‘My Fair Lady’ lidera indicações do Prêmio Reverência; Veja lista

My Fair Lady recebeu 11 indicações (Foto: Divulgação)

O espetáculo “My Fair Lady” lidera as indicação do Prêmio Reverência 2017. Os indicados foram anunciados na terça-feira (15). Dirigido por Jorge Takla, “My Fair Lady” recebeu 11 indicações. O musical “Suassuna – O Auto do Reino do Sol”, que chega a São Paulo no dia 25 de agosto, aparece em segundo na lista com dez indicações. O Prêmio Reverência homenageia os melhores musicais do eixo Rio-São Paulo.

Os melhores da temporada serão conhecidos no dia 27 de setembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Entre os indicados estão, ainda, “Les Miserables’ (sete indicações), produção da T4F que segue em cartaz em São Paulo, “Cinderella” e “Rocky Horror Show”, dirigidas pela dupla Charles Möeller & Claudio Botelho, com seis, e “Gota D’Água (a seco)”, com cinco. Por conta deste último, Laila Garin pode ganhar o seu terceiro Prêmio Reverência e seguir invicta na categoria Melhor Atriz.

“O Auto do Reino do Sol” tem dez indicações (Foto: Divulgação)

Ao todo, 49 espetáculos foram inscritos para concorrer em 15 categorias: Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Autor, Cenografia, Iluminação, Figurino, Coreografia, Direção Musical, Design de Som, Especial, Melhor Espetáculo e Melhor Espetáculo – Júri Popular, este último em votação online a partir de 22 de agosto.

Para a 3ª edição do prêmio, os jurados — Abel Rocha, Ana Botafogo, Claudia Hamra, Daniel Schenker, Janice Botelho, Kika Sampaio, Lucia Camargo, Macksen Luiz, Maria Luísa Barsanelli, Miguel Arcanjo Prado, Mirna Rubim, Rafael Teixeira, Tania Brandão, Ubiratan Brasil e Wellington Nogueira — avaliaram as produções que estrearam entre janeiro de 2016 e julho de 2017.

Confira abaixo a lista completa de indicados:

Melhor espetáculo
"Auê" (Sarau Agência de Cultura Brasileira)
"Cinderella" (Fábula Entretenimento)
"Forever Young" (Benjamin Produções e Chaim XYZ Produções)
"Gabriela, um musical" (Tempo Entertainment, Caradiboi Arte e Esporte, em associação com Opus Promoções e MáquinaMáquina Produções Artísticas)
"Gota D’água [a seco]" (Sarau Agência de Cultura Brasileira)
"Les Miserables" (T4F Entretenimento)
"My Fair Lady" (Takla Produções Artísticas, EGG Entretenimento e IMM)
"Rocky Horror Show" (M&B)
"Suassuna – O Auto do Reino do Sol" (Sarau Agência de Cultura Brasileira)
"Wicked" (T4F Entretenimento)

Melhor direção
Duda Maia, por "Auê"
João Falcão, por "Gabriela, um musical"
Jorge Takla, por "My Fair Lady"
Luis Carlos Vasconcellos, por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Susana Ribeiro, por "Rent"

Melhor ator
Gabriel Bellas, por "A Era do Rock"
Jarbas Homem de Mello, por "A Paixão Segundo Nelson"
Marcelo Medici, por "Rocky Horror Show"
Marcos Tumura, por "Forever Young"
Nando Pradho, por "Les Miserables"
Paulo Szot, por "My Fair Lady"

Melhor atriz
Fabi Bang por "Wicked"
Laila Garin por "Gota d’água [a seco]"
Myra Ruiz por "Wicked"
Paula Capovilla por "Forever Young"
Rebeca Jamir por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"

Melhor ator coadjuvante
Diego Montez por "Rent"
Fred Silveira por "My Fair Lady"
Ivan Parente por "Les Miserables"
Nicola Lama por "Rocky Horror Show"
Sandro Christopher por "My Fair Lady"

Melhor atriz coadjuvante
Andrezza Massei por "Les Miserables"
Bruna Guerin por "Rocky Horror Show"
Giulia Nadruz por "Cinderella"
Laura Lobo por "Les Miserables"
Paula Capovilla por "Meu Amigo Charlie Brown"
Priscila Borges por "Rent"

Melhor autor
Bráulio Tavares por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Diego Fortes por "O Grande Sucesso"
Duda Maia e Cia Barca dos Corações Partidos por "Auê"
Fernanda Maia por "Lembro Todo Dia de Você"
Gustavo Gasparani por "Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical"

