'Internet - O Filme': 90 minutos de tortura e vergonha alheia

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Internet - O Filme", Direção: Filippo Capuzzi Lapietra (Foto: Divulgação)
Antes de qualquer coisa: eu adoro YouTube. Acho uma plataforma incrível, que permite a criação e propagação de conteúdo audiovisual como jamais foi possível. Tenho inclusive profunda admiração por diversos youtubers e considero um absurdo desmerecer seus trabalhos por conta de preconceito com o formato. Posso gostar mais ou menos de alguns, mas independente do tipo de vídeo de cada um (seja vlog, esquete, desafio), jamais tiraria seus méritos de comunicação, entretenimento e criação. 

Aliás, simpatizo com a maior parte dos envolvidos em "Internet - O Filme". Posso não ser um seguidor fiel, mas já assisti e até me diverti com vídeos do Castanhari, T3ddy, Cauê Moura, Victor Meyniel e etc (o Jacaré Banguela, por exemplo, até gosto bastante). O problema é quando um projeto equivocado como esse se apropria dos carismas individuais de cada youtuber para criar um produto vergonhoso e humilhante, que ignora praticamente tudo que os faz autênticos em seus respectivos canais. 

Soando como uma mistura infeliz entre "É o Fim" (de Seth Rogen) e "Movie 43", o roteiro assinado por Rafinha Bastos, Dani Garuti e Mirna Nogueira nem se preocupa em construir uma trama com início, meio e fim. Na verdade, o máximo que se esforçam é criar um fiapo de dramaturgia, para apresentar diversas esquetes de humor, uma mais insuportável que a outra. Cada uma é protagonizada por um grupo de youtubers famosos, sempre interpretando pseudo alter egos ou paródias de si mesmos. O que poderia até se tornar uma auto-crítica divertida, resulta em historinhas nada engraçadas, sem pé nem cabeça e extremamente forçadas. 

(Foto: Divulgação)
O diretor Filippo Capuzzi Lapietra desperdiça o maior trunfo de suas estrelas, a espontaneidade, justamente ao tentar ensaiá-las. Então, salvo uma ou outra exceção, os "influenciadores" que normalmente aparecem tão soltos na internet, se mostram podados e desconfortáveis em seus respectivos papéis. E quando alguns atores/comediantes mais interessantes surgem em cena (como Paulinho Serra e Maurício Meirelles), o roteiro tolo os desperdiçam em personagens imbecis e inverossímeis. 

Mas o pior não é nem a falta de graça, a trama sem sentido ou as más atuações. Além de tudo, o humor parece ter sido feito por um moleque de 12 anos, extremamente interessado em peidos, xingamentos e insinuações sexuais dignas do recreio da 5º série. Portanto não estranhem em ouvir piadas envolvendo um cachorro chamado "Brioco" e um bando de adultos se xingando de "arrombado", "chupa-rola" ou "viado" (me espanta até não ter nenhum personagem chamado Jacinto Leite Aquino Rego ou Paula Tejando). E claro, o filme de quebra ainda consegue ridicularizar e ser ofensivo com tudo que passa pela frente: homossexuais, deficientes auditivos, gordos, idosos, nerds e etc. Chegando ao ponto de pintar uma de suas personagens femininas (Polly Marinho), a única negra, com biotipo um pouco diferente das outras "atrizes" (na falta de uma palavra melhor), como a excêntrica, coitada necessitada de atenção e a prenda da aposta dos três amigos retardados.

"Internet - O Filme" se encerra então, após 90 minutos de tortura e vergonha alheia, como um produto que parece não acertar em absolutamente nada, nem em utilizar os pontos fortes de suas estrelas. Tendo talvez como único momento de sinceridade a cena final em que Rafinha Bastos grita para o mundo o quanto é e sempre vai ser um "cuzão", adjetivo do próprio autor que estendo mais ao seu texto do que especificamente a ele. Volto a lembrar, o YouTube e suas celebridades não são o problema, vide o simpático filme do Christian Figueiredo ("Eu Fico Loko") e o ótimo "Entre Abelhas" da equipe do Porta dos Fundos. A questão aqui é a falta de graça, empatia, respeito a inteligência alheia e qualquer noção de bom gosto num projeto genérico e caça níquel. 

Que na próxima vez não esqueçam de importar do YouTube um botão de "Deslike" para a gente poder apertar quando sair do cinema. 

