do saco).