Melhor coreografia
Alonso Barros por "Rocky Horror Show"
Alonso Barros por "Cinderella"
Fabricio Licursi por "Gota d’água [a seco]"
Jarbas Homem de Mello e Fernando Neves por "A Paixão Segundo Nelson"
Tania Nardini por "My Fair Lady"

Melhor figurino
Carol Lobato por "Cinderella"
Charles Möeller por "Rocky Horror Show"
Fabio Namatame por "My Fair Lady"
Kika Lopes e Heloisa Stockler por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Simone Mina por "Gabriela, um musical"

Melhor iluminação
Cesar de Ramires por "Gabriela, um musical"
Maneco Quinderé por "Cinderella"
Renato Machado por "Auê"
Renato Machado por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Robert Wilson e John Torres por "Garrincha"

Melhor cenário
Duda Arruk por "A Paixão Segundo Nelson"
Kika Lopes por "Auê"
Nicolás Boni por "My Fair Lady"
Rogério Falcão por "Cinderella"
Sérgio Marimba por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"

Melhor design de som
Gabriel D’Angelo por "Gota d’água [a seco]"
Gabriel D’Angelo por "Auê"
Gabriel D’Angelo por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Mike Potter por "Les Miserables"
Tocko Michelazzo por "My Fair Lady"

Melhor direção musical
Alfredo Del-Penho e Beto Lemos por "Auê"
Chico Cesar, Alfredo Del-Penho e Beto Lemos por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol"
Luis Gustavo Petri por "My Fair Lady"
Nando Duarte por "Gilberto Gil, Aquele Abraço – O Musical"
Pedro Luís por "Gota d'água [a seco]"

Categoria especial
Claudio Botelho pelas versões de "Les Miserables"
Elenco da Cia. Barca dos Corações Partidos por "Suassuna – O Auto do Reino do Sol" e "Auê"
Feliciano San Roman pelo design de perucas de "My Fair Lady"
Mariana Elisabetsky e Victor Muhlethaler pelas versões de "Wicked"
Rafa Miranda e Fernanda Maia pelas composições de "Lembro Todo Dia de Você"
Tony Luchesi pelos arranjos de "60 Doc Musical"

Musical ‘Rio Mais Brasil’ usa percussão corporal para cantar a brasilidade

Por Rodrigo Vianna


(Foto: Divulgação/Facebook)

A voz e o corpo. Dois elementos capazes de dar uma nova roupagem a um clássico da música popular brasileira. É assim que se desenvolve o musical “Rio Mais Brasil”, que está em cartaz no Teatro Oi Casa Grande, no Leblon, no Rio de Janeiro.  Idealizado por Gustavo Nunes, com direção de Ulysses Cruz e autoria de Renata Mizrahi, o musical exalta um país possível e a Cidade Maravilhosa, cheia de encantos e contrastes. O povo brasileiro é o protagonista, com sua pluralidade, sua complexidade, seu sincretismo, livre de estereótipos. No repertório, sucessos como “De Ladim”, “Caçador de Mim” e “Meu Lugar” ganham nova roupagem, com auxílio da percussão corporal.

Outro exemplo é a canção ‘Aquarela do Brasil’ (Ary Barroso), que ressurge completamente renovada, não só pelo arranjo inédito, mas pelo rap escrito pelo próprio Bauzys, incorporado à letra. “Na hora que a música fala, Terra de Nosso senhor, ali já entra um rap que diz, entre outras coisas: Terra de Nosso Senhor, de Oxalá, de Iemanjá, de Jesus. Enaltecemos o sincretismo no Brasil, que é algo tão lindo no nosso país, essa pátria de todos”, exalta o diretor musical Carlos Bauzys.

(Foto: Divulgação/Facebook)

Esse é, sem dúvida, o ponto alto do espetáculo. Em meio a uma onda de musicais que invadiu o Brasil nos últimos dez anos, “Rio Mais Brasil” é um exemplo de originalidade. A começar pelo elenco. Os atores tocam uma gama de instrumentos (mais de 30), muitos deles inusitados, como: berimbau de boca, ganzá e timbal e até mesmo uma bacia d’água ganha som, substituindo a orquestra. A direção musical aposta na percussão corporal como um elemento primordial na construção do espetáculo. Para um musical que fala sobre as dificuldades de se produzir arte no Brasil, tirar sons do próprio corpo mostra que somos todos precários.

Carlos Bauzys, inclusive, tem vasta experiência com essa linguagem, já trabalhou com o Barbatuques, um dos maiores expoentes do mundo em percussão corporal. “Essas escolhas partiram da nossa vontade de fazermos coisas diferentes, explorarmos distintos recursos vocais. E tem tudo a ver com o espetáculo, porque o corpo é muito rico de sonoridades e traz essa precariedade que o Ulysses busca. E também é natural da cultura do Brasil: fazer música, arte com o que é disponível”, acrescenta Bauzys.