Nota: 1/5 (Ruim)

Mais informações:
- Trailer: www.youtube.com/watch?v=U9a4P7yBs5U
- Distribuidora: Paris Filmes

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'John Wick: Um Novo Dia Para Matar': a violência como meio e fim

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"John Wick: Um Novo Dia Para Matar", Direção: Chad Stahelski (Foto: Divulgação)
As vezes o que importa é ser honesto. Essa é a frase que a equipe de criação de John Wick deve usar como mantra para levantar da cama todos os dias. Depois do primeiro capítulo em que o personagem título aniquilava o mundo para vingar a morte do seu cachorrinho, "John Wick: Um Novo Dia Para Matar" chega aos cinemas com a mesma estupidez e falta de história, apostando todas as fichas nas sequências de ação frenéticas e insanas.

Chad Stahelski parece ter aprendido bastante durante os últimos três anos. Visivelmente mais confortável na cadeira de diretor, o americano se mostra bem mais ousado e criativo na hora de pensar a ação do filme. Se antes ele frequentemente se perdia em cortes muitos rápidos e sequer sabia estabelecer a geografia dos ambientes, agora na continuação ele entrega sequências interessantes, bem definidas espacialmente e muito inventivas. De vez em quando, consegue até criar planos bonitos e memoráveis, embora neste caso eu suspeite que talvez seja sem querer. 

O fato é que Stahelski entendeu e aceitou as baixas pretensões de seu projeto. O roteiro é bobo? As viradas na trama são frequentes e desnecessárias? Existe diversos personagens descartáveis? Sim, sim e sim. Mas estão todos lá para servir ao cinema de ação, como um jogo de videogame das antigas que só inventa desculpas para você continuar matando. Aliás é essa a linguagem que o diretor simula: a luta começa, de repente John passa de nível e ganha uma nova skill, até que mata um oponente mais forte e consegue uma arma inesperada. O filme vai evoluindo no ritmo de um personagem de 16 bits passando de fase, de puzzle em puzzle e de boss em boss (chefões para os gamers old-school).

(Foto: Divulgação)
Trama em si é irrelevante, óbvio. Vejam como todo o prólogo envolvendo parentes dos vilões do filme anterior não tem importância nenhuma. Aliás, o próprio Laurence Fishburne encarna um personagem que poderia muito bem ser eliminado sem prejuízo nenhum ao roteiro. Mas não importa: o que vale é a piada, a oportunidade de criar mais ação e mais canastrice. Falta agora a Chad Stahelski, já pensando no inevitável John Wick 3, passar um tempo com Paul W.S. Anderson (da franquia Resident Evil), para aprimorar suas habilidades no cinema de ação e esquecer de vez essa bobagem de "roteiro". Digo mais, que o próximo filme seja em 3D, 7.1 e Imax. De preferência com fogo de verdade. E se der, com cheiro também. 

Não pensem que John Wick tem algum grande tema por trás: banalização da violência, crítica a sociedade moderna, etc. Nada disso, não caiam nesta armadilha. A franquia é uma obra de ação, feita por criativos interessados em assassinos, explosões, perseguições e muitos tiros. Keanu Reeves passa o tempo todo calado e inexpressivo, porque os autores do personagem realmente não tem muito o que dizer ou sentir (pensando por este lado, o casting é até bem apropriado). O que importa é como cada figura na tela maneja uma arma ou sabe seguir uma coreografia de luta.

"John Wick: Um Novo Dia Para Matar" não é um grande filme, nem vai mudar a vida de ninguém. Na verdade provavelmente vai ser esquecido no momento que a sessão acabar. Mas é um produto de nicho, que ao menos é honesto consigo mesmo e com seu público. Algo que nem todos blockbusters conseguem ser e se afundam justamente por causa da arrogância de seus criadores. Honestidade é a chave do negócio, com ela até Michael Bay iria mais longe. 

Nota: 3/5 (Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt4425200/
- Distribuidora: Paris Filmes

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Lion': uma emocionante jornada entre memórias e saudade

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Lion: Uma Jornada Para Casa", Direção: Garth Davis (Foto: Divulgação)
Não é sempre que o cinema olha com otimismo para a evolução tecnológica. Aliás, normalmente é o contrário: o audiovisual tende a apontar a tecnologia como a semente das distopias. Portanto não deixa de ser um alento ver uma obra como "Lion: Uma Jornada para Casa", baseada numa história real que de tão incrível parece ficção.