“Brasis”
Em cena, o Brasil real, aonde cantam sabiás, uirapurus, mas que é, principalmente, berço de um povo produtor de uma arte plural, que cria música para balançar a tristeza, de uma gente que suja as mãos de barro para trabalhar, mas também para fazer brotar belezas. O país de Villa-Lobos, Ary Barroso, Caetano Veloso, Rita Lee, Almir Sater, Tom Zé. Mas também da mulher que carrega a lata d´água na cabeça, do menino que faz samba ou funk no morro ou no asfalto, do índio que dança em sua aldeia, do sertanejo que produz poesia à espera da chuva, da cabocla de jeito mestiço, do guri tri legal.

‘Rio mais Brasil, o nosso musical’ se passa nos bastidores da realização de um longa-metragem, livremente inspirado na obra ‘O Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro. O produtor Martin (Claudio Lins) recebe uma verba para criar uma superprodução, mostrando um Brasil jamais visto antes no cinema usando a obra de Darcy como referência. Após muito procurar, ele vê suas ideias traduzidas pela cineasta Cris (Cris Vianna), que propõe mostrar a essência do povo brasileiro. E a escolha do elenco deve refletir essa proposta, com pessoas de todo o país, que mostrarão um pouco de suas vivências, ajudando a entender o Brasil através da sua gente. À medida que as filmagens avançam, os valores vão sendo reduzidos, até que o investimento na produção é completamente cancelado. Como seguir adiante? O que pode ser feito? Um novo fato reacende as esperanças e possibilita a continuação das filmagens.

Sem clichê
Se o objetivo do idealizador do projeto, Gustavo Nunes, e do diretor Ulysses Cruz era fugir do óbvio, eles conseguiram. Não há espaço para clichê. “Rio Mais Brasil” apresenta um país mais real, de pessoas potentes, sem os cartões postais. Um novo formato, seja na caracterização, passando pelo cenário, até chegar ao repertório. A atriz Cris Vianna, que interpreta a “Cris”, dá conta do papel, apesar de não parecer à vontade ao soltar a voz. Já o seu colega de cena, Cláudio Lins, põe toda a sua experiência em musical à mostra, evidenciando a sua capacidade vocal.

Realidade e ficção dialogam em cena. Não apenas porque o espetáculo retrata uma rotina tão comum à cultura brasileira, mas porque foi livremente inspirado em um fato acontecido na própria produção do musical, que seria montado em 2016, porém teve o cancelamento de um patrocínio quando estava iniciando os ensaios, já com todo o elenco escolhido. 

Diversidade brasileira
Assim como no filme retratado no espetáculo, a escolha do elenco traduz a diversidade brasileira: foram mais de 500 candidatos de todo o país e a lista inclui nomes do Amazonas, Mato Grosso, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Anna Bello, André Muato, Bárbara Sut, Camila Matoso, Clayson Charles, Edmundo Vitor, Janaína Moreno, Kesia Estácio, Leandro Melo, Luciana Balby, Nando Motta, Marcel Octavio, Paulo Ney, Priscilla Azevedo e Teka Balluthy foram escolhidos pela banca formada por Ulysses Cruz, os diretores musicais Carlos Bauzys e Daniel Rocha, o diretor assistente, Thiago de Los Reyes, a produtora de elenco, Vanessa Veiga, e Gustavo Nunes. O elenco se complementa ainda com o multi-instrumentista Fernando Thomaz, que também atua nesta encenação.

O espetáculo inovou ainda ao possibilitar a participação do público na criação do roteiro final. As pessoas puderam enviar histórias verídicas e letras inéditas de músicas, através do site oficial. Uma dessas histórias e uma canção inédita foram selecionadas e incorporadas ao enredo final, que tem uma linha narrativa não-cronológica e não-linear. Em dado momento, podem ser mostrados, simultaneamente, o teste dos candidatos junto às cenas de suas vidas reais; cenas dos investidores podem se alternar com as filmagens ou com cenas dos bastidores. 

Após a temporada no Rio de Janeiro, o espetáculo circulará por mais sete capitais: Belo Horizonte, Campinas, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba e São Paulo.

Serviço:

‘Rio mais Brasil, o nosso musical’

Temporada: até 10 de setembro
Local: Oi Casa Grande - Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - a - Leblon, Rio de Janeiro
Horários: Quinta a sábado: 21h / Domingos: 19h

'Homem-Aranha: De Volta ao Lar': o herói que queríamos ver

Crítica por Eduardo Cabanas (Twitter: @edu_dc)

"Homem-Aranha: De Volta ao Lar", Direção: Jon Watts (Foto: Chuck Zlotnick - CTMG/Divulgação)
Já fazem mais de 10 anos que estrearam "Homem-Aranha 1 e 2" (e sim, prefiro ignorar a existência do "3"), mas é inevitável reconhecer seus legados e importâncias até hoje para o cinema de super-heróis. Foi através dos filmes de Sam Raimi que o amigão da vizinhança explodiu na cultura pop e se consolidou no imaginário coletivo de toda uma geração, tanto de crianças e jovens, quanto dos seus pais. 

"Homem-Aranha" era, além de um filme coeso e bem construído, um produto universal, que conseguia agradar todas as idades e opiniões, mesmo numa sociedade ainda traumatizada por "Batman & Robin". Raimi teve a inteligência de pegar tudo de melhor que tinha nos quadrinhos e adaptar para que funcionasse nas telonas sem perder a essência do personagem. Desta forma, o seu Peter Parker, vivido por Tobey Maguire, era único e original, mas ao mesmo tempo fiel à imagem do herói que já vinha impactando gerações.

Claro que "HA 3" ou "o filme que não deve ser nomeado", através de uma bagunça colossal de roteiro, botou toda a franquia a perder. Situação que o reboot de Marc Webb não conseguiu alterar. De certa forma, até piorou. Na série "Espetacular", saiu o herói completo e inspirador dos filmes originais e entrou no lugar um Peter Parker chato, birrento, malandrão das redes sociais, que não espelhava nada o Homem-Aranha que tanto gostamos. Um personagem que foi forçado a ser herói, ao invés de escolher tal caminho por índole, grandeza e fidelidade a um certo ensinamento muito importante dado pelo seu tio.

(Foto: Chuck Zlotnick - CTMG/Divulgação)
Felizmente, "De Volta ao Lar" sabe trazer tudo de volta. Se a aparição em "Capitão América: Guerra Civil" já dava uma bela pista do que estava por vir, este novo reboot entrega justamente tudo que os fãs mais esperavam. Sim, o novo Peter Parker é adolescente, é millennial, conversa com os mais novos, mas ao mesmo tempo tem o coração de Stan Lee e Steve Ditko. É o herói que queríamos ver e tanto fez falta nas últimas produções. 

Falta ao diretor Jon Watts, devo reconhecer, a capacidade (ou talvez experiência) de criar sequências de ação memoráveis, que normalmente estão presentes nos filmes de super-heróis. Basta lembrar da batalha no trem de "Homem-Aranha 2", um momento impactante e inesquecível que até hoje é difícil de ser superado. Mas se "De Volta o Lar" fica devendo na ação, se destaca nos personagens. Tom Holland é um Peter perfeito: magnético, jovial e intenso, o garoto é um mini fenômeno e se consagra como o melhor Aranha das telonas. Os coadjuvantes também não ficam para trás, todos extremamente carismáticos e bem desenvolvidos. Desde a Tia May de Marisa Tomei até o engraçadíssimo Ned (Jacob Batalon) e o surpreendente Abutre vivido por Michael Keaton (que escalação genial, convenhamos).

Fica então a esperança de uma continuidade positiva pra nova franquia, para que o Homem-Aranha possa sempre ser o herói que nos representa e nos inspira. Longe do histórico triste de imposições de roteiros, brigas entre estúdios e disputas criativas. Que a 'volta ao lar', pro Marvel Studios, permita que as mãos certas possam trabalhar nos próximos filmes. O cabeça de teia é um personagem importante demais para ficar no poder de gente errada. Afinal como todo nós sabemos, com grandes poderes vem grandes responsabilidades. 

Nota: 4/5 (Muito Bom)

Obs.: Homem-Aranha é o meu herói favorito. Tentei ter o máximo de distanciamento possível. Como podem ver, não consegui.

Mais informações:
- Elenco, fotos e ficha técnica completa: www.imdb.com/title/tt2250912
- Distribuidora: Sony Pictures

Sobre o autor: Eduardo é produtor cultural, cinéfilo, viciado em séries, nerd nas horas vagas e autor do blog de viagens Player 1 Viajante: www.player1viajante.com

Maria Bethânia volta ao Rio com mini turnê em apresentação única


Maria Bethânia se apresenta neste sábado (8), no Km de Vantagens Hall, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Bethânia, até o ano passado, excursionou o país com o show "Abraçar e Agradecer" e com o recital "Bethânia e As Palavras", lançado encartado no livro Caderno de Poesias. Desta vez, não há data redonda, não há calendário determinando celebrações. Este espetáculo foi pensado, inicialmente, para ser apresentado na rua, atendendo a um convite do povo de sua terra, Santo Amaro.