A trama acompanha o menino Saroo, perdido da mãe ainda muito jovem, enquanto luta para sobreviver nas ruas de Calcutá até ser adotado por uma família australiana. Já na vida adulta, descobre a ferramenta do Google Earth, que passa a utilizar para procurar a família perdida na Índia. Como podem imaginar, é uma trajetória dos sonhos para qualquer diretor hollywoodiano mais melodramático. Mas o estreante Garth Davis, felizmente, demonstra respeito ao material e acerta ao não apelar para a emoção barata.

(Foto: Divulgação)
O diretor e seu roteirista (Luke Davies) procuram, fugindo por completo do sensacionalismo, mostrar como foi o início da vida de Saroo, contando sua infância através dos olhos inocentes da sua versão criança (interpretada pelo encantador Sunny Pawar). Desta forma, ao vermos o menino perdendo a mãe, se separando do irmão e depois passando por tantas provações horríveis, podemos realmente sentir na pele a sua dor. Quando então o Saroo adulto surge em cena é inevitável a sensação de alívio e até orgulho de vê-lo enfim tão amado e seguro.

Nesta fase, já na pele de Dev Patel (em grande performance), o protagonista começa sua longa busca virtual pela família perdida. Este momento, que poderia resultar em muitos minutos cansativos de projeção, nas mãos do montador Alexandre de Franceschi (da aclamada série "Top of the Lake") se torna uma passagem dinâmica e extremamente envolvente. O próprio Davis entende as necessidades de seu personagem e o traz em constantes planos fechados, permeados de memórias, delírios e dor, sem jamais cair no erro de buscar o choro fácil, mas a verdade na situação.

Embora tropece eventualmente, em especial com alguns diálogos tolos (como "Estou perdido", que o Saroo adulto diz para os amigos) e uma certa rapidez inesperada em que conta os momentos finais do protagonista na Índia, "Lion: Uma Jornada para Casa" é um grande filme: emocionante na dose certa, sem melodrama forçado e inspirador até o fim. Quando os créditos sobem, sentimos alegria por conta da linda trajetória do personagem, mas ao mesmo tempo uma sensação terrível de tristeza ao imaginarmos as outras milhares de crianças que ficaram para trás e não tiveram suas histórias contadas.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt3741834/
- Distribuidora: Diamond Films

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Adele é a principal vencedora do Grammy 2017; Veja lista completa


Vencedora das três principais categorias da noite, Adele foi o destaque do Grammy 2017, que aconteceu na noite deste domingo (12), no Staples Center, em Los Angeles (EUA). A cantora inglesa levou para casa os prêmios de melhor música e gravação, com "Hello", e álbum do ano, com "25". Ela se apresentou duas vezes: abrindo a cerimônia com a música premiada e em uma homenagem a George Michael, com "Fast love". Na segunda parte, ela errou e pediu para começar a música de novo.

O apresentador foi James Corden, conhecido pelo quadro de TV "Carpool Karaoke".

Grávida de gêmeos, a cantora Beyoncé venceu na categoria de melhor videoclipe, por "Formation" e de melhor álbum urbano contemporâneo, por "Lemonade". Beyoncé também cantou um medley de músicas de "Lemonade" no palco do Staples Center. 

Gaga roqueira
Um dos shows mais esperados da noite, Lady Gaga cantou ao lado do Metallica. Eles empolgaram o público com "Moth to the flame", do álbum mais recente do grupo, "Hardwired to self-destruct". Já Katy Perry cantou no palco pela primeira vez sua música "Chained to the rhythm", com teor político. Bruno Mars, além de apresentação solo, participou de show dedicado a Prince, a segunda homenagem póstuma do Grammy. O Daft Punk apareceu no palco pela primeira vez desde 2014, para mostrar a parceria com The Weeknd, "Starboy".