“Quando terminou, as pessoas vinham falar comigo. Foi uma festa tão bonita, inesquecível. E aí veio o convite para trazer para uma casa de shows em Recife e agora estes novos shows“, disse ela.

Bethânia traz momentos de seus últimos shows com grandes sucessos e canções escolhidas a dedo que viraram clássicos na sua voz, como “Negue” (Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos), “É o Amor” (Zezé de Camargo/Chico Amado/Dedé Badaró), “Olhos nos Olhos” (Chico Buarque), “Começaria Tudo Outra Vez”, “Explode Coração” (ambas de Gonzaguinha) e “Fera Ferida” (Roberto Carlos/Erasmo Carlos) e ainda um medley de sambas de roda costurados por “Reconvexo” (Caetano Veloso), sem deixar o Brasil rural de lado e novas músicas em sua voz como “Non, Je ne Regrette Rien” (Charles Dumont e Michael Vaucaire). Também não ficarão de fora canções inesquecíveis de compositores que marcaram sua carreira como Caymmi, Roque Ferreira, Chico César e Paulo César Pinheiro, e a literatura, como tem feito há tempos.

A banda que a acompanha tem Jorge Helder (contrabaixo), Túlio Mourão (piano), Paulo Dafilim (violas e violão), Pedro Franco (violão, bandolim e guitarra), Marcio Mallard (cello), Carlos César (bateria) e Marcelo Costa (percussão).

“São 52 anos pisando no palco, graças a Deus”, comemora Bethânia, com quase 71 anos (a serem celebrados em 18 de junho). “Gosto de cantar o que eu estou vivendo, o que estou sentindo”, revela. “Cantar é a coisa de que mais gosto. Trabalhar para o canto, para criar, ter ideias. Viver para o canto, em primeiro lugar”, completa.

Serviço: 

MARIA BETHÂNIA 

Data: Sábado, dia 08 de julho de 2017. 
Horário: 22h
Local: Km de Vantagens Hall – Rio de Janeiro (RJ) - Av. Ayrton Senna, 3000 - Shopping Via Parque - Barra da Tijuca.
Capacidade: 3.120 pessoas.
Ingressos: de R$ 75 a 480 (ver tabela completa).
Duração: Aproximadamente 2h.
Classificação etária: De 12 a 14 anos: permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais). De 15 anos em diante: permitida a entrada (desacompanhados).
Acesso para deficientes

‘Rio mais Brasil, o Nosso Musical’ vai exaltar as riquezas do Brasil


Idealizado por Gustavo Nunes, com direção de Ulysses Cruz e autoria de Renata Mizrahi, ‘Rio mais Brasil, o nosso musical’ estreia dia 20 de julho, no teatro Oi Casa Grande, no Leblon, no Rio de Janeiro. Cris Vianna, Claudio Lins, Danilo Mesquita e Danilo de Moura encabeçando um elenco de 20 atores-multi-instrumentistas. O musical exalta um país possível e a Cidade Maravilhosa, cheia de encantos e contrastes. O povo brasileiro é o protagonista, com sua pluralidade, sua complexidade, seu sincretismo, livre de estereótipos.

Em cena, o Brasil real, aonde cantam sabiás, uirapurus, mas que é, principalmente, berço de um povo produtor de uma arte plural, que cria música para balançar a tristeza, de uma gente que suja as mãos de barro para trabalhar, mas também para fazer brotar belezas. O país de Villa-Lobos, Ary Barroso, Caetano Veloso, Rita Lee, Almir Sater, Tom Zé. Mas também da mulher que carrega a lata d´água na cabeça, do menino que faz samba ou funk no morro ou no asfalto, do índio que dança em sua aldeia, do sertanejo que produz poesia à espera da chuva, da cabocla de jeito mestiço, do guri tri legal.


‘Rio mais Brasil, o nosso musical’ se passa nos bastidores da realização de um longa-metragem, livremente inspirado na obra ‘O Povo Brasileiro’, de Darcy Ribeiro. O produtor Martin (Claudio Lins) recebe uma verba para criar uma superprodução, mostrando um Brasil jamais visto antes no cinema usando a obra de Darcy como referência. Após muito procurar, ele vê suas ideias traduzidas pela cineasta Cris (Cris Vianna), que propõe mostrar a essência do povo brasileiro. E a escolha do elenco deve refletir essa proposta, com pessoas de todo o país, que mostrarão um pouco de suas vivências, ajudando a entender o Brasil através da sua gente. À medida que as filmagens avançam, os valores vão sendo reduzidos, até que o investimento na produção é completamente cancelado. Como seguir adiante? O que pode ser feito? Um novo fato reacende as esperanças e possibilita a continuação das filmagens.

“Recusamos tudo que fosse clichê”, diz diretor
Desde o início do processo, o idealizador do projeto, Gustavo Nunes, e o diretor Ulysses Cruz tinham uma certeza: queriam fugir do óbvio, evitar uma abordagem estereotipada. “Recusamos tudo que fosse clichê”, pontua o diretor.

“Queremos um lugar mais real, de pessoas potentes, não os mesmos cartões postais, nem as mesmas frases feitas”, afirma a autora Renata Mizrahi. “Eu não quero retratar a Zona Sul, da forma como sempre é mostrada, quero também a arquibancada número 1 da Sapucaí. Aquelas pessoas que estão ali têm histórias maravilhosas para contar. Uma das primeiras visões que tive do Rio foi o baile charme de Madureira. Aquele é o Rio que me interessa, o Rio real”, acrescenta Ulysses.

Realidade e ficção dialogam em cena. Não apenas porque o espetáculo retrata uma rotina tão comum à cultura brasileira, mas porque foi livremente inspirado em um fato acontecido na própria produção do musical, que seria montado em 2016, porém teve o cancelamento de um patrocínio quando estava iniciando os ensaios, já com todo o elenco escolhido. O produtor e idealizador Gustavo Nunes não desistiu e artistas como Ulysses Cruz e Cris Vianna seguiram à disposição do projeto, que pôde agora ser viabilizado com apresentação do Ourocap, patrocínio de Eletrobras Furnas, copatrocínio do IRB Brasil RE e apoio da ONS, em uma realização da Turbilhão de Ideias Entretenimento.

“É a arte mais uma vez driblando os obstáculos e fazendo brotar a criação de onde antes havia apenas incerteza. “Essa primeira tentativa frustrada se transformou em história na peça. E o Martin é uma homenagem ao Gustavo, que nunca desistiu de fazer esse espetáculo nascer”, exalta Ulysses.
Diversidade brasileira
Assim como no filme retratado no espetáculo, a escolha do elenco traduz a diversidade brasileira: foram mais de 500 candidatos de todo o país e a lista inclui nomes do Amazonas, Mato Grosso, Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Anna Bello, André Muato, Bárbara Sut, Camila Matoso, Clayson Charles, Edmundo Vitor, Janaína Moreno, Kesia Estácio, Leandro Melo, Luciana Balby, Nando Motta, Marcel Octavio, Paulo Ney, Priscilla Azevedo e Teka Balluthy foram escolhidos pela banca formada por Ulysses Cruz, os diretores musicais Carlos Bauzys e Daniel Rocha, o diretor assistente, Thiago de Los Reyes, a produtora de elenco, Vanessa Veiga, e Gustavo Nunes. O elenco se complementa ainda com o multi-instrumentista Fernando Thomaz, que também atua nesta encenação.
Carlos Bauzys não esconde a satisfação com os atores escolhidos: “foi uma das seleções mais difíceis que já fiz, fiquei entusiasmado com o alto nível dos multi-artistas”, celebra. “Queríamos um elenco que espelhasse o Brasil, mas um elenco real, não pessoas que parecessem, mas que fossem. Nossa vontade é realmente colocar em cena o povo brasileiro”, explica Ulysses.

Renata conta que recebeu o pedido do texto com a ideia de trabalhar em cima do Rio e do Brasil, mas sem um argumento definido. “Tive várias conversas com o Ulysses e o Gustavo. Bati muita bola com eles e, aos poucos, fomos construindo essa história. A gente troca ideia, debate muito. E agora temos também os atores, que chegaram, cada um com uma bagagem e histórias que só nos enriquecem. Esse trabalho é a arte de ouvir, filtrar e escrever”, explica Renata. “O texto foi sendo finalizado com a minha ida aos ensaios. Os atores nos trouxeram informações, vivências, além de atendermos demandas naturais da encenação”, complementa Ulysses.

Participação popular
O espetáculo inovou ainda ao possibilitar a participação do público na criação do roteiro final. As pessoas puderam enviar histórias verídicas e letras inéditas de músicas, através do site oficial. Uma dessas histórias e uma canção inédita foram selecionadas e incorporadas ao enredo final, que tem uma linha narrativa não-cronológica e não-linear. Em dado momento, podem ser mostrados, simultaneamente, o teste dos candidatos junto às cenas de suas vidas reais; cenas dos investidores podem se alternar com as filmagens ou com cenas dos bastidores. “Primeiro, eles entram como atores e vão virando personagens. Nas cenas dos testes, são os próprios atores, com um pouco de suas experiências” explica Ulysses.