Veja abaixo a lista de vencedores nas principais categorias:

Disco do Ano

Adele - "25"
Beyoncé - "Lemonade"
Drake - "Views"
Justin Bieber - "Purpose"
Sturgill Simpson - "A Sailor’s Guide to Earth"

Música do Ano

Beyoncé - "Formation"
Adele - "Hello"
Mike Posner - "I Took a Pill in Ibiza"
Justin Bieber - "Love Yourself"
Lukas Graham - "7 Years"

Gravação do Ano

Adele - "Hello"
Beyonce - "Formation"
Rihanna - "Work"
Twenty-One Pilots - "Stressed Out"
Lukas Graham - "7 years"

Revelação

Anderson Paak
Chance the Rapper
Maren Morris
The Chainsmokers
Kelsea Ballerini

Categorias Pop

Performance Solo de Pop

Adele - "Hello"
Beyoncé - "Hold Up"
Justin Bieber - "Love Yourself"
Kelly Clarkson - "Piece by Piece"
Ariana Grande - "Dangerous Woman"

Performance de dupla ou grupo pop

The Chainsmokers - "Closer" [ft. Halsey]
Lukas Graham - "7 Years"
Rihanna - "Work" [ft. Drake]
Sia - "Cheap Thrills" [ft. Sean Paul]
Twenty One Pilots - "Stressed Out"

Álbum pop vocal

Adele – 25
Justin Bieber – Purpose
Ariana Grande - Dangerous Woman
Demi Lovato – Confident
Sia - This Is Acting

Álbum Pop Tradicional

Andrea Bocelli – Cinema
Bob Dylan - Fallen Angels
Josh Groben - Stages Live
Willie Nelson - Summertime: Willie Nelson Sings Gershwin
Barbra Streisand - Encore: Movie Partners Sing Broadway

Categorias rock

Performance Rock

"Joe" (Live From Austin City Limits) - Alabama Shakes
"Don't Hurt Yourself" - Beyoncé e Jack White
"Blackstar" - David Bowie
"The Sound Of Silence" (Live On Conan) – Disturbed
"Heathens" - Twenty One Pilots

Performance Metal

"Shock Me" – Baroness
"Silvera" – Gojira
"Rotting In Vain" – Korn
"Dystopia" – Megadeth
"The Price Is Wrong" - Periphery

Canção de Rock

"Blackstar" - David Bowie
"Burn The Witch" – Radiohead
"Hardwired" – Metallica
"Heathens" - Twenty One Pilots
"My Name Is Human" - Highly Suspect

Álbum Rock

California - Blink-182
Tell Me I'm Pretty - Cage The Elephant
Magma – Gojira
Death Of A Bachelor - Panic! At The Disco
Weezer - Weezer

Categoria alternativa:

Álbum de música alternativa

Bon Iver - 22, A Million
David Bowie – Blackstar
PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project
Iggy Pop - Post Pop Depression
Radiohead - A Moon Shaped Pool

Categorias R&B

Performance R&B

BJ the Chicago Kid - "Turnin’ Me Up"
Ro James - "Permission"
Musiq Soulchild - "I Do"
Rihanna - "Needed Me"
Solange - "Cranes in the Sky"

Performance de R&B Tradicional

William Bell - "The Three of Me"
BJ The Chicago Kid - "Woman’s World"
Fantasia - "Sleeping with the One I Love"
Lalah Hathaway - "Angel"
Jill Scott - "Can’t Wait"

Música R&B
PartyNextDoor feat. Drake - "Come See Me"
Bryson Tiller - "Exchange"
Rihanna - "Kiss It Better"
Maxwell - "Lake By the Ocean"
Tory Lanez - "Luv"

Álbum 'urbano' cotemporâneo

Beyoncé – Lemonade
Gallant – Ology
KING - We Are King
Anderson .Paak – Malibu
Rihanna – Anti

Álbum de R&B

BJ The Chicago Kid - In My Mind
Lalah Hathaway - Lalah Hathaway Live
Terrace Martin - Velvet Portraits
Mint Condition - Healing Season
Mya - Smoove Jones

Categorias rap

Performance Rap

Chance the Rapper - "No Problem" [ft. 2 Chainz and Lil Wayne]
Desiigner - "Panda"
Drake - "Pop Style" [ft. The Throne]
Fat Joe / Remy Ma - "All the Way Up" [ft. French Montana and Infrared]
Schoolboy Q - "That Part" [ft. Kanye West]

Performance vocal rap
Beyoncé - "Freedom" [ft. Kendrick Lamar]
Drake - "Hotline Bling"
D.R.A.M. - "Broccoli" [ft. Lil Yachty]
Kanye West - "Ultralight Beam" [ft. Chance the Rapper, Kelly Price, Kirk Franklin and The-Dream]
Kanye West - "Famous" [ft. Rihanna]

Música Rap

Fat Joe / Remy Ma - "All the Way Up" [ft. French Montana and Infrared]
Kanye West - "Famous" [ft. Rihanna]
Drake - "Hotline Bling"
Chance the Rapper - "No Problem" [ft. 2 Chainz and Lil Wayne]
Kanye West - "Ultralight Beam" [ft. Chance the Rapper, Kelly Price, Kirk Franklin and The-Dream]