A trilha é um dos pontos altos do musical: congrega letras originais de Renata Mizrahi, com uma releitura de músicas consagradas e outras representativas das cinco regiões brasileiras. O espetáculo reúne canções inéditas, além de composições de Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Luiz Gonzaga, Rita Lee, Almir Sater, Gilberto Gil, Ary Barroso, Cazuza, Tom Zé, Aldir Blanc, Arlindo Cruz, Waldemar Henrique, Kleiton e Kledir, Dani Black, entre outros, que ressurgem em arranjos originais de Carlos Bauzys e Daniel Rocha. “A nossa busca é refletir nos arranjos, na escolha das músicas, um pouco de tudo do Brasil, essa mistura imensa. Então, estamos trazendo várias referências. É uma mistura de múltiplas influências brasileiras adicionadas aos elementos do teatro musical”, esclarece Bauzys, que não esconde o entusiasmo com a grandeza musical desse país. “Essa riqueza parte de uma espontaneidade sublime. Em cada canto do Brasil que você vai, encontra tradições populares que existem há muito tempo e são extremamente ricas e únicas. O que mais me atrai é essa beleza que parte da simplicidade”, finaliza.

Um dos exemplos da busca por essa originalidade é a canção ‘Aquarela do Brasil’ (Ary Barroso), que ressurge completamente renovada, não só pelo arranjo inédito, mas pelo rap escrito pelo próprio Bauzys, incorporado à letra. “Na hora que a música fala, Terra de Nosso senhor, ali já entra um rap que diz, entre outras coisas: Terra de Nosso Senhor, de Oxalá, de Iemanjá, de Jesus. Enaltecemos o sincretismo no Brasil, que é algo tão lindo no nosso país, essa pátria de todos”, exalta.

Os atores tocarão uma gama de instrumentos (mais de 30), muitos deles inusitados, como: berimbau de boca, ganzá e timbal. A direção musical aposta na percussão corporal como um elemento primordial na construção do espetáculo. “Quero todos tocando muito, tirando sons do próprio corpo, isso mostra nossa precariedade, dói. Somos todos precários, isso é lindo porque é o que nos torna humanos”, vibra Ulysses. Carlos Bauzys tem vasta experiência com essa linguagem, já trabalhou com o Barbatuques, um dos maiores expoentes do mundo em percussão corporal. “Essas escolhas partiram da nossa vontade de fazermos coisas diferentes, explorarmos distintos recursos vocais. E tem tudo a ver com o espetáculo, porque o corpo é muito rico de sonoridades e traz essa precariedade que o Ulysses busca. E também é natural da cultura do Brasil: fazer música, arte com o que é disponível”, acrescenta Bauzys.

Os diretores musicais dialogam muito com os atores e alguns arranjos nascem dessa troca de vivências. “A ideia é justamente trazer um pouco do conhecimento e da cultura do elenco, esse processo de construção coletiva também acontece. Muitas vezes, levamos os arranjos fechados e ensaiamos, mas somos muito abertos a sugestões, porque entendemos que a colaboração das pessoas é muito importante para o resultado ficar mais rico ainda”, aponta Bauzys.

A potência da música que segue sendo produzida nos mais diferentes Brasis espalhados dentro de um mesmo país é uma das principais motivações de Carlos Bauzys ao realizar esse espetáculo. “Ainda na adolescência, quando eu conheci a nossa música de verdade é que eu me entendi como brasileiro e, pela primeira vez, tive orgulho do lugar onde eu nasci. Se eu puder passar um pouco disso para o público, minha missão estará cumprida”, afirma.

O musical representa o hoje, com um olhar otimista. “Nosso povo se reinventa a cada momento. Queremos revelar a cara dessa gente, exaltar o quanto somos grandes e ricos de diversidade e quanta beleza pode haver!”, celebra Renata.

Após a temporada no Rio de Janeiro, o espetáculo circulará por mais sete capitais: Belo Horizonte, Campinas, Brasília, Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba e São Paulo.

Serviço:

‘Rio mais Brasil, o nosso musical’

Pré-estreias: 15/07, às 21h e 16/07, às 19h
Estreia: 20 de julho
Temporada: até 10 de setembro
Local: Oi Casa Grande - Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - a - Leblon, Rio de Janeiro
Horários:
Quinta a sábado: 21h
Domingos: 19h

Ariana Grande emociona fãs do Rio ao lembrar vítimas de atentado

Por Rodrigo Vianna

Ariana Grande na Jeunesse Arena (Foto: Midiorama/Divulgação)
Pela primeira vez no Rio de Janeiro, e segunda no país, Ariana Grande sem apresentou para um público animado, em sua maioria crianças e adolescentes, na noite desta quinta-feira (29), no Jeunesse Arena (antigo HSBC Arena), na Barra da Tijuca. Dessa vez, a cantora trouxe ao país a sua mais nova turnê, Dangerous Woman Tour. No momento mais emocionante do show, Ariana lembrou seus fãs mortos no atentado de Manchester, no Reino Unido, no dia 22 de maio.  O ataque deixou 22 mortos.