Álbum de Rap

Chance the Rapper - Coloring Book
De La Soul - and the Anonymous Nobody...
DJ Khaled - Major Key
Drake – Views
Schoolboy Q - Blank Face LP
Kanye West - The Life of Pablo

Categorias country

Performance solo country

"Love Can Go to Hell" – Brandy Clark
"Vice" – Miranda Lambert
"My Church" – Maren Morris
"Church Bells" – Carrie Underwood
"Blue Ain't Your Color" – Keith Urban

Performance country de duo ou grupo

"Different for Girls" – Dierks Bentley featuring Elle King
"21 Summer" – Brothers Osborne
"Setting the World on Fire" – Kenny Chesney & P!nk
"Jolene" – Pentatonix featuring Dolly Parton
"Think of You" – Chris Young with Cassadee Pope

Canção country

"Blue Ain't Your Color - Keith Urban
"Die a Happy Man" - Thomas Rhett
"Humble and Kind" - Tim McGraw
"My Church" - Maren Morris
"Vice" - Miranda Lambert

Álbum country

Big Day in a Small Town – Brandy Clark
Full Circle – Loretta Lynn
Hero – Maren Morris
A Sailor's Guide to Earth – Sturgill Simpson
Ripcord – Keith Urban

Categorias dance/eletrônica:

Gravação de Dance Music

"Tearing Me Up" - Bob Moses
"Don't Let Me Down" - The Chainsmokers Featuring Daya
"Never Be Like You" - Flume Featuring Kai
"Rinse & Repeat" - Riton Featuring Kah-Lo
"Drinkee" - Sofi Tukker

Disco de Dance Music/Música Eletrônica

Skin – Flume
Electronica 1: The Time Machine - Jean-Michel Jarre
Epoch – Tycho
Barbara Barbara, We Face A Shining Future – Underworld
Louie Vega Starring...XXVIII - Louie Vega

Outras categorias

Disco de world music

Dois Amigos, Um Século De Música: Multishow Live — Caetano Veloso & Gilberto Gil
Destiny — Celtic Woman
Walking in the Footsteps of Our Fathers — Ladysmith Black Mambazo
Sing Me Home — Yo-Yo Ma & The Silk Road Ensemble
Land of Gold — Anoushka Shankar

Disco de jazz latino

30 — Trio Da Paz
Entre Colegas — Andy González
Madera Latino: A Latin Jazz Perspective on the Music of Woody Shaw — Brian Lynch & various artists
Canto América — Michael Spiro/Wayne Wallace La Orquesta Sinfonietta
Tribute to Irakere: Live in Marciac — Chucho Valdés

Videoclipe

Beyoncé - "Formation"
Leon Bridges - "River"
Coldplay - "Up & Up"
Jamie xx - "Gosh"
OK Go - "Upside Down & Inside Out"

'A Qualquer Custo': o novo faroeste de uma nação arrasada

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
O western foi um gênero muito próspero na antiga Hollywood. Mas também era o retrato de uma época, em que se louvava o cowboy solitário e desprezava a população nativa americana. Os tempos mudaram, assim como o conceito do faroeste clássico. Agora, em 2017, sai o herói idealizado em jornadas épicas, entram ladrões endividados, vítimas de uma sociedade arrasada.

O roteirista Taylor Sheridan (do maravilhoso "Sicario: Terra de Ninguém") se apropria de alguns arquétipos estabelecidos para contar sua história, como os irmãos em um "último trabalho" e o "policial em fim de carreira". Isso funciona bem para estabelecer a dinâmica entre os personagens e suas próprias motivações. Desta forma entendemos bem o que move cada um deles, a ponto de nos importarmos por todos, embora estejam sempre em conflito uns com os outros. As performances certeiras dos atores principais (Chris Pine, Ben Foster e Jeff Bridges) também ajudam a dar profundidade aos dramas individuais, mesmo que eventualmente suas ações em tela sejam reprováveis.

(Foto: Divulgação)
Mas independente do histórico de cada personagem, o pano de fundo da trama principal que parece ser o objeto de maior interesse de Sheridan e do diretor David Mackenzie (do meu adorado "Sentidos do Amor"). Passado no oeste texano, onde imperam as placas de empréstimo fácil e promessas irreais de crédito, o filme é um retrato de uma economia arrasada. Se jogando de cabeça neste tema cada vez mais comum no cinema hollywoodiano, "A Qualquer Custo" faz a provocação em cima das práticas abusivas das corporações bancárias, que progressivamente vem endividando as populações de baixa renda dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, comenta a irresponsabilidade do porte de arma descontrolado, que aliado à situação social precária, cria uma onda de cidadãos vigilantes e violentos extremamente perigosos.

O design de produção e fotografia contribuem para esse clima dos personagens, sempre os mergulhando em ambientes sem cores, onde predominam o marrom e a sujeira da terra. Os figurinos, da mesma forma, ressaltam o constante estado de degradação daquelas pessoas, conseguindo também diferenciar os protagonistas e a população "comum", suja e acabada, dos engravatados que trabalham no banco, falsamente limpos. Com isso "A Qualquer Custo" se encerra sem deixar arestas, um filme redondo, com impecáveis qualidades visuais e narrativas. Mas também um retrato triste do que se tornou o faroeste contemporâneo.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

'Estrelas Além do Tempo': as heroínas que nunca ouvimos falar

Por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

(Foto: Divulgação)
Quando pesquisamos sobre a corrida espacial da metade do século passado, vários nomes vem de imediato no hall de heróis: John Glenn, Neil Armstrong, Yuri Gagarin, Buzz Aldrin, etc. Além destes, com uma pesquisa mais profunda, no máximo mais alguns astronautas e grandes diretores da NASA aparecem, deixando de lado toda uma equipe de homens e mulheres por trás dos panos. "Estrelas Além do Tempo", baseado no livro "Hidden Figures", se concentra justamente na correção deste erro histórico e traz para o protagonismo algumas das figuras escondidas que também foram igualmente importantes para a chegada do homem ao espaço. 

O roteiro se concentra na história de três mulheres negras que trabalhavam na NASA, na época em que os escritórios da agência ainda eram segregados por cor de pele. Exercendo funções muito abaixo de suas capacitações, as três sofriam para conseguir o devido reconhecimento e as mesmas oportunidades que os demais funcionários brancos possuíam. Com muito esforço, Katherine Goble Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) passam a reivindicar seus direitos para atingirem seus objetivos como matemática da corrida espacial, supervisora e engenheira, respectivamente.

O maior acerto dos roteiristas é esse, dar a devida importância individual para as três mulheres e suas conquistas. Muitos projetos que tratam de lutas sociais e políticas dos afro-americanos nos Estados Unidos tem o péssimo hábito de colocá-los como coadjuvantes na própria história. Frequentemente vemos este tipo de filme trazendo personagens brancos que protagonizam ou legitimam a luta dos negros, o que é um absurdo por natureza. Mas "Estrelas Além do Tempo", felizmente, não comete este mesmo erro.

(Foto: Divulgação)
Desta forma, o chefe vivido por Kevin Costner só revoga os banheiros segregados da agência após reivindicação de Katherine. Assim como Dorothy e Mary só atingem seus objetivos através de seus próprios esforços e inteligências. O filme é também hábil ao apresentar a crueldade da sociedade da época, que cegava até boas pessoas do problema que se passava diante de seus olhos. A cena em que Costner remove os sinais de segregação da mesinha de café é simbólica por mostrar como um homem tão inteligente não tinha a capacidade de perceber as injustiças que aconteciam com sua melhor funcionária. Sua cara de impotência e incredulidade revela alguém que se deu conta tarde demais das maldades que a sociedade impunha a outros seres humanos e como ele mesmo jamais havia feito nada para mudar.

No fim, o filme ainda consegue a proeza de gerar emoção e torcida para sequências de lançamentos espaciais, já mostrados inúmeros vezes no cinema. Em grande parte, justamente por trazer a perspectiva de novos personagens que nunca tiveram espaço em obras anteriores. O roteiro só peca pontualmente ao se alongar demais em algumas passagens das vidas íntimas das protagonistas e, em outro momento, dar pequenas redenções para todos os antagonistas, em especial os vividos por Jim Parsons e Kirsten Dunst. Soa quase como um irresponsável "eles não eram mal intencionados", o que de forma alguma cabe num filme tão inteligente como este. Mas isto obviamente não atrapalha o resultado final. "Estrelas Além do Tempo" é um projeto forte e importante, feito para relembrar figuras que jamais deveríamos ter esquecido.

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com