Para a homenagem, Ariana cantou o clássico "Somewhere Over The Rainbow" e exibiu seu símbolo personalizado de luto. Foi possível ver muitos fãs emocionados na plateia. A música fo
i incluída no setlist após o ataque.

Ariana exibiu seu símbolo personalizado de luto no telão (Foto: Arquivo pessoal)

A turnê leva o nome do terceiro álbum de estúdio da cantora, lançado em 2016 e indicado ao Grammy de Melhor Vocal de Álbum Pop e Melhor Performance Vocal Pop. O álbum foi sucesso de crítica e público, sendo um dos mais bem sucedidos comercialmente em 2016, com mais de um milhão de cópias vendidas. No ano passado, Ariana ganhou o American Music Awards de Artista do Ano.

O show seguiu o mesmo roteiro das outras apresentações. Aliás, a cantora foi fiel até mesmo na fala. Ela pouco interagiu com o público, e se limitou às mesmas frases usadas em outros shows, com exceção de um “obrigado”, ao se despedir. Algo que incomodou parte do público que compareceu à arena foi a falta de luz sobre a cantora, no palco. Em alguns momentos, foi difícil ver a cantora. O que se via eram apenas sombras e silhuetas. Não havia quaisquer holofotes direcionados nela, o que dificulta a visão da plateia. Tirando a penumbra, o show ocorreu sem imprevistos.  

Sem dúvida, o que mais chamou a atenção durante quase 2 horas de show foi, sem dúvida, a voz. E que voz!! Límpida, potente, aguda, alcançando todas as notas, mesmo quando ela se pôs a pedalar em uma bicicleta ergométrica para a performance de “Side to Side”. Foi de arrepiar. No palco, Ariana se mostrou madura, segura e correta, deixando os Arianators, como são conhecidos os apaixonados pela cantora, ainda mais felizes e orgulhosos de poder, enfim, estar diante do seu ídolo.

Sensualidade e técnica
Ariana subiu ao palco às 21h12, e abriu seu show com a canção "Be Alright", seguida por "Everyday". Acompanhada de um grupo de bailarinos de tirar o fôlego, a cantora esbanjou sensualidade e muita técnica. Em um dos raros momentos de interação com o público a cantora disse: "Oi, Rio, muito obrigada, como vocês estão? Estão se divertindo? Muito obrigada, amo muito vocês", seguida de gritos ensurdecedores.

Em "Sometimes", uma chuva de bolas de gás animou o público e enfeitou a Jeunesse Arena. Na plateia, um corre-corre para ver quem conseguia levar uma lembrança do show, que teve ainda chuva de papel picado, muita fumaça, show de lazer e um telão de alta definição. Quando alguém lançou uma bandeira do Brasil na passarela, enquanto ela cantava, ela fez o favor de jogá-la de volta. Mas o público fiel não se importou, e continuou a acompanhar a diva em uníssono.

Quando a arena tentou um coro de “Ariana, eu te amo”, ela também não demonstrou muito interesse em saber do que se tratava. Mas, de vez em quando, a cantora jogava uns beijos randômicos para o público. Ela gosta de lançar beijos no ar.

Ariana cantou 15 faixas do disco – incluindo todos os singles, como “Dangerous Woman”, “Into You” e “Everyday”. “Focus”, que não entrou no álbum, também estava lá e o público cantou na ponta da língua. Mas os pontos altos da noite acabaram sendo sucessos anteriores, como “Bang Bang”, que animou a arena, e “One Last Time”. Dois dos hits mais esperados da noite, “Break Free” e “Problem”, do álbum “My Everything”, ganham novos arranjos neste show.

Apesar do trauma do atentado, Ariana se mostrou segura e provou (se é que ela ainda precisa provar) que ela tem talento de sobra. Uma carreira ainda promissora, que vai render ainda muitas orelhinhas de coelho – símbolo da cantora – e atrair mais fãs do mundo todo. Após o fim do show, os fãs deixaram a arena já com saudade. Os brasileiros que não puderam assistir ao show do Rio ainda tem uma segunda chance. Ariana Grande se apresenta neste sábado (1), no Allianz Parque, em São Paulo.

Confira o setlist do show do Rio: